Armando de Sousa Ranhada faleceu aos 67 anos ao fim da tarde de Sexta-feira, dia 16, no Hospital de Viana do Castelo, vítima de doença prolongada.
Este vilarmourense residente em Marinhas, "deu um grande contributo à vida pública vilarmourense", admitiu Carlos Alves, presidente da Junta de Freguesia, ouvido pelo C@2000.
O autarca recordou que colaborou com Armando Ranhada no Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, quando este exercia funções de presidente (1977-89) e ele o de vice-presidente.
Independentemente de serem adversários políticos, "fomos sempre leais e trabalhamos com espírito democrático", acrescentou o autarca da CDU quando se prepara para deixar esta função, cargo este que assumiu em 1989, quando Armando Ranhada decidiu não se recandidatar ao lugar de presidente da Junta que exercia desde as primeiras eleições autárquicas.
Armando Ranhada foi ainda vereador e delegado municipal tendo protagonizado alguns dos debates mais vivos e participados neste órgão autárquico, enquanto eleito pelo PPD/PSD em representação da sua freguesia, quando os socialistas dominavam o panorama político concelhio.
Durante 20 anos foi presidente da Comissão Política Concelhia do PSD e coube-lhe a ele conseguir que pela primeira vez um primeiro-ministro (Cavaco Silva) visitasse oficialmente Vilar de Mouros, aquando da inauguração da nova sede do CIRV, em 1986, obra em que Armando Ranhada mais apostou.
Ouvido Flamiano Martins, actual presidente da CPC Social-democrata sobre o desaparecimento do seu companheiro de partido, referiu-nos "ser uma perda muito grande para o Concelho de Caminha, depois de tudo o que ele fez". Valorizou o trabalho desenvolvido na freguesia e destacou "os anos de luta" que Armamdo Ranhada manteve no período em que presidiu à estrutura concelhia do PSD.
Mas foi também no panorama cultural que Armando Ranhada projectou a sua imagem, chegando a ser um dos principais protagonistas da realização dos Festivais de Vilar de Mouros, nomeadamente nos de 1971 e 1982, a par do I Encontro de Música Popular organizado pela Junta de Freguesia que liderava em 1985, integrado nos "Encontros de Vilar de Mouros", no Ano Europeu da Música.
Foi ainda um dos principais dinamizadores das Reisadas e dos Almoços dos Reis e da Tuna de Vilar de Mouros, a par da sua participação em várias peças de teatro com que o grupo amador do CIRV presenteou o concelho e municípios vizinhos.
Homem dos "sete instrumentos", fez de tudo na vida, tendo-se dedicado nos últimos anos ao restauro de casas em xisto e ao Turismo Rural.
Teve altos e baixos. A sorte nem sempre o acompanhou. Quando a vida lhe começava a correr de feição, logo um percalço lhe surgia pela frente, como o que acabou por o retirar precocemente do convívio dos seus familiares e amigos e adversários políticos que lhe prestam homenagem.
O seu funeral realiza-se amanhã, Segunda-feira, pelas 16 horas, desde a capela mortuária de Vilar de Mouros onde o seu corpo se encontra em câmara ardente, para jazigo de família.