![]() Jornal Digital Regional Nº 498: 10/16 Jul 10
(Semanal - Sábados) |
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Vila Praia de Âncora
Orgãos autárquicos poderão avançar com protesto público se a passagem de nível da Travessa do Teatro não for reaberta "Basta do jogo do gato e do rato", assim manifestou o seu desagrado Manuel Marques, presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, perante o Executivo camarário reunido na Quinta-feira nesta vila a fim de assinalar 86º Aniversário desta freguesia a vila.
O aniversário ficou marcado pela decisão da Refer em continuar a vedação da passagem de nível pedonal da Trav. do Teatro com um muro de betão, na tentativa de evitar as constantes investidas dos moradores (ou do "Zorro", como já é conhecido na vila) contra o gradeamento que impede o atravessamento da linha férrea.
Manuel Marques e o presidente da Assembleia de Freguesia vão convocar uma sessão extraordinária deste órgão autárquico, a fim de que a população decida que medidas tomar perante o impasse registado nas iniciativas levadas a cabo no intuito de reabrir a passagem. Trata-se de uma ligação estratégica em termos comerciais e de comunicação da população da parte alta da vila com a zona da praia, que a Refer decidiu só interromper há pouco tempo, apesar de um acordo celebrado com a Câmara há mais de vinte anos, que lhe permitia eliminá-la desde logo. No entender do presidente da Junta, "o problema é resolvido quando o poder instituído o quiser". Depois de uma reunião mantida com o governador civil, em que foi pedida alteração do diploma-legal que viabilizou o protocolo dos anos oitenta, "o que tínhamos a fazer já foi feito", denunciou o autarca ancorense. Marques vincou que "não vão brincar com Vila Praia de Âncora" e desafiou aqueles que poderão exercer a sua pressão junto do Governo a comparecer à reunião, associando-se à decisão que venha a prevalecer.
Socialistas reconhecem necessidade da reabertura
Esta situação não é indiferente às diversas correntes políticas de V.P.Âncora, sendo exemplo disso a posição de Daniel Labandeira que também usou da palavra no final da reunião do Executivo para admitir que a linha férrea "estrangula a vila", face a um protocolo "desfasado em mais de 20 anos", relativamente à realidade de hoje. Adepto da reabertura de uma acessibilidade nascente-poente da vila "pelo diálogo", Labandeira recordou também a necessidade de rever a situação na R. Cândido dos Reis nos dias das Festas da Senhora da Bonança, de modo a que a procissão possa retomar a itinerário tradicional e impedir os atravessamentos em massa através dos separadores por parte de milhares de pessoas.
"Ruptura do diálogo?"
Igualmente desagradado pelo facto de a Refer ter escolhido o Dia de Vila Praia de Âncora para reiniciar a construção do muro se mostrou José Luís Ramos, presidente da ACIVAC. Entendendo tal medida como uma "ruptura no diálogo" que tinha sido estabelecido através do governador civil (era presidente da Câmara de Caminha quando celebrou o protocolo com a Refer, viabilizando o fecho da passagem), pronunciou-se pela tomada de medidas por parte da população "É um desrespeito por Vila Praia de Âncora e pelo comércio" denunciou, referindo ainda que ouvido nessa manhã pela Rádio Caminhense sobre a construção do muro, mandara a jornalista interpelar o governador civil sobre o caso, criticando-o ainda por ele ter dito que não constava do protocolo a reabertura da passagem de nível. Refira-se que esse protocolo se baseara em legislação de meados dos anos 80, que impedia a existência de duas travessias sobre a linha férrea numa distância inferior a 160 metros.
Desafio aos partidários do PS
Por seu lado, Júlia Paula, presidente do município, apelidou de "excesso de brio" o fecho "semanal" da rede, depois de terem estado quase 25 anos sem taparem a passagem. Desafiou os partidários do PS a interceder junto do Governo para que resolva o assunto em definitivo, nomeadamente, o deputado Jorge Fão, adjunto de Pita Guerreiro aquando da aprovação do protocolo. Adepta do diálogo, a fim de encontrar uma solução, Júlia Paula, após referir que já possuía um estudo prévio para o local, garantiu que "nós estamos ao lado dos que querem reabrir a passagem".
Deputado Abel Baptista esteve no local
Refira-se que o deputado do CDS-PP Abel Baptista também se interessou pelo assunto, tendo reunido com a ACIVAC e comerciantes da R. 31 de Janeiro a fim de se inteirar dos problemas que ao afectam, decorrentes da eliminação da travessia.
Vai analisar a legislação existente sobre as passagens de nível, bem como o protocolo celebrado entre o município e a CP há 25 anos, prometendo depois interpelar o ministério da tutela.
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