Mais de uma centena de casas das freguesias de Seixas e Lanhelas foram afectadas por uma alta de tensão que subiu de 220 para 380 volts, pelas 10 horas da manhã da passada Segunda-feira, causando prejuízos elevadíssimos em diversos equipamentos e que os moradores se encontram ainda a quantificar.
O problema terá surgido num posto de transformação público da EDP, localizado no lugar da Rabusca, e que a empresa classificou como uma "avaria", sem precisar os motivos.
As reclamações vêm sendo apresentadas à EDP, à medida que os afectados reúnem os dados dos prejuízos registados em electrodomésticos, equipamentos informáticos, máquinas, etc.
Os lugares de S. Sebastião e Rabusca, a norte de Seixas, densamente povoados, e o caminho de Rabadas, em Lanhelas, abastecidos pelo PT, receberam o impacto maior da subida e tensão.
Alarme começou a soar sem motivo
Segundo relatou um morador de S. Sebastião, junto do rio Minho, desde a uma hora da madrugada que o sistema de alarme da sua habitação começou a disparar sem que houvesse algum motivo justificativo, recomeçando a soar, sempre o desligava. De manhã, constatou que a caldeira do aquecimento estava avariada.
Num vizinho, por altura do pico da corrente, "as lâmpadas começaram a fazer faísca e a rebentar, sentindo-se um cheiro a queimado" proveniente dos três televisores e equipamentos acoplados, frigorífico, aspirador e microondas.
Maria José Machado, moradora na Rabusca, ao chegar a casa às cinco da tarde deparou com a máquina de lavar a roupa "a trabalhar em seco", sem que a tivesse ligado, além de verificar que mais equipamentos (microondas e televisão) se encontravam avariados, sendo forçada a pedir ajuda a um familiar porque o portão automático da garagem também não funcionava.
"Como é que vou investir de imediato tanto dinheiro para substituir os aparelhos danificados, nomeadamente a máquina de lavar que faz imensa falta?", interrogava-se esta mãe de dois filhos, ainda perplexa com o que lhe tinha sucedido.
Na residencial O Forno, situada em S. Sebastião, José Carlos Maia, proprietário, referiu-nos que "fiquei sem oito televisores, dois computadores, impressoras, máquina de lavar, etc. "Estourou tudo, foi um susto enorme", disse-nos este industrial de hotelaria que estima o prejuízo acima dos dois mil euros, além de estar impossibilitado de exercer a sua actividade diária.
"Foi instantâneo e não deu hipóteses de fazer nada", lamentou-se Américo Rodrigues Alves, morador no bairro da Rabusca. Ficou sem três televisores, caldeira da cozinha, máquina de lavar, DVDs, aparelhos para a televisão digital terrestre, além de outros equipamentos. Adiantou que "só para a placa da caldeira são 400€, mais uns 600€ para a reparar e, se não tiver conserto, não me chegam 1.200€ para comprar uma nova".
Na sua opinião, "a corrente eléctrica entrou pelo neutro e não pelo positivo", causando a subida de tensão e os consequentes estragos.
Há também relatos de avarias em máquinas de obras em Seixas e Lanhelas (caminho da Rabada), e em prédios junto à EN 13, nesta última feguesia.