Em termos futebolísticos, poder-se-á dizer que o presidente da Assembleia de Freguesia (AF), Severino Sousa (PSD), entrou ao ataque, na tentativa de impor os tempos que cada um dos delegados dispunha para intervir no período de antes da ordem do dia - de modo a impedir que a reunião se prolongasse em demasia como sucedera na anterior, e na tentativa de "cumprir o regimento" -, mas Amílcar Almeida, eleito pelo PS contra-atacou de imediato, gerando-se desde logo o primeiro sururu da noite que se antevia agitada.
Amílcar Almeida protestou, classificou o estabelecimento dos tempos como "lei da rolha" e criticou os delegados do PSD por se terem todos inscrito para intervirem no período prévio da reunião, numa tentativa que definiu como estratégia para retirar tempo à oposição.
Por sinal, as intervenções dos eleitos pelo PSD foram curtas e incisivas, ao contrário das de Amílcar Almeida, extremamente longas e por vezes repetitivas. O que é certo é que conseguiu levar a água ao seu moinho, falando quanto quis, contribuindo assim para que o período inicial da reunião durasse quase duas horas e meia.
No meio da discussão, as picardias com o presidente da Assembleia sucediam-se, sempre que este o instava a concluir os seus raciocínios e a ser mais breve.
A questão das limpezas dos caminhos, largos e miradouros da freguesia ocuparam boa parte do tempo, levando a socialista Sandra Vieira a pedir explicações sobre os "critérios" utilizados pela Junta para proceder a esses trabalhos feito por três trabalhadores, uma vez que apenas teriam intervindo nas vias que dão acesso a Caminha e na rua da sede da Junta. Perguntou ainda à Junta se os herbicidas utilizados eram ecológicos e se tinham sido avisados os moradores, temendo que os animais pudessem ser afectados.
Na óptica de Amílcar Almeida, as valetas encontram-se cheias de entulhos e criticou a situação ao redor da Capela de S. Sebastião, a par de outras situações.
Por seu lado, Rui Valadares (PSD) pediu informações sobre competências na limpeza na estrada de acesso à Foz do Rio Minho, uma vez que não se encontrava limpa, a par de pedir uma intervenção na Trav. de Esteiro, intransitável devido às obras realizadas no hotel e encontrando-se cheia de entulho.
Albertina Pedrosa (PSD) solicitou à Junta que a informasse sobre a forma de proceder para que um vizinho limpasse a mata por debaixo da sua casa, pergunta que gerou outro dos conflitos entre o presidente da AF e Amílcar Almeida, entendendo este que tal pedido não se adequaria à reunião, por ser uma questão pessoal.
Um elogio à forma como a Junta optara por definir as limpezas foi escutado pela voz de Álvaro Lagoa (PSD), pedindo ainda que se atendesse à situação da Trav. de Senandes, por se encontrar esburacada.
Terminado o assunto das limpezas, Amílcar Almeida acusou a Junta de não estar a cumprir os apoios sociais que prometera durante a campanha eleitoral, voltou a abordar a questão do escoamento de águas residuais para a ia pública junto à Escola Básica, bem como a situação do lavadouro da Fonte da Vila, acabando a dizer que Vilarelho estava transformado num "campo de treinos" para fogos florestais.
Este delegado admitiu que "posso vir a ser catalogado de violento nas minhas intervenções", mas fora eleito para defender Vilarelho e, como tal, actuaria.
Quando o seu passado por Gondomar, como eleito local pelo PSD, foi recordado pelo presidente da Assembleia, gerou-se novo confronto verbal, dizendo que tinha muita honra pelo seu passado autárquico nesse concelho, voltando a reafirmar que era do PSD mas em Caminha, "sou do PS", garantiu.
"Apreensivo"
Antes de iniciar as respostas, Luís Guerra, presidente da Junta, mostrou-se "apreensivo" pela forma como as coisas estavam a decorrer nestas reuniões, afirmando que "não gostaria que isto continuasse assim", considerando ser necessário definir bem o tempo das intervenções, "embora estejamos receptivos a responder a tudo" o que os delegados perguntarem, garantiu.
Tendo o assunto das limpezas ocupado grande parte das intervenções do delegados, Luís Guerra começou por esclarecer que elas se tinham iniciado a 24 de Maio e "acho que foi feito muito, incluindo a aquisição de máquinas", com o dinheiro deixado pela autarquia anterior, legado que Amílcar Almeida contesta, por entender ter sido um sinal de má gestão.
"Fizemos um oito"
"Nós queremos cortar a barba e não apenas aparar a barba", foi a metáfora utilizada pelo presidente da autarquia para definir a estratégia seguida no processo da limpeza dos espaços públicos, pretendendo manter a linha predefinida, "sem andar aos saltos".
Catalogou como um "8" o trajecto estabelecido e que será para cumprir, assegurou, prevendo ainda intervir na Capela de S. Sebastião por alturas da realização das festas.
O autarca salientou que os herbicidas utilizados são fornecidos pela Câmara e que ainda apoiam com pessoal.
Prometeu intervir na Fonte da Vila, informando que contactara de imediato a Câmara no seguimento das denúncias apresentadas pela oposição na reunião de Abril, assinalando ainda que o Ministério da Agricultura ainda não tinha respondido às candidaturas aos caminhos agrícolas.
A queda de betão e gravilha nas rampas de acesso à Portela, provenientes de camiões, voltaram a ser debatidas nesta assembleia, dado que as limpezas efectuadas no piso, apenas contribuíram para acumular os detritos nos canos de escoamento de águas pluviais, obstruindo-os.
A Junta pretende uma solução definitiva, tendo informado a fiscalização camarária da actividade de uma empresa de construção, crendo que terá sido autuada.
"Não vou vender"
Outro dos casos que preocupam os delegados, prende-se com os Baldios.
Luís Guerra assegurou que não irá vender qualquer parcela, contrariamente ao que terá sucedido no passado, em que foram ainda registados em nome da Junta de Freguesia ou vendidos talhões a particulares.
Pediu a colaboração de todos no esclarecimento deste assunto, a par do contributo que os mais idosos da freguesia possam trazer, porque "é uma ilegalidade que a Junta deve desmascarar ao ter conhecimento" de situações de usurpação ou venda dos baldios.
Foi também revelada a existência de sete famílias apoiadas pela autarquia vilarelhense estando ainda mais cinco referenciadas.
Conspurcar ou não a via pública através de águas residuais provenientes da escola primária ocupou bastante tempo do debate, assegurando a Junta que o empreiteiro vai ligar os canos à rede pública de modo a terminar de vez com as dúvidas que assistem a uns e outros, adiantando que esta escola irá ser dotada com um refeitório e auditório.
Aproveitou ainda Luís Guerra para dissipar temores sobre um eventual encerramento deste estabelecimento de ensino - face às medidas que o Governo pretende implementar -, dado que o número mínimo (21) é largamente superado, o que tranquilizou Severino Sousa, presidente da AF, após este ter lido um texto escrito em que criticava a política educativa do Ministério da Educação, devido ao fecho das escolas e fusão de agrupamentos.
A estrada até à Foz será limpa pela Câmara, conforme vem sendo habitual, referiu Luís Guerra, em resposta a um seu colega de partido, assegurando igualmente que irão pavimentar a Trav. de Esteiró.
Esta sessão permitiu ainda a Amílcar Almeida protestar pelo facto de a Junta não ser dotada com verbas camarárias que lhe permitam concretizar o plano de actividades de 2010, levando a que nem sequer consiga executar 1% do previsto. Dirigindo-se ao presidente da autarquia, admitiu que "o senhor não está a fazer nada porque não pode".
O público teve ainda oportunidade de intervir na parte final, com Jorge Vila Pouca a criticar o presidente da Assembleia pela politização excessiva a que se estava a assistir. Continuando, desabafou que "nós não estávamos habituados a isto", insurgindo-se pelo facto de o presidente da Assembleia ter dito que "nada se fez em Vilarelho" no passado, recordando-lhe que "eu também já estive sentado onde o senhor está".
A situação deplorável em que se mantém o Centro Coordenador de Transportes de Vilarelho mereceu comentários nesta reunião, aproveitando na ocasião Luís Guerra para referir que já falara no assunto à Câmara, sendo previsível que os seus espaços sejam colocados ao dispor de associações, além de poder ser criado um Gabinete de Apoio à Junta de Freguesia, um Portal de Internet e, talvez, uma loja de Apoio Social.