TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor

Sinceramente, é com bastante mágoa que me sinto na obrigação de retomar um assunto que bem preferia esquecer, só que a minha consciência e sentido de (in)justiça não mo permitem, é superior às minhas forças. Que hei-de fazer?... Vou tentar ser o mais breve possível, limitar-me aos factos e ao essencial.
Em todos os quatro anos do mandato anterior a Câmara Municipal só fez transferência de competências e verbas para as juntas (pelo menos para Vilar de Mouros) no âmbito de protocolos acordados para as limpezas de bermas e valetas municipais das freguesias. As verbas a transferir para cada uma eram decididas unilateralmente pelo município, sem as juntas serem, sequer, ouvidas (pelo menos Vilar de Mouros). A fatia do bolo que nos foi "presenteada" foi, sempre, bem inferior à de outras freguesias com áreas territoriais, número de moradias, de habitantes ou extensões de estradas e caminhos semelhantes ou mesmo bem inferiores à nossa. Só a título de exemplo e reportando-me apenas aos dois últimos anos de mandato, 2008 e 2009:
- a Venade, com sensivelmente o mesmo número de residentes, famílias e alojamentos que Vilar de Mouros, mas com pouco mais de metade da área (Vilar de Mouros 1 037 ha e Venade 591 ha) foram-lhe atribuídos, em 2008, € 15 000,00 e em 2009 € 15 372,00;
- a Dem, com pouco mais de metade de residentes, bem menos de metade de famílias e alojamentos e pouco mais de metade de área (643 ha) foram-lhe atribuídos, em 2008 e 2009 tanto como a Venade;

- a Vilar de Mouros foram-lhe atribuídos € 9 000,00 em 2008 e € 9 228,00 em 2009!
A Junta de Vilar de Mouros, sentindo-se injustiçada pediu, por várias vezes e todos os anos, quer verbalmente quer por escrito, ao executivo camarário que, ao menos, dialogasse consigo e ouvisse as suas razões antes de tomar uma decisão definitiva sobre o montante a atribuir. Nem uma resposta nem uma satisfação aos seus pedidos.

Como é evidente e dados os antecedentes, havia alguma expectativa sobre o que iria acontecer em 2010, agora com uma junta "amiga". E então? Então, a Câmara, em vez dos habituais protocolos autárquicos que, obrigatoriamente, precisavam de ratificação em sede de Assembleia de Freguesia antes de entrarem em vigor e, em consequência, teriam de ser dados a conhecer ao público em geral logo no início do ano e do novo mandato, optou por uma solução que conseguiu passar bem mais despercebida em relação à necessidade imperiosa de não poder continuar a prejudicar Vilar de Mouros como até aqui! Assim, em reunião do seu executivo de 03 de Fevereiro decidiu que, devido à ( e passo a citar) "exiguidade de recursos que são transferidos da Administração Central para as Freguesias…este município deverá conceder um apoio monetário…". Espertinhos, hein? Eu, como outros vilarmourenses, só tivemos conhecimento desta decisão "magnânime" da Câmara na Assembleia de Freguesia realizada em finais de Julho, por informação da Sra Presidente de Junta em resposta a uma pergunta de um delegado da CDU. É que, como se sabe, as pessoas não estão habituadas a consultar as actas das reuniões de câmara. Eu vou tentar estar mais atento no futuro.
E agora vem a pergunta chave: mas então, qual o apoio a conceder a Vilar de Mouros, em comparação com Venade e Dem? Pouco mais de metade…pensarão os ingénuos! Como é evidente, enganam-se! Agora o apoio monetário nem sequer é igual, é SUPERIOR!
E isso é mau? Não, é óptimo, só que SEMPRE DEVERIA TER SIDO ASSIM, O QUE PROVA COMO NÓS TÍNHAMOS RAZÃO!
- Vilar de Mouros - € 15.900,99 (a receber um duodécimo por mês)
-Venade €14.423,89
- Dem - € 14.266,28
Claro que continua a ser pouco mas o que está aqui em causa não são valores absolutos mas valores relativos: Venade e Dem até desceram, Vilar de Mouros quase duplicou! Já quanto aos resultados obtidos, no terreno, com este substancial reforço de verbas, prefiro não me pronunciar. O que é, para mim, neste momento, importante realçar é que aquilo que o executivo camarário anterior (e, além da presidente, mantêm-se dois dos três vereadores) fez com Vilar de Mouros é simplesmente repugnante, revoltante, de uma sacanice política inadmissível. E não me venham dizer que isso aconteceu porque Câmara e Junta estavam de costas voltadas. A Junta sempre tentou o entendimento, sendo desprezada pela Câmara que, essa sim, lhe voltou as costas, nem respondendo, por várias vezes, às cartas que lhe eram enviadas, prejudicando, por tabela, toda uma freguesia. E isso não só não é correcto como devia ser motivo, se vivêssemos num país a sério, para ser mandado para casa quem não sabe mandar na casa que é, ou devia ser, de todos nós.
Para os que ainda não leram ou já não se recordam, aqui vai um bocadinho (a intenção é simplesmente pedagógica…), da Constituição da República Portuguesa:
Art.13º
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual (negrito e sublinhado meus).
Só para terminar gostaria de propor a todos os caminhenses e, muito em particular, aos vilarmourenses, dos vários quadrantes políticos, que façam um pequeno esforço de reflexão e respondam (baixinho, cada um para si…não vá o diabo tecê-las) a esta questão muito simples:
- Acham bem este tipo de comportamentos como o que o executivo camarário de Caminha teve?
Se houver alguém a responder afirmativamente, por favor, ao menos seja coerente e nunca mais diga mal dos políticos que temos, por pior que sejam, já que não merece melhor!
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Vila Praia de Âncora, a eterna "Princesa do Âncora", teve, durante muitos anos, na Travessa do Teatro, uma passagem de nível que permitia a livre circulação de pessoas que, sobretudo no Verão, se deslocavam, com as crianças, para a praia e para o jardim, junto ao rio. Essa passagem de nível, permitia também o fácil acesso às várias superfícies comerciais da vila existentes na via principal, possibilitando ao comércio local um maior volume de vendas, tão necessário á sobrevivência destas pequenas empresas. Tudo "corria sobre rodas", até ao dia em que," alguém de direito"… mandou encerrar a referida passagem de nível.
Como é lógico, a população de Vila Praia de Ancora não aceitou este encerramento e como diz o ditado" quem não se sente não é filho de boa gente"e logo arranjou maneira de abrir a referida passagem. Depois assistiu-se a um triste espectáculo de ora abria-se a passagem, ora fechava-se a passagem , até que um dia a entidade responsável do caminho de ferro decidiu construir, em vez de grades metálicas, um muro em cimento armado, à prova de bala, um muro a que eu chamo o Muro da Vergonha".
É que, caro leitor, quem não souber os antecedentes daquela passagem de nível , perguntará, com certa lógica, porque há grades metálicas e ali, na Travessa do Teatro, um muro, bastante alto e largo, em cimento armado , a dizer aos naturais e aos visitantes que ali, ninguém passa… E, se alguém, tiver a coragem de o tentar derrubar, tenho a impressão que levaria bastantes meses a executa a obra!
Creio que já e tempo de as entidades competentes se sentarem a uma mesa e resolverem este grave problema desta passagem de nível, quer construindo uma passagem aérea ou ou uma passagem, subterrânea. Estou convencido que, hoje em dia, há empresas, no nosso País com tecnologia capaz de executarem este tipo de obras, de modo a satisfazer as pessoas que diáriamente têm de ali passar, evitando , ao mesmo tempo, males maiores às pessoas que ali têm as suas habitações. Salvo melhor opinião, a continuar assim, além, de dar um mau aspecto, está a prejudicar e de que maneira os interesses de Vila Praia de Ancora.
Antes de escrever esta artigo de opinião, tive o cuidado de falar com alguns comerciantes daquela zona. Todos foram unânimes em afirmar que, desde que a passagem de nível foi fechada com aquele muro de cimento, a clientela diminuiu e portanto, estão a vender muito menos.
Espero, pois, que, muito em breve, este muro da vergonha, seja substituído por uma passagem definitiva para ao peões. Se houver vontade política, como houve para derrubar o muro de Berlim, também, um dia, o muro da Travessa do Teatro, será derrubado e Vila Praia de Âncora será ainda melhor, como Terra de Turismo. Para isso, na minha opinião, é preciso que todas as forças políticas do concelho de Caminha dêem as mãos, esqueçam as suas opções políticas e resolvam os problemas desta "Princesa do Âncora", abençoada por Deus e pela Natureza. Se o fizerem, darão uma lição a alguns políticos que governam este País, que , continuam a pensar que Portugal é só Lisboa e o resto, bem o resto, são "uma reserva", onde vive, com dificuldades, a maioria dos portugueses.
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