A tradição passa de geração em geração, e não há vilarmourense que se preze, que perca a oportunidade de participar no almoço comunitário, resultante do pecúlio arrecadado pelo Grupo das Reizadas durante o mês de Janeiro, quando percorre as artérias vilarmourenses, batendo de porta em porta, cantando os Reis e animando as famílias da sua freguesia, e recebendo uma contrapartida monetária destinada a custear o Almoço dos Reis, dois meses depois.
Toda a comunidade é chamada a comungar deste prato confecionado pelo mestre António Fiúza (há 28 anos neste mister) e seus ajudantes, apenas sendo necessário que cada um leve os talheres, bebidas e sobremesa, porque tudo o mais é fruto do dinheiro angariado nas caminhadas noturnas desse Grupo das Reizadas, aplicado na compra de todos os ingredientes necessários a um bom repasto que "é igual todos os anos", admitiu o chefe de cozinha, concentrado neste seu labor voluntário.
Vítor Penedo, residente em Viana do Castelo, mantém bem viva esta tradição transmitida pelos seus familiares ("os meus pais nasceram cá") e nunca falha.
Veio com eles na manhã do passado Domingo até às instalações do CIRV, onde o repasto decorreu, e sua mãe, Rosa Maria, recordou que "no início, quando faziam o almoço no Clube, era só para homens", passando posteriormente a alargar a participação às famílias, uma decisão que apoiou, caso contrário, "as mulheres tinham de ficar em casa".
Também viveu durante uns anos em Viana do Castelo, mas "nunca faltei", além do mais "porque gosto de viver aqui. Gosto da aldeia", a par de apreciar o menu servido a preceito.
Este repasto não seria possível, sem a colaboração de jovens da freguesia, concentrados no salão da "estufa", escutando as indicações de Marora Gonçalves como sucedeu este ano, para que a distribuição do almoço, servido em terrinas, pelas diferentes mesas dos vilarmourenses, corresse às mil maravilhas, como veio a suceder.
Apelo aos jovens
"Nascida e criada cá", como fez questão de nos vincar, com orgulho, "ainda mais nova já tinha colaborado nesta tarefa, e "retomei esta atividade há dois anos, porque necessitavam de mais pessoa" atendendo a que "cada vez somos menos".
Marora Gonçalves revê-se "nesta união da freguesia" representada nesta Almoço dos Reis, bem como no "convívio entre as famílias da freguesia e seus amigos", equivalendo a um "momento de proximidade".
A par de gostar do arroz de sarrabulho, degustado com prazer.