Embora de reduzidas dimensões, a sala onde decorrem as assembleias de freguesia de Vilar de Mouros encheu-se de vilarmourenses interessados em assistir e participar na primeira reunião ordinária do mandato deste órgão autárquico.
Uma referência no Plano de Actividades para 2010 à rede de saneamento, suscitou bastante controvérsia entre delegados e moradores, sendo exigidas explicações pela delegada do PS (Sónia Torres) e CDU, à Junta de Freguesia sobre o seu alcance e competências (se a obra era da responsabilidade da Junta ou da Câmara).
Tudo porque a Junta fez referência ao início das obras de beneficiação da estrada da Cavada já para este mês de Janeiro, aludindo ao saneamento na freguesia, o que suscitou um esclarecimento cabal da situação, atendendo a que o Plano Camarário não contempla esta obra para o corrente ano, nem em Vilar de Mouros, nem em Argela, podendo, na melhor das hipóteses, ser uma hipótese para 2013.
O assunto levou Sónia Fernandes, presidente da Junta eleita pelo PSD, a desdobrar-se em esclarecimentos, frisando que apenas se tratava de aproveitar a referida obra na Cavada para colocar a rede em baixa, devendo depois aguardar pela instalação da rede em alta que a empresa Minho-Lima deverá concretizar, embora sem qualquer prazo ainda previsto.
O tema extravasou as competências da reunião da assembleia, levando a que o público também se manifestasse no final, sendo exemplo a intervenção da Basílio Barrocas, interrogando-se como seria possível elaborar um projecto para a rede em baixa, "sem saber como será a da alta!?".
TRISTE MAS ALIVIADO
Este ex-tesoureiro da Junta (há 33 anos como representante nos dois órgãos autárquicos - Assembleia e Junta - 13 dos quais como oposição) - viria ainda a insurgir-se e a manifestar a sua tristeza pela forma como a Câmara faz política.
Aludiu ao facto de a Junta anterior (CDU) à qual pertencia, ter adquirido uma carrinha, com a qual transportavam as crianças da escola. Contudo, no final do mandato 2001-2005, a Câmara retirou-lhes essas competências e, "agora, por coincidência, com a Junta do PSD, devolveu-lhes esse serviço".
Segundo Sónia Fernandes, o motorista estará a tirar uma formação específica para poder conduzi-la.
Revoltado com estas práticas políticas, mas aliviado por poder falar como mero morador - embora não arrependido pela trajectória autárquica percorrida em que "fiz muitos amigos e creio que nenhum inimigo", frisou Basílio Barrocas - recordou que sempre votou livre e conscientemente, mesmo no tempo em que a Junta fora dominada pelo PSD com Armando Ranhada à frente (a CDU tinha proposto um minuto de silêncio em sua memória, pelo seu passado político autárquico como presidente de Junta, delegado municipal, vereador, presidente da comissão política concelhia do PSD e dirigente associativo), só lamentando o sectarismo do Executivo camarário que não transferiu qualquer verba no anterior mandato.
Basílio Barrocas viria a tecer mais comentários sobre o seu passado autárquico mais recente, quando a Junta actual (2 PSD e 1 PS trânsfuga) referiu que quando assumira funções apenas existiam 2.400€ nos seus cofres tendo de fazer face a uma despesa mensal de 4.000€ que herdara do executivo anterior.
Presente na sessão Carlos Alves, ex-presidente da Junta, recordou que "sempre fora assim" e tiveram de fazer o melhor que podiam e sabiam para levar o barco, enquanto que a delegada da CDU Amélia Guerreiro acrescentou que quando a CDU chegara ao poder há 20 anos atrás, "apenas tinha 80€ no cofre", o que motivou Basílio Barrocas a intervir novamente.
"FOMOS ARRUMADOS A UM CANTO"
O ex-autarca frisou que "fomos arrumados a um canto" pela Câmara, depois de a CDU ter votado contra a adesão à "Valimar" e se ter oposto aos traçados do IC1 (recorde-se que na versão camarária inicial um viaduto rasgaria a veiga de Vilar de Mouros), apontando como novo exemplo o facto de apenas pretenderem atribuir 9.000€ à Junta de Vilar de Mouros destinados à limpeza das valetas e caminhos, quando concederam 15.000€ a Dem e Venade (juntas PSD), freguesias com uma área menor, argumentou.
Em tom de desafio, Basílio Barrocas, exclamou:"-Atreve-te a votar contra um programa dela" e o resultado estará à vista, quando Sónia Fernandes disse que queria acabar com o "costas com costas", retorquindo o primeiro que nunca estiveram de costas voltadas para a câmara.
Neste período destinado ao púbico, um morador insurgiu-se pelo facto de a Euroscut ter cedido uma pequena parcela de terreno da Junta a um particular, sem que tivesse pago qualquer verba por ele.
AGRELO E CABO OBRAS PARA 2010
Para 2010, a Junta incluiu no seu Plano de Actividades a repavimentação dos caminhos do Agrelo e do Cabo, embora ainda mantenha esperanças em intervir no de Bouças e Veiga do Seco, tudo dependendo, no entanto, das disponibilidades camarárias.
Estas prioridades (leia-se antes opções) estabelecidas pela Junta não mereceram a concordância da oposição, manifestando-se João Arieira, da CDU, pela definição de prioridades, dizendo ainda existir confusão entre o que será feito pela câmara ou pela junta, ao passo que Amélia Guerreiro recordou que "estive cá quatro anos e nunca quis puxar para meu proveito as obras nos caminhos".
PRAIAS
A delegada da CDU deu como exemplo de um caminho em pior estado, o de Campos ("uma lástima", assim o definiu), enquanto que o de Agrelo terá outras alternativas.
Outro dos projectos que a junta pretende implementar em 2010, será o da criação de uma praia fluvial junto ao Casal, aproveitando o facto de o Grupo Motard ir ter aí a sua sede e ser um local muito procurado pelos turistas.
A oposição discordou desta prioridade, entendendo ser mais importante recuperar a praia das Azenhas, depois das intervenções feitas pela Minho-Lima e que prometeu estarem concluídas em Outubro último, o que não sucedeu ainda em termos de reparação dos danos ambientais e paisagísticos causados. Sónia Fernandes precisou que a Levada não estava esquecida, sucedendo que ainda nada sabiam quanto às intenções dessa empresa, com quem ainda não tinham conseguido falar.
A instalação de uma plataforma para ecopontos em terrenos da Casa do Barrocas, propriedade da Junta, mereceu discussão sobre a utilização de um espaço púbico por uma empresa privada, com referiram a delegada socialista e a CDU.
LOMBAS JUNTO À ESCOLA
Sónia Torres pediu mais pontos de recolha de lixo no Casal e junto ao CIRV, ao mesmo tempo que sugeriu à Junta a colocação de lombas na Estrada do Barros Negros, onde se situa o centro escolar, com o objectivo de reduzir a velocidade das viaturas num local tão sensível.
Esta delegada socialista pediu ainda a construção de passeios na estrada de Marinhas e entre o CIRV e as escolas, uma projecto que Sónia Fernandes, presidente da Junta assumiu como ter falado durante a campanha eleitoral, mas deverão agora negociar com os proprietários dos terrenos anexos, prometendo ainda debruçar-se sobre as lombas quando estiver viabilizado o reforço da sinalética.
João Arieira abordou ainda a situação do posto público da Internet que funcionava na sede da Junta. Segundo a presidente da autarquia, a Internet não funcionava quando tomaram posse, estando agora a estudar a melhor forma de o manter, uma vez que "acarreta custos".
ORÇAMENTO DE 107.000€
Com um Orçamento de 107.000€, dos quais 27.000€ provirão do FFF (Fundo de Fomento das Freguesias), a Junta conta com as transferências camarárias para compor as contas, esperando ainda "amadurecer com o tempo" quando realizar novos planos e orçamentos.
Após ser esclarecida que uma mobília oferecida por um morador se encontrava na Casa do Barrocas, pretendeu saber em que pé se encontravam os pagamentos da Euroscut, referentes à estrada.
Segundo revelaram elementos da Junta anterior presentes nesta sessão, o aparecimento de particulares reclamando parcelas expropriadas atrasaram o recebimento de verbas. Atendendo a que recorreram ao tribunal, deverão pagar custas e honorários dos 39.600€ que estimavam receber.
Ana Bela Vau, ex-delegada do PSD em anterior mandato, presente também entre os assistentes, comentando o que se passara na reunião, pediu que dessem tempo à Sónia e "ajudassem a Junta". Sobre as prioridades das obras, salientou que também no passado "os planos nunca se cumpriram e não será agora que serão cumpridos".