![]() Jornal Digital Regional Nº 545: 25 Jun a 1 Jul 11
(Semanal - Sábados) |
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Vila Praia de Âncora Festa da Sardinha e do Mar ultrapassou expectativas da organização
"Já assei milhares de sardinhas", contou-nos Damião Verde, um ancorense que montou um restaurante ("A Jacinta") com sua família propositadamente para esta festa gastronómica, quando ela ainda ia a meio. Sardinha assada com pimentos é o prato forte do certame que termina no próximo Domingo, mas "também nos pedem polvo grelhado (espetada de polvo) e panados" deste produto do mar, referiu-nos este antigo pescador que já aposta na feira há três anos consecutivos, razão que o levou agora a "tirar férias para isto".
Este funcionário camarário acentuou a importância económica da feira "para a terra", atrevendo-se, por isso, a pedir mais iniciativas semelhantes.
Ao avaliar o paladar da sardinha, Damião Verde referiu-nos que "tem vindo a melhorar" desde que a feira abriu no passado dia 17, embora ela tenha falhado, havendo barcos que, na alvorada, apenas trazem para terra um quarteirão, valendo a pesca dos barcos maiores que conseguem garantir praticamente as necessidades de consumo.
Há quem prefira as sardinhas grandes, mas este restaurador improvisado durante a Festa do Mar da sua terra considera-o um erro. "As melhores são as médias", assegurou convictamente.
Como resultado do sucesso da iniciativa que já vai na sua quarta edição, Damião Verde tem recebido imensas felicitações de clientes do seu restaurante, como "ainda sucedeu hoje em que um grupo do Porto veio cá festejar o aniversário de um deles e vieram dar-me os parabéns".
Bolos de sardinha, licores, compotas…
O evento abarca todo o tipo de produtos do mar, resultando que as especialidades se multiplicam. É o caso do Café Central e Pastelaria Docelândia que viram confirmada no ano passado a "novidade" apresentada na feira, embora a sua especialidade já fosse confeccionada havia algum tempo, mas faltava-lhe o lançamento que esta iniciativa gastronómica lhe proporcionou: A petinga ou sardinha doce. Sardinha pequena (petinga) ou média num bolo de massa folhada, ovo e chila e amêndoa cajú torrada por cima, é a sobremesa por excelência da Festa da Sardinha e do Mar, "embora muitos optem por levar encomendas consigo", garante Margarida Sousa, funcionária do Café Central.
Mas há quem aproveite o momento para lançar os seus licores e compotas à base de várias frutas e chocolate que produzem em casa, aos fins-de-semana, conforme referiu ao C@2000 a ancorense Daniela Amorim.
Outros artesãos e comerciantes aproveitaram igualmente estes dias para promoverem os seus negócios no interior e fora da tenda gigante (90X20 metros) que acolhe 800 pessoas sentadas à mesa, como nos indicou Agostinho Gomes, da Âncoraeventos, produtora da Festa da Sardinha e Produtos do Mar, em conjunto com a Câmara de Caminha.
"Sabe a mar"
Agostinho Gomes confirmou o sucesso do evento, dado que o número de visitantes "está acima da média a meio da festa", resultando ainda que o primeiro fim-de-semana foi "surpreendente", declarou.
Todas as noites, ao longo da semana, se registaram números elevados de visitantes, levando-o a aguardar com expectativas redobradas o final de festa que coincidiu com o feriado do Corpo de Deus e de S. João nas cidades de Porto e Braga.
Tal como tinha afirmado o pescador ouvido pelo C@2000, Agostinho Gomes reconfirmou a progressiva qualidade da sardinha à medida que os dias avançaram, possuindo já mais gordura e "sabe a mar", sublinhou.
Surpreendeu-o ainda o elevado número de turistas galegos, a par de franceses e ingleses que já se encontram de férias na região, e, naturalmente, os habitantes do concelho e portugueses das diferentes geografias nacionais que constituem o grosso dos apreciadores da sardinha.
"Homens de fé"
Já vem sendo hábito que dois funcionários camarários (Carlos Castro e Carlos Vilas Boas) surpreendam os visitantes dos diferentes eventos que se realizam no concelho de Caminha, com as suas exposições de índole etnográfica ou religiosa, como foi a opção para esta Festa da Sardinha e do Mar
As procissões da Senhora da Bonança e a Naval da Senhora da Ínsua constituem o cerne desta mostra montada ao fundo da tenda.
"Houve sempre imensa gente durante o primeiro fim-de-semana" visitando a exposição, anotou Carlos Castro, revelando que muitas maquetas, fotos e outros objectos são fruto de recolhas feitas por ambos, o que permitiu esta mostra, a que se juntaram andores utilizados nas duas procissões.
Este encarregado do serviço de obras camarário enfatizou o interesse suscitado junto dos visitantes os barcos com a imagem da própria Senhora da Ínsua e o andor (em forma de barco) adornado com as decorações habituais a cargo da Família Sales, de Riba d'Âncora.
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