![]() Jornal Digital Regional Nº 574: 11/17 Fev 12
(Semanal - Sábados) |
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MINISTÉRIO PÚBLICO ABRIU INQUÉRITO CONTRA JÚLIA PAULA NO CASO "ANTONIETA" Ofendida deixa cair "enredo quixotesco"
O Ministério Público (MP) abriu um processo de inquérito contra a cidadã Júlia Paula Costa, por causa das acusações proferidas na Assembleia Municipal de 9 de Dezembro, a propósito do caso "Antonieta". Tal como o C@2000 previu, a Polícia Judiciária (PJ) assumiu a exposição da visada como queixa-crime e terá retirado várias ilações. Contactada pelo nosso jornal, a ex-assessora confirmou ter sido notificada na qualidade de "ofendida", mas adiantou que não vai dar continuidade ao processo, porque não é esse o seu objectivo e não quer perder "nem mais um minuto com enredos quixotescos". Uma leitura mais atenta dos desenvolvimentos e a consulta de especialistas na área jurídica permitiu-nos então antecipar que a exposição enviada à Polícia Judiciária de Braga, escassos dias sobre o episódio da Assembleia Municipal, poderia, por si só, assumir a forma de queixa-crime, estando em causa um provável crime de difamação, agravado nos termos da lei, pelas acusações terem sido proferidas numa sessão pública e perante jornalistas. A análise do C@2000 estava correcta e assim aconteceu, embora seja de admitir que, quer da exposição em si, quer dos documentos que a acompanharam, foram retiradas outras consequências, até por causa das investigações que a Polícia Judiciária de Braga tem em aberto sobre a Câmara de Caminha e membros do seu Executivo.
"Os meus objectivos foram alcançados" A ex-assessora confirmou a abertura do inquérito, ainda no mês de Janeiro: "É verdade. Um dia cheguei a casa, ao princípio da tarde, e tinha o aviso do Tribunal de Caminha. Levantei a carta e passei o resto da tarde a falar com o meu advogado e a juntar documents. No final desse dia tinha a convicção clara de que não queria ir por esse caminho, de que tinha perdido, mais uma vez, várias horas com um disparate. Não tenciono perder nem mais um minuto com enredos quixotescos, a minha vida rege-se por outros valores e por outras prioridades. Nem as pessoas nem os assuntos em questão merecem a minha atenção, para além daquilo que já aconteceu". A responsável admite que o primeiro impulso, porém, foi avançar com o processo, mas diz que prevaleceu "o bom senso". O caso, aliás, não está fechado, segundo apurámos. No entanto, nesta fase, tratando-se de um crime de natureza particular, teria a visada de se constituir como assistente. A "ofendida" disse ainda ao C@2000 que nunca teve a intenção de transformar este assunto num caso pessoal, "senão teria logo formalizado a queixa-crime no DIAP do Porto, que fica muito próximo da minha casa e do escritório do meu advogado. O meu contacto com a PJ tinha outros objectivos e considero que foram todos alcançados, não tenho qualquer dúvida disso. Por mim, este episódio ridículo está encerrado. Não tenho tempo nem paciência para histórias dessas".
PJ deverá chamar a assessora como testemunha Pelo menos para já, Júlia Paula escapa à circunstância de ser, mais uma vez, constituída arguida. Isso aconteceria automaticamente, caso a ex-assessora decidisse dar continuidade ao processo. Os cofres da Câmara de Caminha ficam também a salvo de mais um "rombo", por enquanto pelo menos. No entanto, as investigações do C@2000 permitem concluir que a PJ está a trabalhar afincadamente em Caminha, em vários processos. A antiga assessora nunca quis divulgar o conteúdo da exposição enviada à PJ, mas é fácil adivinhar que, quer a carta em si quer os documentos que a acompanharam, podem ir ao encontro de outras investigações e é quase certo que a queixosa vai ser chamada na qualidade de testemunha: "É possível. Logo se vê. Se isso acontecer responderei ao que me for perguntado de forma honesta e verdadeira - não pode ser de outra maneira. Não ia encobrir nada nem ninguém, nem podia truncar documentos. Não fui eu quem despoletou este assunto. Enviei à Polícia Judiciária o que entendi que seria útil no caso em questão. Estou completamente tranquila e à vontade, aconteça o que acontecer", comenta. Recorde-se que Júlia Paula tinha dito, na mesma Assembleia Municipal de 9 de Dezembro, que ela própria tinha feito uma queixa à PJ a propósito das mensagens da "Maria Antonieta". "Pois, parece que disse que fez, mas sobre isso não sei nada, nem fui, até ao momento, contactada por ninguém nesse sentido", garantiu a ex-assessora ao C@2000.
"Há mais vida para além dos folhetins" O C@2000 quis ainda saber da professora universitária se o provável arquivamento do inquérito contra Júlia Paula significa que decidiu perdoar-lhe, mas a resposta foi, pelo menos, enigmática: "Não tenho a menor intenção em fazer passar a imagem da boazinha. A decisão que tomei foi a que mais me convém a mim. Já lhe disse, não tenho tempo nem paciência para esses enredos que metem personagens imaginárias e virtuais e ocupam mais espaço na vida das pessoas do que é suposto. Há mais vida para além dos folhetins". E rematou: "Julgo que a minha resposta foi suficientemente forte e equilibrada. Faria tudo outra vez, da mesma forma. Ir mais longe, ocupar os tribunais durante meses ou anos, perder mais tempo, alimentar polémicas estéreis, para ir hipoteticamente buscar uma indemnização, já seria desgaste excessivo. Tenho de me concentrar no que é importante e essas coisas, como lhe disse, não merecem o meu tempo. Agora, não se trata de perdoar ou de não perdoar. Aliás, esse verbo nem faz muito parte do meu vocabulário".
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