Jornal Digital Regional
Nº 588: 19/25 Mai 12
(Semanal - Sábados)






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Vila Praia de Âncora

Zona das Camboas é ponto "quente" da revisão do PDM

Assoreamento do Portinho preocupa eleitos locais

VPA não quer perder posto de turismo

Construções na Cruz Velha criticadas

Elogios à Mesa da Páscoa

Há um plano de pormenor em elaboração e uma discussão em aberto sobre a finalidade dos terrenos (na sua maioria leiras) da zona nascente das Camboas, os quais "têm algum interesse a vários níveis".

Este foi um dos comentários de José Presa, presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Praia de Âncora, sobre um assunto que mereceu destaque na última reunião deste órgão autárquico.

Adiantou que o aproveitamento a dar a esta zona deverá recolher "ideias" quando for colocado em discussão pública o novo esboço do Plano Director Municipal de Caminha, referindo, a propósito, ter havido já uma deslocação de autarcas ancorenses a Zambujeira do Mar, a fim de apreciar o que foi projectado e concretizado para uma área marítima desse concelho alentejano.

O destino desta frente marítima foi objecto de preocupação da parte de Álvaro Meira, assegurando a existência de "interesses comerciais", defendendo que o que for aprovado para este espaço "seja do interesse a terra".

Álvaro Meira definiu o PDM como uma "espécie de Bíblia que nos vai guiar durante muitos anos", enquanto que Manuel Marques, presidente da Junta de Freguesia, assegurou que tudo está a ser "muito estudado" e existirem muitas ideias, encontrando-se a elaboração do projecto em mãos da arquitecta Lurdes Carreira, mas tudo dependerá dos "investidores", pormenorizou.

Aproveitando a abordagem à revisão do PDM, o delegado socialista Álvaro Meira (substituiu Sérgio Torres que renunciou ao mandato) sugeriu o aproveitamento da antiga Fábrica de Lacticínios Âncora - que reputou de edifício "emblemático" - para uma Pousada da Juventude, acrescentando ainda que os surfistas que procuram a costa ancorense merecem um hostal de preços reduzidos, apontando para tal a casa conhecida como do "Messias".

Este delegado sugeriu ainda o prolongamento das ruas do Sol Posto e da Lagarteira que no seu entender se encontram "esganadas", mas dar seguimento a estas ideias não parece ser fácil, a avaliar pelas palavras de Manuel Marques, face à existência de construções. Elogiou, no entanto, as intervenções entretanto realizadas nestas duas artérias da vila.

Contudo, Marques aceitou a ideia das duas unidades turísticas, apenas lhe suscitando reservas quanto à forma de as tornar financeiramente sustentáveis, aproveitando para felicitar o novo sócio maioritário da "Camipão", José Presa, presidente da AF, pela sua iniciativa de empreendedorismo, sublinhou, desejando-lhe "sucesso".

Manuel Marques, ainda abordando a revisão do PDM já anunciada pela Câmara, desafiou todos a apresentarem propostas que possam ser discutidas mais tarde, aquando da realização de sessões públicas.

Desassoreamento do Portinho sem resposta

Sec. Estado Pescas no Portinho em Fevereiro deste ano

A decisão de desassorear o Portinho continua a ser protelada e os eleitos locais reflectem as preocupações da comunidade piscatória, como sucedeu com a interpelação do delegado social-democrata Luís Matias.

A visita do secretário de Estado das Pescas ao Portinho suscitou algumas expectativas, após referir que esta extracção de inertes seria "prioritária", chegando a aventar a hipótese de que sucedesse em Maio ou Junho, mas, Manuel Marques coloca reticências quanto à viabilidade desta operação.

Recorde-se que os pescadores também aguardam pela alteração ao projecto das famigeradas grades no porto de vendagem.

Ainda respeitante a esta zona, no seguimento das obras que aí decorrem, Gaspar Pereira (PS) perguntou ao executivo local se uma esplanada que ainda aí se mantinha, iria ser retirada ou não, de modo a refazer o passeio. Manuel Marques assegurou que todos os proprietários tinham sido notificados para o fazerem, mas o cumprimento dessa ordem competia ao Instituto Portuário e Transportes Marítimos, asseverou.

Pela manutenção do Posto de Turismo

Nesta maré de mudanças habitualmente designadas de "estruturais", a possibilidade de encerramento do Posto de Turismo pesa sobre esta vila.

"Esperamos que que sejamos ouvidos e o posto não feche", avançou Manuel Marques em resposta a Álvaro Meira.

O autarca social-democrata adiantou que têm encetado contactos com os responsáveis pelo Turismo, mas parece ser sua intenção encerrar todas as lojas de turismo, tudo dependendo de nova legislação em vias de ser aprovada.

O autarca discordou ainda do aproveitamento do posto de turismo para sede de junta, conforme sugerira Álvaro Meira, recordando Luís Matias que o edifício pertence ao Turismo.

Após as tentativas de fecho do posto da GNR e da delegação do Centro de Saúde, Domingos Vasconcelos (CDU) insurgiu-se contra mais uma investida, desta feita, tendo como alvo o posto de turismo. "Há que travar esta situação", apontando como outro exemplo a extinção das freguesias.

Construções desagradam

Este mesmo delegado criticou umas construções feitas junto a uma linha de água, na rotunda da Cruz Velha, perguntando à junta se a sua implementação estava legal e se a câmara tinha feito um estudo competente das consequências da obra. Seguiu-se nas dúvidas sobre as obras, o delegado Luís Matias, perguntando se o projecto se encontrava aprovado.

Segundo respondeu Manuel Marques, as dúvidas também se apoderaram do executivo logo que viram as placas de autorização, mas segundo lhe disseram na câmara, tudo se encontrava de acordo com a legislação, pelo que lamentava a situação.

Casa Paroquial e Casas Mortuárias

A Casa Paroquial necessita de obras e encontra-se fechada sem ser utilizada, alertou Gaspar Pereira, pedindo ainda informações sobre a construção das casas mortuárias.

A situação de degradação da habitação apanhou desprevenido Manuel Marques, embora o edifício pertença à Igreja, frisou e, quanto às casas mortuárias não há nada de novo, até porque Vila Praia de Âncora tem um novo pároco.

Dólmen com perspectivas diferentes

O aproveitamento da Quinta da Barrosa, onde se encontra o Dólmen, foi outro dos assuntos abordados nesta reunião, levando José Presa (PSD) a duvidar da possibilidade de criar uma espécie de "parque da cidade" de apoio à zona escolar, como sugerira Álvaro Meira, que lamentara que a única utilização residisse nas hortas sociais.

Na óptica de José Presa, neste contexto em que o país se encontra, nem investimentos públicos ou privados podem ser encarados como viáveis, levando-o a aconselhar "calma", temendo ainda que viesse a ser pouco utilizado, face à sua localização.

Destes argumentos não comungou Domingos Vasconcelos, assegurando que "não será necessário despender grandes verbas tanto na construção como na manutenção desse parque porque não é necessário um parque artificializado, a exemplo do Parque Ramos Pereira", considerando ser preferível apostar por um parque "com características naturais pelo seu maior contacto com a natureza".

Pronunciando-se sobre as hortas socias, disse poderem servir como "complemento de atracção e servirem como um factor pedagógico para quem visita o parque, especialmente para as crianças".

No entanto, para Sofia Ramos (PSD), após assinalar que este espaço é habitualmente utilizado por ela, vincou que apenas necessita de um ponto de água e casas de banho. Esta sugestão vai ser levada em linha de conta pela Junta de Freguesia, prometeu o presidente do executivo.

Pavilhão preparado para aumento de turmas

A recente decisão do Governo de aumentar o número de alunos por turma, motivou Domingos Vasconcelos a questionar o executivo se as obras de recuperação do pavilhão municipal de VPA estão a ter em conta esta situação, nomeadamente a nível da capacidade dos balneários e realização de eventos desportivos. Manuel Marques sossegou o delegado. Tudo estará a ser "acautelado".

A organização do cemitério mereceu uma análise da Junta e Assembleia, nomeadamente após ter sido recebida uma carta de uma moradora, pedindo horários diferentes, para Inverno e Verão, além de Luís Matias ter sugerido a deslocação de um contentor por se encontrar perto de algumas campas, conforme lhe tinham solicitado algumas pessoas.

A insuficiência de limpeza neste local foi outro dos pormenores abordados, a par da localização de um "velão".

Os actos de vandalismo no pontão sobre o rio Âncora, junto à praia, continuam. Luís Matias deu exemplos, como é o caso dos candeeiros partidos. Manuel Marques lamenta que "estraguem o que é de todos" e até sabe quem são os autores (grupo) que vão para lá.

A irregularidade registadas em diversas artérias ancorenses foram objecto de uma chamada de atenção da parte de Domingos Vasconcelos, nomeadamente nas ruas António Baptista, 5 de Outubro, Almirante Ramos Pereira e Duarte Pacheco.

Elogios à Mesa da Páscoa

De todos os quadrantes vieram palavras de elogio à realização da Mesa da Páscoa, iniciativa dos comerciantes e empresários concelhios levada a efeito nesta vila. Apenas Manuel Marques lamentou que não tivessem convidado a junta, nem tivessem solicitado o seu patrocínio, a par de apenas ter recebido o convite para a inauguração na Sexta-feira anterior, razões pelas quais não compareceu.

Nesta sessão em que foram aprovadas as contas de 2011 - apenas Domingos Vasconcelos perguntou por que razão não se tinha investido nos caminhos do monte, uma caso a merecer planificação de modo a combater eficazmente os fogos florestais, elucidou Manuel Marques -, o PS fez uma declaração de voto pela sua abstenção, devido a não terem tido tempo para as analisar.

Sobre a localização exacta do monumento aos pescadores desaparecidos no mar, instalação de um espelho de água e seu custos (consumo), integração no projecto concebido para a obra da 2ª fase do Portinho e eventual autorização de entidade competente, cujas explicações foram solicitadas por Domingos Vasconcelos, José Presa, presidente da AF, prometeu apresentar o monumento à população antes de escolhido o local exacto e a iluminação necessária, estando convencido que se encontrará um local adequado ao conjunto da intervenção.