Centenas de manifestantes acudiram à Praça da República no final da tarde do passado dia 14, correspondendo ao apelo da comissão de utentes criada no âmbito da Assembleia de Freguesia, manifestando dessa forma o seu desagrado pelo eventual encerramento da passagem de nível pedonal da Travessa do Teatro.
Depois da concentração, cruzaram a passagem de nível em sinal de desafio à Refer, com a qual os moradores e comerciantes mantêm há mais de um ano um diferendo pela manutenção da travessia pedonal.
Aviso ao Governo
O comércio local encerrou as portas a partir das seis da tarde e a população juntou-se na Praça da República, seguida de um desfile até à passagem de nível que pretendem aberta porque "jamais a vila ficará dividida por uma linha de caminho de ferro", avisou Manuel Marques, presidente da Junta.
O autarca ancorense, no decorrer das intervenções orais, exigiu a reabertura "com todas as garantias de segurança", conforme já fizeram questão de manifestar por diversos ofícios remetidos à Refer, partidos com assento na Assembleia da República, Governo Civil e secretário de Estado das Comunicações.
Este orador prometeu que "a vila jamais ficará dividida por uma linha de caminho de ferro", aproveitando a ocasião para avisar o Governo que "tenha cuidado com os decretos-lei que aprova".
Parafraseando alguns cartazes que manifestantes empunhavam, Marques referiu que "queremos Vila Praia de Âncora sem muros" ou "queremos passar livremente", acabando por manifestar esperança aos presentes porque acredita na vitória deste braço de ferro com a companhia ferroviária, sem necessidade de "amesquinhar ninguém", reconheceu.
Prometidas mais acções
Se esta acção não resultar, "não ficaremos por aqui", prometeu José Ramos, presidente da Associação Comercial (ACIVAC), anunciando "mais manifestações, abaixo-assinados", a par de contactos com as entidades envolvidas neste processo, casos da própria empresa, Governo Civil, deputados do distrito e Câmara Municipal, como salientou ainda José Presa, presidente da Assembleia de Freguesia, responsável pela concretização das decisões da reunião mantida pela AF com os moradores no final de Julho.
"Ela sempre existiu"
Este autarca ancorense precisou que "não estamos a falar de uma nova passagem de nível, porque o que se passa", adiantou, "é que esta sempre existiu".
Como alternativa, encara a hipótese de construção de uma passagem de nível superior, descartando a hipótese da inferior dada a dificuldade em implementá-la, embora remetendo a decisão da opção a tomar para a Refer e Câmara Municipal.
A Refer escuda-se num decreto-lei que prevê a eliminação de passagens de nível, incluindo esta que é considerada pela população como essencial ao comércio, pelo que o seu encerramento poderá acarretar "o fecho de várias lojas já no próximo Inverno, passando a abrir apenas no verão", referiu-nos César Lomba, comerciante e um dos membros da comissão de utentes responsável pela convocação do acto público.
"Agora é um beco!"
"Era a Trav. do Teatro e agora é um beco", lamentava-se Odete Pacheco, de 76 anos, residente junto a ela desde que nasceu, quando ainda lá passavam carros e "as crianças brincavam sem que tivesse havido algum acidente", afirmou.
Aí nasceram quatro filhos
Inácia Ribeiro, de 86 anos, viveu mais de 60 anos na travessa, aí nasceram quatro dos seus oito filhos. Lamenta a decisão da Refer porque a ligação entre o Parque Ramos Pereira e a R. 31 de Janeiro "faz falta para o comércio e turismo", além de estabelecer a ligação com o Parque Ramos Pereira.
Os manifestantes dirigiram-se seguidamente em direcção à passagem de nível, cruzando-a, após ter sido reaberta de noite por populares uns dias antes.
Refer volta a encerrar
Contudo, a 26 deste mês, a Refer juntava mais uns baldes de cimento ao já designado "Muro da Vergonha", voltando a impedir a travessia pedonal.
-"Até quando vai durar este jogo do "gato e do rato?", questiona-se a população perante a incapacidade das entidades responsáveis em corresponder