Jornal Digital Regional
Nº 574: 11/17 Fev 12
(Semanal - Sábados)






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Livro "Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"

Uma obra que correspondeu às expectativas

Se do Coura se "fabricou" a luz com que a partir de 1911 a Empresa Hidroeléctrica do Coura iluminou metade dos municípios do Alto Minho, com a publicação do livro "Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)", da autoria do professor e historiador Paulo Torres Bento, uma outra claridade veio permitir que uma parte importante da história da região na primeira metade do século passado não permanecesse esquecida ou se perdesse para sempre com o correr dos anos.

Centrada no pioneirismo e arrojo de uma família caminhense que soube interpretar na sua época o desenvolvimento previsível de uma nova era que iria "iluminar" de forma bem diferente e poderosa as sociedades futuras, o conteúdo deste livro foi objecto de um resumo a cargo do autor no acto de apresentação que decorreu no passado dia 4 (dois dias depois de se cumprirem 100 Anos da inauguração da luz pública em Caminha), na sala de conferências do Hotel Porta do Sol.

Paulo Torres Bento não pretendeu que as suas palavras se transformassem em "mais uma aula" de História, mas, independentemente de todos os pormenores que rodearam a compilação de dados, fotografias, pesquisas, concepção e grafismo (muito elogiado o trabalho de design de Carlos da Torre) por parte do autor, a sua descrição cativou os presentes, a exemplo do que já tinha sucedido com trabalhos anteriores editados igualmente pelo C@2000 ou pelo Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense e Junta de Freguesa de Vilar de Mouros, além de outras publicações exteriores ao concelho de Caminha.

O autor não esqueceu a contribuição de diferentes pessoas que trabalharam para a empresa através dos seus "depoimentos pessoais", bem como de familiares descendentes dos Lourenço da Cunha fundadores da mesma, com destaque para o Dr. Damião Cunha. Desta forma a história de uma empresa caminhense tornou-se uma realidade consistente, ao ser impressa e colocada ao dispor de todos.

Os dados (inéditos para a esmagadora maioria dos presentes) lançados através deste livro, suscitarão curiosidade em todo o Alto-Minho, nomeadamente nos concelhos servidos de electricidade desde a central de Covas, no rio Coura, casos de Caminha (naturalmente, em cuja vila, sede do concelho, funcionava a sede da firma), Viana do Castelo, Ponte de Lima, Vila Nova de Cerveira e Paredes de Coura, municípios estes com particular destaque nas quase 200 páginas que o compõem, ilustrado por inúmeras fotografias e reproduções de artigos dos jornais dessas épocas.

As peripécias que rodearam o fornecimento de energia às distintas freguesias do concelho de Caminha e outros cinco municípios, os contornos políticos deste empreendimento fruto da persistência dos Lourenço da Cunha, as resistências encontradas à introdução da nova energia, ou a ansiedade com que autarquias e populações encaravam (ou exigiam) a chegada rápida da então designada "luz do progresso", e protestavam, depois, quando ela falhava pelos mais variados motivos, preenchem este trabalho inédito em termos de concepção, pelo menos em todo o Minho.

A co-edição deste livro a cargo das Edições Afrontamento e C@2000, com apoio da Fundação EDP através do seu programa Livros com Energia (por alguma razão esta trabalho de Paulo Torres Bento foi um dos seleccionados pelo júri), como Paulo Bento salientou no final da sua apresentação, poderá ainda servir - para além do conhecimento da história de sucesso desta empresa caminhense no passado", que desde a vila de Caminha "serviu toda a região" -, para que venha a tornar-se um "exemplo para os jovens de hoje..."

Fotografias Colaboração António Garrido

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