Jornal Digital Regional
Nº 588: 19/25 Mai 12
(Semanal - Sábados)






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CIDADANIA

Tem-se vindo a defender que os meios de comunicação social desempenham uma função cada vez mais interventiva na vida das pessoas e decisiva para as sociedades modernas, quaisquer que sejam esses meios porque ao longo do dia, milhões de pessoas ouvem rádio, mesmo durante as suas viagens; milhões de leitores compram jornais, revistas, livros e outros materiais de leitura; milhões de cidadãos acompanham pela televisão tudo o que de mais inimaginável se possa conceber: noticiários, concursos, filmes, debates de diversa natureza, jogos, variedades.

Nos últimos vinte e cinco anos tornaram-se populares as telenovelas, que chegam a atingir níveis de audiência até então nunca alcançados e, mais recentemente, programas sentimentais e/ou de exploração da vida íntima dos participantes.

Pode-se afirmar que, para o bem e para o mal, a televisão é um verdadeiro fenómeno de popularidade e de audiência, porque ela acciona, simultaneamente, dois importantes órgãos dos sentidos: visão e audição, proporcionando alguma interactividade aos telespectadores.

Por outro lado, trata-se de um meio de comunicação social que invade, naturalmente com a conivência do telespectador, a privacidade mais recôndita e íntima da alcova conjugal, na medida em que é possível dispor-se do respectivo equipamento em quaisquer locais das casas, inclusive no quarto.

Na perspectiva histórica, existem algumas dificuldades em localizar-se com rigor a data a que corresponde a invenção da televisão, muito embora a sua utilização prática tenha estado desde sempre dependente da assimilação de várias novidades técnicas e de numerosas tentativas parciais e limitadas.

Ainda assim, e sem prejuízo de outras indicações mais fundamentadas, o primeiro aparelho de recepção de imagens teria sido construído em França em 1928 (curiosamente no ano da grande crise económica mundial), com base em experiências que remontam ao século XIX. Em Novembro de 1936 efectuou-se a primeira emissão televisiva pública na Inglaterra, data a partir da qual praticamente se generalizou a expansão da televisão, com um interregno correspondente à segunda guerra mundial.

As emissões regulares de televisão em Portugal iniciam-se em 1957/58 através da então única estação: Radiotelevisão Portuguesa que na época apenas cobria uma pequena parte do território nacional, aumentando a cobertura com o decorrer do tempo, sendo certo que, actualmente, é possível beneficiar-se deste poderoso meio de comunicação em qualquer recanto do território nacional. Através dos canais internacionais pode-se assistir aos programas de televisão portuguesa, praticamente em qualquer país do mundo.

É notória a luta pelas audiências. Actualmente as estações de televisão desenvolvem grandes esforços no sentido de se dotarem de melhores equipamentos, dos melhores técnicos, dos programas mais apelativos e de todos os recursos financeiros que lhes permitam chegar o mais longe possível e ao maior número de telespectadores.

A tudo isto acresce a necessidade de salvaguardar importantes interesses ao nível das experiências associativas entre estações de televisão, relativamente aos respectivos filiados e público em geral.

A televisão suscita uma grande apetência pelo seu controle e domínio, não só por parte do poder instituído, como também pela iniciativa privada representada nos poderosos grupos económicos, políticos, ideológicos, religiosos e até profissionais, porquanto ela interfere profundamente na vida quotidiana de cada pessoa, de cada família e junto da sociedade em geral.

Considera-se que seria extremamente nocivo que apenas houvesse a televisão estatal, tipo monopólio, até porque é bem conhecida a influência que a televisão, tal como os restantes meios de comunicação social, exerce sobre a opinião pública: "Mais comummente, os seus efeitos reconhecem-se no comportamento tanto dos grupos como dos indivíduos. Assumem particular importância os programas de informação e distracção, dimensões fundamentais de participação Sócio-Cultural que uma adequada política colectiva pode implementar. " (ALVES: 1983: 1035)

Quando se refere que os meios de comunicação social em geral, e a televisão em particular, exercem profunda influência nos indivíduos, grupos, sociedades, ou seja, na opinião pública, pretende-se significar que, em princípio ninguém fica indiferente a uma notícia de grande impacto mundial, ( ) assim como qualquer pessoa reage a uma notícia relacionada com o aumento dos impostos; todo o cidadão aprecia bons programas, no sentido em que vão ao encontro das suas preferências, reagindo de forma contrária quando tais programas lhes são desagradáveis. Por isso se criticam certos programas televisivos que ofendem uma determinada cultura, religião, sentimentos, valores e princípios que a maioria defende. Em parte, cabe ao telespectador a responsabilidade de assistir a tais programas.

Esta situação, no que concerne à televisão estatal, quando desrespeita os direitos dos cidadãos, é tanto mais grave quando os meios utilizados são públicos. São necessárias regras bem claras, bem rigorosas e dissuasoras para eventuais prevaricadores.

Quaisquer que sejam os meios, as situações, os intervenientes e os objectivos, não se pode, ingenuamente, ignorar que: "Em primeiro lugar, é bom lembrar que a média reproduz e reforça as ideologias, reflecte os interesses do sistema no qual está inserida, veicula os valores e normas de conduta da classe dominante (…) Por outro lado, seria simplista demais imaginar que essa influência se exerce maciçamente, de forma mecânica, não restando às pessoas nenhuma possibilidade de reacção" (ARANHA, 1996: 68)

Apesar do poder que de facto os meios de comunicação social hoje em dia detêm, ainda é possível recusar certo tipo de programas, de artigos e de interventores, porque cada vez há mais facilidade em seleccionar o que realmente interessa.

O problema consiste em definir quais os temas que agradam mais, num determinado quadro Sócio-Cultural e se se está minimamente preparado para assumir a critica construtiva, num tempo e num espaço de plena cidadania, porque não se podem ignorar aspectos e elementos fundamentais na comunicação de massas, desde logo o papel do jornalista, do direito à informação, do acesso às fontes.

Bibliografia
ALVES, Aníbal, (1983). Comunicação Social (Meios de), in Polis Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado, Antropologia, Direito, Economia e Ciência Política, Lisboa/S. Paulo: Verbo, Vol. 1, Col. 1035.
ARANHA, Maria Lúcia Arruda, (1996). Filosofia da Educação. 2a Ed. São Paulo: Moderna
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2002). "Silvestre Pinheiro Ferreira: Paladino dos Direitos Humanos no Espaço Luso-Brasileiro" Dissertação de Mestrado, Braga: Universidade do Minho, Lisboa: Biblioteca Nacional, CDU: 1Ferreira, Silvestre Pinheiro (043), 342.7 (043). (Publicada em artigos, 2008, www.caminha2000.com in "Jornal Digital "Caminha2000 - link Tribuna/Cidadania");
BARTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2009). Filosofia Social e Política, Especialização: Cidadania Luso-Brasileira, Direitos Humanos e Relações Interpessoais, Tese de Doutoramento, Bahia/Brasil: FATECTA - Faculdade