A linha do caminho-de-ferro tem tido em Vila Praia de Âncora um efeito de constrangimento para um desenvolvimento harmonioso e equilibrado da paisagem urbana.
As ideias que têm sido apresentadas através dos tempos, relativas a essa infra-estrutura que atravessa esta Vila no sentido Nascente/Poente, têm-se limitado a alguns dos atravessamentos que essa linha originou quando da sua construção em finais do século XIX, e especialmente o da Travessa do Teatro nos últimos tempos.
Consideramos que as exigências urbanísticas têm que ser projectadas com uma visão de futuro, por quem vive em VPA e para quem faz desta terra o seu refúgio de Verão e de fins-de-semana.
A evolução desta ampla área circundante à linha da CP, desde os anos oitenta até à primeira década do século XXI, é significativa. Senão vejamos:
- construíram-se as passagens superiores no sítio da Cruz Velha e inferior na "Junqueira" à linha da CP;
- abriu-se a Avenida do Campo do Castelo que ligou o Portinho à passagem superior sobre a linha da CP;
- prolongou-se a Av. Dr. Luís Ramos Pereira sobre a zona do sapal até à Rua 31 de Janeiro;
- efectuou-se a construção de um parque de estacionamento entre a linha de CP e a extensão da via prolongada atrás referida;
- ajardinou-se o Campo do Castelo e, em área adjacente, construíram-se dois parques de estacionamento para mais de 100 viaturas;
- o Forte da Lagarteira, Monumento de Interesse Público desde 1967, que se apresenta em bom estado de conservação, teve a última intervenção em 1997;
- o Posto de Turismo está instalado anexo à praia;
- Na zona do Largo Dr. Luís Ramos Pereira foi intervencionado o parque de estacionamento;
- no passeio da Av. do Campo do Castelo, lado sul, que foi redimensionado, construiu-se uma ecovia, foi aplicado novo piso e definiram-se espaços de estacionamento;
- na área do Parque Ramos Pereira construiu-se uma área para eventos, um mais amplo e moderno parque infantil, uma ecovia, e irá ser construído um edifício de apoio a esta área.
- a Rua da Lagarteira foi redimensionada;
- a IC1 está ligada a Vila Praia através dum ramal que se estende até à EN-13 na rotunda da Cruz Velha;
- o portinho de VPA foi intervencionado, dispondo agora, além da vertente piscatória, da vertente turística, com zona de porto para as embarcações de recreio, ainda em fase de evolução;
- brevemente terá início a 2ª fase dessa obra, que irá transformar toda a área do Campo do Castelo;
- está em fase de elaboração, finalmente, o PP das Camboas que, a ser devidamente aproveitado nas vertentes turísticas vocacionadas para o turismo de todo o ano, se pode tornar numa das maiores apostas de futuro para esta Vila;
- etc.
- temos ainda a tradicional e tão concorrida festa da Senhora da Bonança, e temos uma praia cada vez mais frequentada.
Entendemos que esta área urbana, pela evolução que tem tido, a Sul e a Norte da linha da CP, e pelo movimento viário e pedonal aí existente, tem que ter uma reestruturação urbana devidamente bem elaborada.
Temos de concordar que Vila Praia de Âncora tem que se libertar ou amenizar os efeitos dum "muro invisível" que é a linha da CP.
Entendemos que esse "efeito de barreira", para ser superado, terá que passar pelo rebaixamento da linha do caminho-de-ferro, tornando essa faixa numa extensa via estruturante, onde os atravessamentos pedonais e viários possam ser objecto de estudos devidamente desenvolvidos, sem a perturbação desse "muro".
Temos de pensar na evolução dos tempos, e assim considerar que as condições que existiam em finais do século XIX, e na década de 80 do século XX, são diferentes das dos dias de hoje, e serão diferentes das que iremos encontrar daqui a uma ou mais décadas, nas diferentes perspectivas, como a urbanística, a paisagem urbana, as infra-estruturas das povoações, os equipamentos colectivos, espaços públicos de recreio e lazer, mobilidade/acessibilidades, segurança, de modo a tornar os povoamentos mais sentidos pelas suas populações e sem artificialismos.
Essa mudança de mentalidade e atitude irá dar possibilidade aos urbanistas de fazerem uma real readaptação do tecido urbano da zona Sul da EN-13 em Vila Praia de Âncora.
No PDM em vigência estão previstos diversos estudos, como podem ser: a reformulação do PDM, Plano de Urbanização, Planos de Pormenor, etc., que podem e devem ser orientados nessa perspectiva.
Esse amplo espaço urbano, uma vez libertado da linha-férrea, pode sair mais humanizado, em todos os aspectos, inclusive no aspecto de acessibilidade e mobilidade, sendo as passagens de nível que hoje nos oferecem, ser consideraras de carácter provisório e sem garantias de segurança aceitáveis.
Nessa altura poderemos ter uma ampla área pedonal virada ao Oceano Atlântico, para nosso deleite e de quem nos visita, podendo tornar-se um pólo de atracção turístico de cariz anual.
Pensamos que se podem tomar medidas para futuro, com a previsão de que as barreiras sejam derrubadas paulatinamente para se atingirem os objectivos a idealizar.
Temos de preparar o futuro da nossa terra, mesmo sonhando em algumas fases, acreditando como o poeta António Gedeão que é o sonho que comanda a vida, e quando o homem sonha o mundo pula e avança.
O futuro que desejamos tem que ser promissor, para as presentes e futuras gerações, sabendo que muitos dos sonhos de agora serão realidades belas e positivas num amanhã que não tardará.
Esta é a nossa proposta, a proposta de um urbanismo sustentado e humanizado.