A acomodação temporária, proveniente do "glamping", equivalendo a uma forma de campismo com "glamour", em contacto com a natureza, instalou-se em Vilar de Mouros há quatro anos, e tem recebido "uma resposta bastante boa", confidenciou-nos Marta Cardoso, à frente desta aldeia montada na margem esquerda do Rio Coura.
45 tendas de oferta nesta edição do Festival, de quem quer dispor de algumas comodidades (cama, eletricidade, geleira e ventoinha) e sem necessidade de andar com uma tenda às costas e ser obrigado e montar e desmontá-la.
"Isto é uma família enorme"
Marta Cardoso confirmou que as pessoas gostam deste tipo de campismo, como que se criando quase uma "família", ao referir-se a "pessoas que já vêm para aqui desde o primeiro ano" em que apostaram por este negócio nos festivais vilarmourenses, contribuindo para um resultado positivo deste projeto.
Por tal motivo, Vilar de Mouros tornou-se num dos festivais pelo qual "tenho mais carinho, devido à amizade enorme criada entre os clientes".
Embora tenha estado menos disponível "este ano", Marta Cardoso assegurou que "vou também ver as bandas".
De Sanxenxo até Vilar de Mouros
Dois dos ocupantes desta acomodação temporária, Noé e Pedro, primos, vieram da Galiza, desde Sanxenxo, marcando presença em Vilar de Mouros pela primeira vez, e mostraram-se extremamente agradados com tudo o que vieram encontrar, tanto pelos artistas contratados, como pelo "ambiente muito são, sem discussões, nem violência".
"Dormir nestes habitáculos é estupendo", admitiu Noé, orientado para esta forma de campismo, porque não possuíam tenda, e, prosseguindo, "entre comprar uma por 400€ e pagar o mesmo por esta forma de alojamento temporário, escolhemos esta", além de ser mais confortável, completou.
Ugly Kid Joe, YungBlud, The Hives, Kasabian e Kaiser Chiefs, tinham sido as bandas que mais os impressionaram nos três primeiros dias.
Dois reparos
Estes jovens galegos colocaram dois reparos a este Festival.
Bandas galegas ou espanholas "poderiam encaixar bem aqui", até por "termos idiomas muito parecidos", precisaram, além de atraírem, seguramente, muito público do país vizinho, a par de "haver una tradição muito grande pelos festivais" no seu país. Pedro indicou os galegos The Rapants, ou o cantor espanhol (madrileno) Leiva, acrescentou o seu primo Noé, um músico que "arrasta muitos fans".
Noé apontou ainda que gostariam de ver atuar bandas portuguesas, permitindo dessa forma escutar conjuntos que desconhecem.
Um outro reparo, este de carácter logístico, prende-se com a ausência de transporte público desde Vilar de Mouros até Caminha durante a manhã, o que impede a deslocação de muitos festivaleiros que poderiam, inclusivamente, ser uma mais-valia económica para a o comércio da vila, nomeadamente para a restauração.
Um grupo de amigos de Santo Tirso e Guimarães
Há cerca de oito anos que um grupo de amigos marca presença ininterrupta em Vilar de Mouros.
No início, ficavam no parque de campismo - a única forma de acampar na altura -, mas como "o grupo foi aumentando e as dores de costas também", contou-nos Hélder Silva (perante o riso dos demais), logo que surgiu a oportunidade de se instalarem neste alojamento temporário, não desperdiçaram este "conforto" - e até trouxeram um barril de finos portátil, "maquinaria", assim o definiram -, juntamente com bom vinho verde de Cabeceiras de Basto.
Definiram este alojamento mais "reservado", como mais "adulto".
Comentando o programa apresentado nesta edição, admitiram que terá sido "um pouco mais fraco", uma opinião comungada igualmente por um lisboeta vizinho (Mário, de Alcântara-Mar) que se junta habitualmente a este grupo.
Disse-nos que gostaria que as bandas começassem a ser anunciadas mais cedo, como sucede com outros festivais, o que o levou a só comprar a entrada pouco tempo antes das datas aprazadas.
Por último, assumiram que "independentemente do cartaz, Vilar de Mouros já está enraizado", além de ser "o Festival mais velho de Portugal", ser o melhor" e com o "ambiente" mais atrativo - a "essência" do Festival, em referência ao pessoal que o escolhe todos os anos.
Lá fora, as tendas distribuíam-se ao longo das duas margens, desde a ponte medieval para jusante.
Este grupo portuense, fascinado com a envolvência do Rio Coura, preparava-se para se deliciar com chouriço assado, antes de avançar para o interior do recinto, onde os esperavam emoções (mais ) fortes.