Um dos motivos de protesto dos moradores da zona norte de Vila Praia de Âncora prende-se com os rebentamentos de pedra que são feitos na pedreira do Lugar da Póvoa, a par da laboração de uma central betuminosa cujos fumos e cheiros são igualmente contestados pelos residentes.
A 17 de Dezembro, pelas 17H15, a empresa Aurélio Martins Sobreiro realizou mais um "desmonte" de pedra com recurso a 8.000 ks de explosivos (emulsão a granel), tendo a particularidade de apenas se tornar explosiva após aplicação, cuja mistura só é feita nesse momento.
Segundo revelaram os responsáveis pelo rebentamento que nos convidaram a assistir às detonações que destacaram 16.500 m3 de pedra de um dos socalcos da pedreira, voltou a ser utilizado um sistema (NONEL) que impede a existência de furos a disparar simultaneamente, permitindo dessa forma, segundo nos confirmaram, "reduzir as vibrações".
Uma firma especializada (Moura Silva & Filhos) forneceu os materiais explosivos e procedeu às medições das vibrações através de um sismógrafo instalado junto aos escritórios da empresa que registou 2,4mm/s, abaixo dos 4mm/s, muito embora a legislação permita num local com estas características 14 a 20 mm/s, dependendo do número de solicitações diárias.
Registando-se uma vibração resultante do "desmonte" de três fiadas de rocha com recurso a 94 furos de explosivos, ela é caracterizada pelos técnicos da firma que o controlou e registou, como "natural", mas "não é passível de causar dano nas edificações", garantiram.
Asseguraram que "a maior parte das vezes, é mais perceptível a onda sonora, do que propriamente a vibração".
O barulho do rebentamento foi audível para os moradores da zona, conforme nos confirmaram posteriormente, pretendendo que a empresa os avise sempre que efectue esses trabalhos, porque o apito de alerta utilizado para o pessoal da pedreira não é perceptível fora dela.
Um vereador camarário acompanhou este rebentamento, mas segundo nos confirmou Mário Patrício, a Câmara não terá que licenciar qualquer construção dentro das pedreiras, cabendo tal atribuição ao Ministério da Economia, segundo duas sentenças de tribunal exibidas pelos proprietários.
Acerca da polémica central betuminosa que os moradores igualmente contestam, a administração nega qualquer perigosidade para a saúde, dando como exemplo a permanência de trabalhadores junto ao material confeccionado, sem que daí resultem quaisquer danos para eles.
Acrescentam que 20% do material removido do piso da estrada que vai receber um novo tapete, é utilizado na preparação do novo betão a espalhar no pavimento.
O facto de estar a demorar demasiado tempo a colocação do novo tapete na EN13, depois de já terem "raspado" alguns quilómetros de estrada, pende-se, segundo nos disseram, às condições climatéricas adversas, atendendo a que não podem derramar o produto (betão) em dias chuvosos.
Outro factor de desagrado dos condutores, regista-se com as lacadas (juntas de obra) mal sinalizadas, originando danos na parte de baixo das viaturas.
Segundo nos revelou Mário Patrício, já foram enviados e-mails a diversos departamentos da Estradas de Portugal, exigindo a eliminação dos desníveis acentuados e a reposição de sinalética conveniente.