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Lanhelas

Casa do Povo

Encerramento do Centro de Dia no centro das atenções

A decisão de encerramento do Centro de Dia, em funcionamento havia 18 anos, tomada pela direcção da Casa do Povo no passado mês, devido à "baixa frequência" que vinha registando, às "baixas mensalidades dos 15 utentes" e na acumulação de um défice de 7.000€ entre Janeiro e Agosto, não foi pacífica no seio dos sócios presentes na assembleia geral realizada ontem à noite (Sexta-feira).

Mais do que a decisão em si, a discussão centrou-se muito à volta do passado recente desta instituição que acaba de assinalar 75 anos de existência.

Rui Fernandes, ex-presidente da Junta de Freguesia, foi quem mais contestou a opção tomada, recordando o envelhecimento galopante da população lanhelense, a diminuição da juventude, e a necessidade de criar condições de assistência à terceira idade.

Este sócio da Casa do Povo referiu que uma das coisas que "sempre me preocupou" desde que passou a exercer o cargo de presidente de Junta, foi o funcionamento do Centro de Dia.

Recordou que em 2003, tentaram reabilitar esta casa e concentrando neste espaço todas as associações de Lanhelas mas, precisou, a Direcção de então não quis mexer no edifício.

A autarquia tinha um arquitecto - autor do arranjo do largo da Anta -, com ideias para uma funcionalidade alargada do edifício e zona envolvente mas que "morreu, porque não nos deixaram avançar".

Rui Fernandes lamentou as opções tomadas na altura, nomeadamente pela Câmara Municipal que acabara de receber dinheiro da venda da rede de águas à Minho e Lima, preferindo, no entanto, adquirir as Casas Ventura Terra e Sidónio Pais, sem que lhes desse qualquer destino.

Acrescentou que após uma mudança de direcção operada nos anos seguintes, passou a haver maior abertura mas, a falta de dinheiro obstou à concretização do projecto, até porque a Câmara se endividara "com obras megalómanas", precisou. Concluindo, assinalou que a Câmara chegou a apresentar um projecto para a Casa do Povo que "não cabia no espaço disponível", e o período eleitoral que se seguiu contribuiu para um alheamento camarário em relação à mudança desejada na Casa do Povo.

Rui Fernandes e Emília Roda pretendiam ainda que o Centro de Dia constasse do Plano de Actividades para 2015, para que não representasse "o fecho definitivo", justificou a segunda.

"Estávamos muito aflitos"

O assunto mereceu uma explicação da parte de Matilde Vilas Lages, presidente da direcção, revelando aos sócios a situação do Centro de Dia e a decisão de fechar as suas portas.

Frisou que esta valência vinha dando prejuízo há vários anos, "uma situação que herdamos", precisou, e à qual houve necessidade de dar resposta.

O primeiro passo foi junto da Segurança Social mas, apenas lhes disseram que os utentes estavam a pagar muito abaixo dos 40% mínimos para a sustentabilidade do serviço. A comparticipação dos 15 utentes (e muitos havia que não o frequentavam assiduamente) não era, portanto, suficiente.

Matilde Lages recordou que uma inspecção da Segurança Social realizada em Julho último, obrigou a uma série de obras, incluindo um comedor e casas de banho para deficientes, o que se tornava inviável devido à falta de verbas.

Decidiram reunir com os utentes e seus familiares na tentativa de aquilatar se estariam dispostos a aumentar a sua comparticipação. Contudo, somente dois deles estavam receptivos, o que precipitou o encerramento do Centro de Dia, porque, justificou, "mais uns meses e teríamos de despedir pessoas", decisão que tentaram evitar desde que tomaram posse.

Os utentes foram distribuídos pelos centros de dia de Vilarelho e Moledo, levando-a a concluir que nesse capítulo, "não foi um grande prejuízo para a freguesia".

Em resposta ainda a Rui Fernandes, a presidente da direcção esclareceu que as duas funcionárias do Centro de Dia transitaram para o Jardim de Infância, embora ainda não tivessem conseguido obter as respectivas comparticipações da Segurança Social, e que eram no montante de 1.550€.

A Junta de Freguesia esteve ao corrente de tudo desde que se iniciou o processo de fechar a valência, disse Josefina Covinha, referindo seguidamente que uma direcção tinha recebido um saldo do mandato cessante.

Recuando ainda ao passado recente, Cândida Mina, pertencendo à actual direcção e a uma anterior, recordou que falaram inúmeras vezes com a Junta de Freguesia sobre a possibilidade de reabilitar o edifício e adaptá-lo às necessidades da freguesia. Contudo, a falta de verbas provenientes das expropriações dos baldios da freguesia com origem na construção da via rápida (actual A/28), obstaram a que se avançasse com as obras que apontavam para a transferência do Centro de Dia para o Campinho. Frisou que apenas dispunham de 40.000€, valor insuficiente para levar por diante obras de envergadura.

As beneficiações feitas no rés-do-chão da Casa do Povo motivaram troca de palavras entre alguns sócios, referindo João Cunha que a anterior direcção tinha deixado um saldo de 20.000€ e executadas várias obras. Enalteceu o empenho dos directores desse tempo na participação da Feira Medieval, a qual chegou e render 17.000€.

Todavia, as opções tomadas em relação ao património da Casa do Povo, voltariam a ser afloradas noutros pontos da reunião.

Rui Fernandes insurgiu-se contra a opção tomada pela apresentação de uma candidatura para instalação de um relvado sintético no campo de jogos Ilídio Couto e que custará milhares de euros (comparticipação camarária será na ordem dos 15%). Será um "plástico ao sol, quando do que precisamos é de um Centro de Dia", exclamou.

A direcção replicou, juntamento com José Pedro Fernandes, afirmando que a opção da candidatura partira da Câmara e que a mesma se dirigia exclusivamente a equipamentos desportivos.

Capela da Senhora da Graça

O registo predial da Capela da Senhora da Graça a efectuar a favor da Casa do Povo mereceu contestação da parte de uma moradora que reivindica a sua posse.

O assunto mereceu discussão nesta reunião, com Rui Fernandes a avisar que iriam criar uma "guerra" na freguesia, quando deveriam entregá-la à Fabriqueira, recordando ainda que foi o povo de Lanhelas que fez as obras no pequeno templo.

A direcção da Casa do Povo acentuou que existem documentos atestando a titularidade da capela a favor da Casa do Povo.

Exigências legais

Uma fiscalização ao Jardim de Infância determinou a introdução de algumas medidas contra incêndios, mas que obrigam a um esforço financeiro da parte da instituição. A colocação de uma cortina corta-fogos implica um investimento de 3.000€, a par de modificações nas portas.

A Câmara anterior prometera 15.000€ para arranjo do telhado. Contudo, a verba nunca chegou. Pretendem agora que a Câmara facilite na concessão de alvarás para aluguer dos espaços do rés-do-chão do edifício-mãe.

Renúncia de membro do Conselho Fiscal

A indisponibilidade de Tomás Antunes para continuar a assumir o cargo de membro do Conselho Fiscal, levou-o a apresentar a renúncia ao cargo, conforme o expressava uma carta dirigida à presidente da Assembleia Geral. Esta assembleia autorizou ainda a venda de uma carrinha velha por 1.000€, dado que já não podia transportar crianças.

Orçamento de 300 mil euros para 2015

Esta assembleia serviu ainda para aprovar o Plano de Actividades para 2015, prevendo um movimento de 300 mil euros. A par de diversas actividades culturais e recreativas, a actual direcção pretende manter a sua participação na Feira Medieval, e dar continuidade do consultório médico, legalizar o património (Capela da Srª da Graça, Creche e Jardim de Infância) e obter os alvarás necessários aos alugueres legais dos espaços do rés-do-chão do edifício sede.


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