Os assaltos foram constantes
Anos a fio, de roubo e gatunice,
Agora sopram ventos horripilantes,
Estamos perdidos com tanta burlice.
Quem fala verdade do alto do cadeirão,
Aquele que não teme, nem espera obter galardões,
Mas quem neste mundo aonde arruaça e domina o gavião,
Tentara pôr termo ao dominio desavergonhado de tantos ladrões.
Fingem por palavra, mascarados, na justiça, na verdade,
Tentando assovinhar, tudo, todos, em nome da propria lei,
Mentindo sem papas na lingua e consciência assopeada,
Manipulam o pobre em nome da patria e da lusa grei.
Herois do mar, nação candida e imortal,
Fôste o berço de génios e livres protonautas,
Que descobriram um mundo de terras sem igual,
E se quedam agora na disputa de riquezas faustas.
CAMINHA
Caminha, berço de heróis, caravela.
Caminha , maré de cima, altaneira.
Caminha, rosto de sóis, marinheira.
Caminha, um poema, uma aguarela!
Caminha, sonho de luar.
Caminha, riso de mulher.
Os beijos que eu te der,
meu amor, não os vás contar!...
Caminha, Terra d´encanto,
que os poetas vêm cantar.
Rio Minho, suave pranto,
das saudades que leva ao mar!
És duquesa, oculta mágoa,
transparece a doce bruma.
Santa Tecla, abraço d´agua,
vestida de renda espuma.
Caminha, Vila sem par.
Serra dÀrga por teu docel.
Rio Minho, o teu batel.
CAMINHA NOIVA DO MAR!
( Poema do livro RETALHOS DO ALTO MINHO,
do Dr. Francisco Sampaio)