www.caminha2000.com - Jornal Digital Regional -
Semanário - Director: Luís Almeida

1ª Pág.
Cultura
Desporto
Óbitos
Política
Pescas
Roteiro
Ficha Técnica
Edições C@2000
Assinaturas
Email

TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor

O Homem Produtor

A capacidade produtiva do homem, em vários domínios, incluindo a produção do seu próprio pensamento, é algo de inigualável em qualquer outra espécie animal conhecida. O homem produtor, no limite, eventualmente, do seu próprio destino, este considerado como efeito das ações concretas do próprio homem. As diversas formas de sociedade, que à escala planetária se encontram em diferentes posições geográficas, são um pequeno exemplo da sua capacidade produtora, a partir da imaginação e faculdades criativas, concretizadas na ciência, na técnica, na arte, em suma, no conhecimento

O homem, (novamente se clarifica que, quando invocamos o homem, no contexto da sociedade, estamos a referirmo-nos ao homem e à mulher) que parcialmente se conhece, produz bens materiais, cuja relação seria incompatível e fastidioso enumerar neste trabalho, mas também está na origem da produção de bens imateriais, que define, hierarquiza e consome, qual círculo vicioso.

Concetualizar a personalidade, a cultura, a religião, a justiça, o amor, a solidariedade, a felicidade e tantos outros valores é específico do ser humano, no entanto, e apesar deste poder quase infinito, o homem ainda não conseguiu produzir soluções que lhe permitam vencer certos estados físicos e espirituais: a luta contra a decadência biológica, que culmina na morte, prossegue sem contudo se vislumbrar qualquer hipótese de vitória; a total ignorância sobre o destino do espírito, constitui outro fracasso da capacidade produtora do homem.

Apontam-se, com realismo, algumas situações-limite, para as quais o homem, ao longo dos milénios, ainda não teve capacidade de produzir qualquer solução, o que não deve constituir motivo de desânimo, muito menos de derrota, porque questões de natureza metafísica, transcendental e do domínio Divino, são inacessíveis à fragilidade e insuficiência humanas.

Nestas circunstâncias, resta ao homem manter um otimismo moderado, confiar em todas as suas faculdades cognitivas e físicas para, enquanto biologicamente considerado, tirar melhor partido das suas potencialidades.

O produto ou, se se quiser, a produção de si mesmo, é uma tarefa da qual o cidadão, que se pretende tentar formar para esta época, não pode eximir-se, às realizações que estão ao seu alcance, a partir da sua própria iniciativa, e também com o apoio dos vários setores da sociedade.

Uma ideia que importa deixar à reflexão prende-se com as suas dimensões e capacidades porque: "Dentro do coração de cada homem esconde-se a nostalgia da perfeição. O desejo é o infinito, mas, os limites são múltiplos. Mesmo se o pecado não existisse, e o homem pudesse construir-se sozinho na direcção certa, harmonizar todas as suas potências e dominá-las, ainda assim, continuará insatisfeito." (QUOIST, 1985:73).

Consciente da sua imperfeição, o cidadão produtor de bens materiais e imateriais, será sempre um ser insatisfeito mas, profundamente convicto desta sua condição, continuará a desenvolver-se no sentido da perfeição e máxima satisfação. Com estes referenciais, o homem de hoje e de amanhã, tem, apesar das dificuldades, das incapacidades e dos obstáculos diversos, os meios suficientes para produzir uma sociedade melhor, do que aquela que recebeu à data do seu nascimento. O êxito depende de cada um, em particular, e de todos, em geral.

O cidadão produtor, que ao longo deste trabalho se analisa, interpenetra-se com muitas outras características do homem do mundo atual, em que hoje se vive, e de facto, por que não é um ser absolutamente dependente, das alternâncias do determinismo natural das leis da natureza, ele será suficientemente inteligente e capaz para produzir o bem-estar da sociedade porque, em última análise, tem a liberdade, a vontade e a consciência lúcida para decidir o que mais lhe convém.

A isto acrescenta-se uma virtude extraordinária, que todo o ser humano, em determinadas circunstâncias, pode usar: a coragem. Na verdade, é necessária uma grande coragem para produzir uma nova mentalidade, novas situações, novos hábitos, o que significa uma possibilidade a não desperdiçar. O tempo desperdiçado tem sido muito e, para que não se perca mais, é fundamental que ele: "Tenha coragem de se modificar sempre que tudo lhe parecer sem solução. Com certeza haverá uma possibilidade de mudar a sua história e renovar seu destino.". (AMORIM, 2000:116).

É com esta mentalidade positiva que este cidadão se envolverá na resolução dos problemas pessoais e gerais, contribuindo, assim, para a nova sociedade do século XXI, que todos desejam mais próspera, mais pacífica e mais solidária. A formação para a Cidadania, ao longo da vida, é um processo que implica total dedicação, empenhamento e coragem, objetivamente para que este novo homem produza a Paz, a Felicidade, o Amor, o Conforto a todos os níveis, para todos os homens, sem qualquer discriminação.

Por isso, é premente a generalização de políticas de coesão social em que: "A realização deste fim assenta numa ideia de solidariedade de acordo com a qual, basicamente, os mais ricos devem contribuir para ajudar os mais pobres..." (PIZARRO & COURELA, 2005:43).

Bibliografia

CHIAVEGATO, Augusto José, (Org.) (1976). Homem Hoje, 2. Ed., São Paulo: Cortez & Moraes.

QUOIST, Michel, (1985). Construir o Homem e o Mundo, Trad. Rose Marie Muraro, 34ª. Ed. (332º milheiro), São Paulo: Livraria Duas Cidades.

AMORIM, Jorge Luís Carlos, (2000). Jogando com Sorte, Técnicas de Sobrevivência em Tempos de Crise, Rio de Janeiro: Editora Rosa dos Tempos.

PIZARRO, Noémia e COURELA, Pedro, (Coord.), (2005) Guia do Cidadão Europeu, 1ª ed. Novembro de 2005, Lisboa: Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais/O Mundo em Português: Universidade Católica Portuguesa.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo


Edições C@2000
Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento
Apoiado pela Fundação EDP

Da Monarquia à República no Concelho de Caminha
Crónica Política (1906 - 1913)

Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


O Estado Novo e outros sonetos políticos satíricos do poeta caminhense Júlio Baptista (1882 - 1961)

Organização e estudo biográfico do autor por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora

Autor: Joaquim Vasconcelos
Edição: C@2000


Memórias da Serra d'Arga
Autor: Domingos Cerejeira
Edição: C@2000

Outras Edições Regionais