Jornal Digital Regional
Nº 502: 28 Ago a 3 Set 10
(Semanal - Sábados)






Email Assinaturas Ficha Técnica Publicidade 1ª Pág.
Cultura Desporto Freguesias Óbitos Política Pescas Roteiro

Quem são os verdadeiros responsáveis pelo flagelo dos Incêndios?

Durante o mês de Julho e em dias consecutivos, testemunhei o início de "focos de incêndio". Se não fosse a pronta intervenção de um helicóptero, teriam dado possivelmente a um grande incêndio. Isto sucedeu, na freguesia de Âncora, vale do rio Âncora. Todos tinham inicio muito próximos uns dos outros, pelo que conclui, mais uma vez, que a maioria dos fogos tem mão criminosa.

Enquadramento

A floresta portuguesa pela sua importância económica, social e ambiental é um bem renová-vel, com uma enorme importância no contexto, nacional, sendo difícil pensar-se o que seria o nosso País sem esta riqueza com que a natureza nos presenteou. Mas, como muitos bens que fruímos, tal como a água, o ar, a luz e o calor do Sol, pela sua abundância e disponibilidade quase ilimitadas, não nos apercebemos da necessidade da sua preservação.

A agressão que o homem, nos últimos tempos, tem vindo a materializar em relação ao coberto florestal, é de tal natureza, que põe em risco o equilíbrio sustentado, tanto pela forma como faz a exploração dos recursos como quando lhe lança fogo.

Dada a sua fragilidade natural, perante as condições climatéricas adversas, Portugal tem assistido, no decorrer dos tempos, à sua destruição cíclica perante os incêndios florestais. Ano após ano, a área ardida vai-se ampliando, com incalculáveis prejuízos, alguns praticamente irrecuperáveis.

A ignição de incêndios

Esta é a base do problema. Escusamos de andar a incriminar possíveis proprietários, pelo abandono da floresta. Sabemos que os incêndios não são espontâneos, parece-me que a primeira coisa a fazer seria, cadastrar e prender os possíveis incendiários e analisando as motivações que os levam a realizar tais actos. Assim, parece-me que a primeira coisa a fazer seria encontrar uma politica de prevenção, que analisasse os Interesse económico pessoais - que levaram o incendiário ou mandante a pensar que o seu acto tem algum interesse porque considera que:
- queimando o terreno do vizinho pode proteger a sua própria propriedade ou
- que queimando, os pastos vão melhorar.
- ou para após o incêndio pedirem viabilidade de construção para o terreno.

Também deviam analisar quais os interesses económicos indirectos que os incêndios podem dar origem, como por exemplo, no que se refere à venda da madeira a um preço simbólico ou à desvalorização do terreno, ou até para integração numa área associativa.

Outro caso é o que se refere à satisfação pessoal, por vezes induzidos por um sentimento muito primário, mas muito vulgarizado em Portugal, a inveja, levando essas pessoas a ficarem felizes com o mal dos outros.

E, por ultimo temos o caso de pessoas com Perturbações mentais que lhes dá prazer criar incêndios.

Também encontramos o incendiário passivo, no qual incluímos alguns condutores de viaturas e seus acompanhantes, que fumam e cuja falta de civismo e inconsciência os leva a lançar os restos de cigarros pela janela fora.

Quem circula em estradas de outros países depara com sarjas a alertar para a proibição de deitar qualquer tipo de lixo pelas janelas, referindo o valor das coimas, que vulgarmente são pesadas, no caso de contrariarem a legislação existente.

Tendo em conta que fumar num carro é mais perigoso que atender um telemóvel, parece-me que o condutor devia ser proibido de o fazer.

Nesta época do ano, e nas condições que a natureza apresenta, devia ser proibido lançar foguetes, fazer piqueniques com fogueiras ou mesmo fumar nas imediações da floresta, ou de locais que apresentassem perigosidade de incêndio.

Propagação

Analisadas as causas da deflagração, segue-se a fase da propagação dos incêndios, a mais contestada, e onde se depara um grande desconhecimento da realidade.

Como esclarecimento podemos referir que o estado, através das autarquias (Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais) é o maior proprietário de terrenos florestais, e embora alguns estejam integrados em associações florestais, não são limpos, nem é feita a manutenção dos caminhos florestais.

Mas o pior de tudo, é que os responsáveis, estão constantemente a referir que os proprietários não limpam as suas propriedades, quando os caminhos florestais estão intransitáveis e quando a responsabilização da sua manutenção diz respeito ou ao governo ou às autarquias. È "assim que vai este País".

Quanto à propagação teremos de enumerar que antes dos proprietários, as autarquias (até para dar o exemplo), deviam de tratar das suas áreas florestais. Antigamente os "guardas florestais", que viviam nas casas florestais, tratavam, limpavam vigiavam áreas que lhe eram destinadas.

Nunca percebi porque é que extinguiram essa força policial, sendo posteriormente substituída pelos "guardas da natureza", cuja acção nada tem a ver com os "guardas florestais". Será que havia grandes interesses?

Durante a década de 90, do séc. passado, também houve grandes jornadas de sensibilização levado a efeito por ONGs alertando para as consequências, da monocultura do eucalipto, que como referiam, a sua exploração iria originar:

1 - O esgotamento do solo em água e nutrientes, reduzindo a recarga das águas subterrâneas, dando origem a áreas secas onde o fogo abraça e agradece a inocência da gestão errada duns tantos, que não conseguiram ter a inteligência suficiente para ver as consequências futuras, originadas pela redução da humidade ao nível do solo.

Conclusão

Considero, que os verdadeiros responsáveis, procuram a todo o custo responsabilizar, alguém pelas asneiras que têm cometido.

São aqueles, que eliminaram os "Guardas florestais" força grandes obreiros da gestão de grandes áreas, que conheciam muito bem, fiscalizando e limpando, preparavam aceiros e faziam trabalhos que iriam servir para proteger as suas instalações (moradias).

Depois foi o abandono desses locais, aí sim, podemos ver a falta de limpeza que envolve esse património nacional, muito bem documentado pelas próprias casas florestais deixadas ao abandono(que actualmente estão vandalizadas, no entanto se fossem vividas seriam protegidas e iriam proteger a área envolvente pois haveria alguma limpeza.

Os grandes culpados não ouviram as ONGs, quando falavam em ordenamento florestal e não estiveram interessados em manter uma força fiscalizadora que garantisse o acompanhamento que era dado todo o ano pelos guardas florestais?

Deixaram proliferar os interesses particulares que circulam à volta da madeira queimada?
- E os interesses da desanexação de terrenos da REN para entrar dentro do circuito imobiliário.
- Ou o comércio do equipamento de incêndios.
- Ou as empresas de aviões para apagar incêndios…

Para que este caos amenize é necessário implementar uma florestação que mantenha uma certa humidade do solo, o que obriga a um ordenamento com proliferação de uma maior floresta de folhosas porque ajudam a reposição dos lençóis freáticos e naturalmente vão reduzir o número de incêndios.

A gestão das áreas das "associações florestais", deviam ser fiscalizadas.

Por fim penso que esses responsáveis não estão a pensar em incluir nessa limpeza todo o material combustível, porque isso é humanamente e financeiramente impossível e que tenham em atenção que em termos ambientais o mato faz parte do ecossistema.

Sou quase obrigado a referir "que os coveiros deste País" não conseguem ver o que fizeram, o que estão e o que querem fazer.

O que nos leva a pensar que há interesses em desviar atenções para que tudo isto se mantenha, arranjando culpados virtuais.

J. Vasconcelos 3-08-2010