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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor

LITERACIA EM SAÚDE ESTAMOS A COMUNICAR OU APENAS A INFORMAR?

Um desafio central da Enfermagem Comunitária

A Enfermagem Comunitária ocupa um lugar estratégico no Sistema de Saúde porque está próxima das pessoas, das Famílias e das Comunidades, conhece os seus contextos de vida, as suas vulnerabilidades e os seus recursos. Ainda assim, persiste uma questão incómoda que merece reflexão séria. Quando trabalhamos em "Educação Para a Saúde (EPS)", estamos verdadeiramente a comunicar em saúde ou limitamo-nos a informar?

Num tempo marcado pela sobrecarga "informacional", pela disseminação de fake news e pela influência crescente das redes sociais, a literacia em saúde tornou-se um determinante crítico dos ganhos em saúde. Contudo, continua a ser frequentemente abordada de forma redutora, como simples transmissão de conteúdos, esquecendo que informar não é, por si só, capacitar.

A Enfermagem Comunitária sempre teve na comunicação um dos seus pilares fundamentais. Educar para a saúde, promover estilos de vida saudáveis, prevenir a doença e fortalecer o autocuidado exigem muito mais do que folhetos, normas ou recomendações padronizadas. Exigem relação terapêutica, escuta activa, empatia e adaptação da mensagem ao contexto sociocultural da pessoa e da Comunidade, a quem nos dirigimos ou trabalhamos.

As fake news em saúde não ganham força apenas pela sua falsidade, mas porque conseguem comunicar onde o sistema falha: são simples, emotivas e próximas. Quando a comunicação institucional é excessivamente técnica, distante ou impositiva, cria-se um espaço de desconfiança que fragiliza a adesão às intervenções em saúde. Aqui, o "Enfermeiro da Comunidade" é decisivo, porque é, muitas vezes, o profissional em quem a Comunidade mais confia, está próximo e mais disponível.

As redes sociais, frequentemente vistas como ameaça, devem ser encaradas como território de intervenção. A Enfermagem Comunitária não pode permanecer ausente do espaço digital, sob pena de deixar a comunicação em saúde entregue a fontes pouco credíveis. Comunicar em saúde hoje, implica também literacia digital, capacidade crítica e presença profissional qualificada nos canais onde as pessoas efectivamente estão. Um espaço a conquistar e a ser potencializado com o auxílio da IA.

Um exemplo claro foi o debate em torno da vacinação que expôs, de forma clara, os limites de uma comunicação centrada apenas na evidência científica, desligada das emoções, crenças e experiências das pessoas. Este é um exemplo onde a Enfermagem Comunitária pode ter aqui e tem, um papel insubstituível, ao traduzir ciência em linguagem compreensível, dialogar sem julgamento, reconhecer medos e construir confiança. A literacia em saúde constrói-se com proximidade, não com imposição.

No domínio do autocuidado, o desafio é semelhante. Promover o autocuidado não é delegar responsabilidades sem empoderamento/capacitação. É desenvolver competências, fortalecer a autonomia e apoiar decisões informadas. Isso exige comunicação contínua, personalizada e culturalmente sensível. Estas parecem-nos competências nucleares da prática da Enfermagem.

Importa assumir uma reflexão crítica dentro da própria profissão e questionar, quantas vezes comunicamos para cumprir indicadores e não para transformar comportamentos? Quantas vezes falamos, mas não escutamos? Quantas vezes se confunde, educação para a saúde com mera entrega de informação?

A literacia em saúde é um instrumento de equidade, cidadania e sustentabilidade do Sistema de Saúde. Acreditamos que na Enfermagem Comunitária, é também uma expressão de compromisso ético e social. Comunicar bem não é opcional, é uma parte integrante do cuidar bem.

Estamos convictos que a nossa pergunta mantém-se pertinente e interpela directamente a prática profissional: enquanto Enfermagem Comunitária, estamos a comunicar para capacitar ou apenas a informar para cumprir? A resposta a esta questão define o impacto real da nossa intervenção nas Comunidades. Tenhamos nós a certeza que a Comunicação é uma ferramenta essencial e insubstituível da nossa intervenção e relação com a Comunidade.

Humberto Domingues



ARGUMENTOS PARA O SUCESSO

O esforço incessante para se alcançarem objetivos, da mais diversificada natureza, é uma preocupação das pessoas, independentemente da posição que ocupam na sociedade, inclusive aquelas que no exercício de funções profissionais, já atingiram o vértice de uma pirâmide hierárquica de sucessos.

Claro que é salutar que se persiga sempre uma melhor qualidade de vida, é legítimo e justo, desde que não se prejudique idênticos projetos de outras pessoas. O êxito é o grande estímulo, para que se verifique evolução em todos os domínios da intervenção humana. Seria incorreto que alguém, por sentimentos mesquinhos, como a inveja, a vingança, a desconsideração ou por maledicência, impedisse outra pessoa de alcançar objetivos justos e humanamente dignos de quem luta por eles.

Regras, princípios, valores, sentimentos e comportamentos, são alguns dos ingredientes para se tentar ultrapassar metas, conseguir objetivos e traçar novos projetos. Àqueles se adicionam determinadas faculdades pessoais como: criatividade, capacidades físicas, cognitivas, confiança, determinação, fé e, por que não, alguma sorte. O sucesso na vida está sempre ligado a tais ingredientes e faculdades, sem o que, não parece possível que seja alcançado.

Desde já se considera importante uma atitude interior e também exterior de confiança, na medida em que: "Confiar implica abrir mão das nossas defesas e controlos, colocar os nossos recursos à disposição do outro e acreditar que ele não se utilizará disso para levar vantagem sobre nós, nem nos prejudicar. Significa acreditar nos discursos e promessas que nos fazem e isso é tudo o que não queremos (…). A desconfiança isola as pessoas, impede que experimentem e arrisquem, restringe a sua expansão (…). No âmbito individual, a confiança predispõe a sonhar com objetivos mais elevados, ousar, enfrentar desafios, assumir riscos, desenvolver-se, expandir-se." (NAVARRO e GASALLA, 2007:15).

O êxito, qualquer que seja a dimensão humana, é um bem que se adquire através da tomada de consciência de cada pessoa em particular, no sentido de ela própria se saber autoavaliar. Para o efeito: "Devemos entender a consciência como um processo de conhecimento, opção e ação que implica melhoramento e aprendizagem contínuos (…). Hoje exige-se de todos nós uma maior consciência do que somos e do que acreditamos." (NAVARRO, 2000:114).

A responsabilidade da consciência bem-formada é, portanto, fundamental para o sucesso da existência humana em geral, e de cada pessoa em particular. Por exemplo: uma consciência cívica nacional, relativamente ao exercício de deveres e direitos, no desempenho de cargos públicos ou privados, estes, porém, ao serviço das comunidades e das pessoas, é condição para um desenvolvimento sustentável que conduz à felicidade, na perspectiva, e no conceito, de uma melhor qualidade de vida para a sociedade.

Neste "caldo" de ingredientes para o sucesso, também se deverá incluir a dimensão ética do ser humano, desde logo para um comportamento verdadeiramente digno da condição da pessoa humana. Com efeito, torna-se necessário refletir e agir em conformidade, nomeadamente: "Sei quem sou …, respeito-me. Essa consciência de mim mesmo resulta, inevitavelmente, numa maior consciência do outro e num comportamento definido pela ética.

Se quero ser ouvido, consultado, aceite, reconhecido, preciso, antes de mais devo ouvir, consultar, aceitar e reconhecer o outro. Essa é a base do diálogo e das parcerias bem-sucedidas. Se estou efetivamente determinado a conseguir melhor qualidade de vida para mim e para aqueles que amo, certamente terei um comportamento ético, de respeito pelo mundo em que vivemos e pelos seus habitantes. Nesse sentido a ética associa-se à cidadania." (ibid.:115).

Em princípio, o sucesso não é mérito exclusivo de quem o alcança. Por um lado, existe sempre quem colabore, positivamente (também negativamente) nos projetos de cada pessoa; por outro lado, o fator sorte estará presente, com maior ou menor influência.

Convém não ignorar que o êxito é tanto mais reconhecido e aceite, quanto mais humilde e grato for quem o alcança. Humildade e Gratidão andam sempre de "braço-dado", são duas virtudes, das maiores, que só dignificam quem as possui e, sem complexos nem vergonhas, as exterioriza e aplica na sociedade.

É pela humildade que melhor se compreendem certas situações. Esta magnífica virtude, também conduz à solidariedade, à amizade e à lealdade, e que, em "cúmulo axiológico" fortalecem as atitudes de gratidão, e proporcionam ensinamentos de vida, que não se aprendem em nenhuma escola.

Na verdade, e a partir daqueles valores, constata-se que: "Por trás das nossas perdas estão ganhos e lições de valor incalculável, que as nossas deceções e frustrações propiciam crescimento, que as pessoas que mais nos prejudicam são os nossos melhores mestres e que diante de cada situação devemos sempre perguntar: o que tenho de aprender com isto?" (Ibid.:116).

Muitas são as virtudes, os valores e até os sentimentos que podem contribuir para o sucesso, porque o ser humano constrói-se ao longo da vida das pessoas, dos povos e das nações. O sucesso é transversal a toda a sociedade, e quanto maior ele for, em todas as dimensões da pessoa humana, tanto melhor se viverá num mundo tão complexo, quanto difícil. O sucesso mundial passa pelos êxitos individuais e, neste sentido, cada pessoa terá de saber exercer, com rigor, com honestidade e com determinação as respetivas funções, desde logo, no quadro do relacionamento interpessoal.

Na relação pessoal entre pessoas, que se respeitam, se consideram e se estimam, é necessária uma atitude de cada uma delas saber colocar-se no lugar da outra, para assim melhor compreendê-la e ajudá-la. Com efeito: "Desde o princípio dos tempos, todos os grandes mestres da humanidade pregaram o amor e a compreensão nas nossas relações e nas nossas comunidades. Não desperdiçaram o seu tempo a instruir-nos sobre o modo de acumularmos um excesso de bens materiais; não nos ensinaram a sermos maldosos, egoístas, rudes e arrogantes." (BRIAN, 2000:139).

As manifestações e boas práticas de sentimentos nobres, como o amor, a compaixão, a caridade, entre outros, só dignifica quem os possui e, indiscutivelmente, ajuda quem deles precisa, o que vai contribuir para o sucesso das partes assim envolvidas, porque quando se fala em êxito, em ganhar, em vencer, pode-se considerar que neste resultado final, também entram elementos de natureza imaterial, como os princípios, os valores, os sentimentos e as relações interpessoais, que à voltam deles giram.

Na caminhada para o sucesso, que toda a pessoa deseja fazer e atingir bons resultados, um requisito é fundamental: ser-se honestamente competente. É necessário que tudo o que tiver de ser perfeito, para se alcançar o sucesso, deve pressupor exigência, rigor, afinal, competência: seja na execução de funções práticas, concretas, mensuráveis; seja na aplicação assertiva, íntegra e firme de valores e sentimentos, considerando que estes se enquadram em contexto abstrato, próprios de cada pessoa, ou seja: os valores e os sentimentos não são mensuráveis, nem iguais em duas pessoas, mas são determinantes para o êxito.

Como nota final, talvez meditar um pouco sobre a influência de determinadas atitudes no alcance, ou não, do sucesso: "O Dinheiro, faz homens ricos; o Conhecimento, homens sábios; e a Humildade, faz grandes homens. Existem pessoas que não tem absolutamente nada, mas porque ocupam um determinado cargo em alguma grande, média ou pequena empresa, acham-se no direito de se sentirem superiores aos demais.

Em bom rigor são pequenos e só conseguem sentir-se grandes, humilhando, pisando, ridicularizando o seu semelhante, isso está sendo plantado em muitas empresas e o que colhem são pessoas amargas, doentes e determinadas a vencer a qualquer preço. Na verdade, se tornam pessoas infelizes e incapazes de realizações simples. "Não é riqueza ou o dinheiro que nos trazem felicidade, e sim a interpretação da vida." (Autor Desconhecido, 2012).

BIBLIOGRAFIA.

BAKER, Mark W., (2005). Jesus o Maior Psicólogo que já Existiu. Tradução, Cláudia Gerpe Duarte. Rio de Janeiro: Sextante.

BRIAN L. Weiss, M.D. (2000). A Divina Sabedoria dos Mestres. Um Guia para a Felicidade, alegria e Paz Interior. Tradução, António Reca de Sousa. Cascais: Pergaminho.

NAVARRO, Leila e GASALLA, José Maria, (2007). Confiança. A Chave para o Sucesso Pessoal e Empresarial. Adaptação do Texto por Marisa Antunes. s.l., Tipografia Lousanense

NAVARRO, Leila, (2000). Talento para Ser Feliz. 10ª Edição. S. Paulo: Editora Gente. Direitos Cedidos para Edição portuguesa à Editora Pergaminho, Ldª., 1ª Edição. Cascais, 2002

Diamantino Bártolo


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