Um empresário da Areosa, proprietário de uma firma ligada à indústria de mármores, foi condenado pelo Tribunal de Viana do Castelo a uma multa de 9.800€, além de demais taxas de justiça e custas, por um crime de ameaça na forma agravada sobre uma funcionária tributária da Direcção de Finanças de Viana do Castelo.
Tudo sucedeu há um ano, quando a inspectora foi incumbida pelos serviços tributários de inspeccionar e fiscalizar duas sociedades da Mármores Longarito e se encontrava a trabalhar num dos gabinetes disponibilizados pela gerência, quando o sócio António Longarito a abordou.
Após referir que não tinham dinheiro para pagar as coimas (eventualmente altas que lhes aplicassem), adiantou ser um homem já com 72 anos, "com uma doença incurável" e, por isso com poucos meses de vida pela frente, mas garantindo-lhe "que a senhora não vai ficar cá para assistir" porque se fosse para a cadeia "não ficarei lá muito tempo".
Terá dito ainda que sabia que a inspectora tinha duas filhas "e digo-lhe já que não preciso de pôr nenhum gorro na cabeça, faço-o à luz do dia, por isso tenha muito cuidado como o que está a fazer", concluiu.
A inspectora abandonou de imediato a empresa, regressando "aflita e "em pânico" à Direcção de Finanças, pedindo apoio à PSP que viria posteriormente a "assegurar a normalidade" da inspecção.
O tribunal consideraria "credível" a versão (prova) da acusação, a despeito do empresário ter negado conhecer se a ofendida tinha filhas ou não e ter proferido "as palavras em causa nos autos".
A inspectora viria a passar por uma "fase depressiva", chegando mesmo a estar em baixa durante algum tempo face às ameaças de que terá sido alvo pelo empresário (definido com "de sucesso") e que recorreu da sentença.