O julgamento da ex-presidente da direcção da Academia de Música Fernandes Fão, Eugénia Moura, prolongar-se-á por 2017, respondendo pelo crime de peculato continuado.
O antigo contabilista e actual presidente da direcção da academia ancorense, Fernando Rebelo, foi a única testemunha a ser ouvida na última sessão face à quantidade de perguntas a que foi submetido, quer por parte do Ministério Público, quer dos dois advogados, de acusação e defesa, o que levou a juíza a referir com algum humor que iria "passar o ano civil sob juramento", atendendo a que a audiência teve de ser interrompida devido à sua longa duração, prosseguindo em Janeiro.
A questão do adiantamento (ou compensação) de uma verba de 12.000€ solicitada pela antiga presidente, e do ordenado de Julho de 2007, bem como as entregas das receitas de bilheteiras de espectáculos organizados pela AMFF, e os objectos levados pela arguida foram escalpelizados nesta sessão do julgamento.
A advogada de defesa apresentou um requerimento para que a direcção da academia fosse notificada a entregar toda a documentação referente às receitas de bilheteiras correspondentes aos espectáculos efectivamente realizados pela mesma.
O Ministério Público frisou que essas quantias já se encontravam discriminadas na acusação. Citou-as, e considerou tratar-se de uma medida dilatória tentada pela defesa, pelo que não deveria ser atendida.
A mesma posição foi tomada pelo assistente da direcção da AMFF, insistindo que as verbas em causa eram as que se encontravam nos autos.
Face ao adiantado da hora, e porque o requerimento merecesse "ponderação", apesar de lhe parecer que poderá vir a ser indeferido, a juíza do Tribunal de Caminha suspendeu a sessão e pronunciar-se-á na próxima.