Jornal Digital Regional
Nº 447: 4/10 Jul 09
(Semanal - Sábados)






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Assembleia de Freguesia de Caminha

Edição de livro mereceu louvor

"Vamos ter 90 dias de surpresas diárias!", previu Fernando Lima

"Cais da Rua será uma prenda de Natal!", ironizou Carlos Mouteira

"Se eu fosse o presidente da Junta (na altura) trânsito não teria mudado", garantiu Eduardo Gonçalves

Uma intervenção vincadamente política realizada por Fernando Lima (PS) no decorrer da Assembleia de Freguesia de Junho, deu o mote para a pré-campanha eleitoral que se avizinha, antevendo desde já "90 dias de surpresas diárias", perante o sucedido até aqui.

Delfim Moreira (PSD) respondeu, lamentando que o socialista apenas se tivesse referido às próximas autárquicas e esquecido os resultados das Europeias, levando-o a felicitar o povo de Caminha por ter votado PSD e desejando que assim continue.

"RUAS DE CAMINHA" E VOTO DE LOUVOR AO AUTOR

Esta sessão foi dominada predominantemente pela recente edição da obra "Ruas de Caminha - toponímia e história da vila de Caminha" da autoria de Paulo Torres Bento e publicada pela Junta de Freguesia de Caminha.

Fernando Lima saudou a junta por ter lançado "tão importante documento para os vindouros" e escolhido este historiador, aproveitando para citar palavras do autor expressas no livro, quando a determinado ponto afirma que Caminha possui "uma história rica que nos cumpre honrar".

Após a entrega a cada um dos membros da assembleia de um exemplar, Delfim Moreira prometeu ir ler o livro, enquanto que o seu colega Carlos Mouteira felicitou quem o escreveu, realçando igualmente os alunos que colaboraram ("louvor a quem o tem", assinalou) e afirmando que quando tinha estado na junta também sonhara com a publicação de um trabalho idêntico, só que a sua saída em 2005 não lho permitira.

Igualmente se pronunciou sobre o assunto louvando a iniciativa, o socialista José Francisco Brito, estranhando, no entanto, que com a "febre de placas" colocadas na vila quatro anos atrás, se tivessem esquecido da R. Damião Lourenço Júnior (paralela à Av. Dantas Carneiro), atribuída em 1993, bem como do nome do Parque Municipal (25 de Abril).

Carlos Mouteira não gostou que se tivesse usado a expressão "febre de placas", assegurando que 80% delas tinham sido colocadas após a sua derrota eleitoral.

A discussão sobre a toponímia da Calçada de Stº António que este livro veio colocar, levou igualmente João Alberto Silva, presidente da assembleia, a solicitar que fosse rectificada a sua designação, de acordo com o que o próprio autor da obra descreveu.

A edição deste trabalho (particularmente ao seu autor) mereceu um louvor aprovado por todos os delegados, aproveitando Eduardo Gonçalves para dissertar um pouco sobre a iniciativa.

"DEDICATÓRIA A TODOS QUANTOS TRABALHARAM POR CAMINHA"

Respondendo a Carlos Mouteira, precisou que o trabalho inicial desenvolvido pelos alunos da Escola Secundária de Caminha e que teria estado na génese desta obra, era bem diferente do que agora foi dado à estampa, não se devendo, portanto, estabelecer comparações.

Adiantou que logo que Paulo Bento lhes propôs a edição da obra, aceitaram de imediato, considerando-a um "êxito" na vertente histórico-cultural e "vantajosa" do ponto de vista financeiro.

Recordou que a obra contempla os nomes de todos os presidentes de câmara desde 1834 e apresenta um historial sobre os vários nomes que as mais de 50 ruas da vila tiveram ao longo dos séculos, constituindo um pretexto para conheceremos melhor o nosso passado.

Deu conta que editaram 1.500 exemplares que estão a ser vendidos a 20€ (um preço considerado baixo, face à qualidade do livro), estando certo que trarão "dividendos" à autarquia, atendendo a que se venderem 1.000, obterão 20.000€, o que cobrirá a despesa com a tipografia (12/13.000€).

Salientou que o autor nada cobrou pelo trabalho realizado e que uma futura reedição da obra, apenas levaria a que lhe fossem oferecidos 3% do número de livros a publicar.

TAPETES FLORAIS LOUVADOS

Em matéria de louvores, Delfim Moreira apresentou um destinado a todos os que colaboraram na preparação dos tapetes florais do Dia de Corpo de Deus e outro pelas vitórias do Caminhense na presente época.

A assunto dos tapetes florais levou José Francisco Brito a elogiar a alfombra concebida pela Junta de Freguesia e colocada em frente da sua sede, frisando que não foi necessário recorrer a pessoas de fora.

Eduardo Gonçalves também se pronunciou sobre o tema, felicitando todos os caminhenses que se dedicaram um ano mais a montar os tapetes florais, levando-o a acreditar que esta festa "nunca mais acabará".

Acerca do tapete (Última Ceia de Cristo) apresentado pela sua autarquia um ano mais, referiu que fora "idealizado" por artistas caminhenses que "deveriam ser mais valorizados localmente", avisou.

A PRENDA QUE NÃO CHEGOU

O anúncio feito em Dezembro último pelo presidente da Junta de que o "Cais da Rua irá ter uma prenda de Natal para os pescadores", numa eventual alusão a obras de requalificação que ali iriam decorrer proximamente, não escapou a Carlos Mouteira.

Fez menção a essa afirmação e "como não vejo nada no local, nem sei do que se trata", o delegado social-democrata pediu explicações até às próximas eleições autárquicas, recordando que em 2002 fora feita uma intervenção no local, limpandose o canal de acesso ao cais.

Eduardo Gonçalves admitiu ter falado na intervenção no cais e que dissera na ocasião que "não dispunha de informações totais", acrescentando que "nos temos batido para que esse projecto se concretize", atribuindo à "crise" o seu adiamento.

Voltou a basear-se nas garantias que lhe deram de que o financiamento estará assegurado durante este ano, embora a obra não possa decorrer durante a época balnear.

Carlos Mouteira e Eduardo Gonçalves envolver-se-iam em nova polémica a pretexto de declarações feitas por este em 2005, quando disse que a Junta de Freguesia anterior (social-democrata) "não existia".

"CÂMARA E JUNTA CONFUNDIAM-SE"

Carlos Mouteira entendia que o actual presidente da Junta deveria pedir desculpas aos restantes membros do executivo liderado por si entre 2001 e 2005, mas Eduardo Gonçalves retorquiu com a subserviência que o anterior presidente patenteou perante a Câmara, dando como exemplo o aval dado para a mudança do trânsito na R. de S. João e R. das Flores e que agora o próprio Executivo camarário reconhece que foi um erro e pretende emendar.

"Comigo a presidir à autarquia teria tido coragem para contrariar a posição da Câmara", assegurou Gonçalves.

Este autarca informou que a assembleia municipal de Setembro deveria alterar a postura do trânsito no centro da vila, de modo a "revitalizá-lo", ao "captar" quem vier do norte e não afastando como sucede presentemente e assim ainda continuará este Verão.

O trânsito fluirá então no sentido norte-sul e com estacionamento no lado contrário ao actual, na Rua do Vau, prosseguindo pela R. das Flores até à R. dos Pescadores e descendo na quelha da "Geraldina", para quem quiser virar para norte.

A discussão prolongar-se-ia ainda durante mais algum tempo, depois, a propósito das placas toponímicas.

ESTALEIRO DE AREIAS ELIMINADO

O desaparecimento do depósito de inertes extraídos do rio Minho, provenientes da limpeza do canal do ferry e que agora passou a ser da responsabilidade das autoridades galegas, gerou contentamento de todos.

Assim, além de ter terminado uma aberração paisagística no topo norte da Avenida Marginal, as águas do rio Coura fluirão junto ao paredão, contribuindo para que os secos não se formem tão perto de terra.

Fernando Lima congratulou-se e Eduardo Gonçalves admitiu ter sido a sua eliminação uma "batalha" desde 2005, "quando disse que aquele escarro iria sair de lá".

"EPISÓDIO ANTI-DEMOCRÁTICO E ATÉ SALAZARISTA"

Mais um dos pontos polémicas da sessão foi aberto quando Fernando Lima pediu explicações ao presidente da Junta sobre o conflito institucional registado na inauguração dos pontos de apoio ao Parque 25 de Abril.

Eduardo Gonçalves, predispôs-se a dar a sua versão, depois de elogiar a obra que "veio dar mais qualidade ao parque".

Começou por definir o conflito mantido com a presidente da Câmara como "anti-democrático e até salazarista".

Ter-se-á dirigido à secretária da presidente Júlia Paula, manifestando a sua vontade em falar no final do acto, pelo que viria a ser-lhe comunicado que lhe seria dada a palavra.

Contudo, depois do discurso de Júlia Paula, tal não sucedeu, levando-o a interpelar a autarca que terá dito que desconhecia o deu desejo de intervir, afirmando Eduardo Gonçalves que ela mentira e tinha provas disso.

Da discussão gerada enquanto ambos se dirigiram para o descerramento da placa, Júlia Paula terá referido que a Junta tem tomado "posições inconvenientes", sendo interpretado assim o silenciamento do presidente da Junta como uma forma de retaliação.

Eduardo Gonçalves recordou que ao presidente da Junta de Vila Praia de Âncora (PSD) é-lhe sempre conferida a palavra quando há inaugurações na sua freguesia, pelo que entendia perfeitamente a posição de Júlia Paula em relação a Caminha.

JUNTA DE FREGUESIA DE CAMINHA

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