A ponte rodoviária sobre o rio Coura, em Caminha, e a passagem desnivelada de Vilarinho sobre a EN13 em Vila Praia de Âncora, não serão objecto de qualquer beneficiação no decorrer da intervenção que está a decorrer desde Viana do Castelo até Valença nesta estrada, porque são consideradas "obras de arte" e, como tal, encontram-se fora da alçada do Instituto de Estradas de Portugal.
PEÕES INSEGUROS
A informação foi avançada por Júlia Paula, presidente do Município caminhense, quando interpelada pelo deputado municipal Celestino Ribeiro (CDU) sobre a "insegurança" que os peões sentem ao cruzarem a ponte rodoviária na foz do rio Coura, pedindo "uma melhor solução para o atravessamento pedonal", adiantando a possibilidade de instalação uma "estrutura apêndice à existente".
Júlia Paula fez uma retrospectiva da intervenção que decorre segundo o delineado pelo Plano Rodoviário de 2000, o que considerou errado, porque, entretanto, os autarcas foram mudando e os projectos "encontram-se desfasados no tempo", sendo de opinião de que deveriam ter dado conhecimento prévio às autarquias.
Logo que soube do projecto da obra na EN13 (ou municipal, a avaliar pelos marcos colocados ao longo da estrada que indicam ter passado para a responsabilidade das câmaras, o que apanhou de surpresa a autarca), conseguiu uma entrevista com o vice-presidente do Instituto de Estradas de Portugal (IE) por intermédio do deputado Jorge Fão, na qual manifestaram a sua intenção de modificar o projecto.
Contudo, esta pretensão camarária não teve eco em Lisboa, ficando ainda a saber que a remodelação da ponte sobre o rio Coura não estava prevista no projecto inicial de beneficiação da N3, por ser considerada uma "obra de arte", devendo ser tratada por outro departamento.
VIADUTO DE VILARINHO É UMA "OBRA DE ARTE"
O mesmo sucede em Vila Praia de Âncora, quando tudo fazia prever que o guarda-corpos (gradeamento) do viaduto de Vilarinho sobre a EN13 seria substituído face à degradação que evidencia, no decorrer da beneficiação desta estrada.
Segundo deu a conhecer Manuel Marques, presidente da Junta de Freguesia, em resposta a uma interpelação de Gaspar Pereira, delegado socialista, no decorrer de uma Assembleia de Freguesia, os responsáveis do IEP "têm uma visão diferente" do que é uma obra na estrada e as designadas "obras de arte" (definição técnica para a passagem superior igual a tanta outras) e "não respondem" às solicitações da autarquia, pelo que existe uma indefinição quanto ao futuro das grades que ameaçam cair sobre a via.
Contudo, de acordo com o que nos informou posteriormente o vereador Mário Patrício, sobre a pretendida intervenção na ponte sobre a foz do rio Coura, as Estradas de Portugal não prevêem efectivamente realizar qualquer melhoramento.
Apenas vão abrir outro concurso para reparações nos viadutos de Vilarinho e Moledo, o que só deverão concretizar-se lá para Agosto. Se entretanto não cair o gradeamento da passagem superior de Vilarinho…
ROTUNDAS EM ÂNCORA
Em relação à freguesia de Âncora, a Câmara não vê com agrado a implementação de semáforos na EN13, devendo ser substituídos por duas rotundas.
Uma, no acesso ao Intermarché e, outra, na ligação à praia do Cão ou à zona industrial de Laboradas.
PONTE EM VILAR DE MOUROS AGUARDA VERBAS
Quanto à nova ponte sobre o rio Coura em Vilar de Mouros de há muito reivindicada pelas juntas de freguesia, e de novo uma bandeira da nova autarquia PSD/ex-socialistas, Júlia Paula referiu no decorrer da Assembleia Municipal em resposta a uma intervenção de Sónia Fernandes, presidente da autarquia vilarmourense, que a nova travessia fazia parte do seu manifesto eleitoral, mas "o dinheiro não dá para tudo", contando ainda com o contributo do Estado para a sua concretização.
Este assunto merecera igualmente um comentário de Celestino Ribeiro, apelando a que "o estudo e projecto desta infraestrutura" não represente apenas "mais uma (ponte) que se anuncia, que se publicita e que se maqueta, e que depois se remeta às calendas, substituída por outras que a oportunidade oferece".