TRIBUNA
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O SNS TRATA A DOENÇA, MAS AINDA NÃO APRENDEU A PREVENIR!
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O Serviço Nacional de Saúde (SNS) constitui uma das mais relevantes conquistas civilizacionais da democracia portuguesa. Universal, tendencialmente gratuito e assente em princípios de equidade, tem sido decisivo na melhoria dos indicadores de saúde ao longo das últimas décadas. Contudo, persiste uma fragilidade estrutural que importa reconhecer com lucidez: o SNS continua predominantemente orientado para a resposta à doença instalada, revelando ainda uma insuficiente maturidade no domínio da prevenção.
Esta assimetria não é meramente técnica, é também cultural, organizacional e política. A lógica assistencialista, centrada no episódio agudo e no hospital, sobrepõe-se frequentemente a uma visão longitudinal e ecológica da saúde. Ora, a evidência científica em Saúde Pública é inequívoca: os maiores ganhos em saúde resultam de intervenções preventivas, sustentadas no território e próximas das populações.
É neste quadro que a Enfermagem Comunitária emerge como um pilar silencioso, mas absolutamente estruturante. O Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária não se limita a executar cuidados, exerce uma prática ancorada na epidemiologia, na educação para a saúde e na capacitação das pessoas e famílias. Trabalha sobre determinantes sociais, muitas vezes invisíveis nos circuitos clássicos da prestação de cuidados, como a pobreza, literacia em saúde, isolamento, padrões culturais e comportamentais.
Na Saúde Escolar, por exemplo, a intervenção da Enfermagem assume um valor estratégico de longo prazo. A promoção de estilos de vida saudáveis, a prevenção de comportamentos de risco e a identificação precoce de vulnerabilidades constituem investimentos com retorno intergeracional. Não se trata apenas de evitar doença futura, mas de "construir e educar" cidadãos mais conscientes, autónomos e resilientes.
No acompanhamento das Famílias, o Enfermeiro desempenha uma função insubstituível de proximidade e continuidade. A visita domiciliária, frequentemente desvalorizada nos modelos de gestão, é um instrumento clínico e social de elevada densidade. Permite compreender o contexto real de vida, ajustar intervenções e estabelecer relações de confiança que nenhum outro dispositivo institucional consegue replicar com igual profundidade, particularmente no acompanhamento da doença crónica.
Importa ainda sublinhar a dimensão de liderança que estes profissionais exercem na comunidade. Longe de uma visão hierárquica tradicional, trata-se de uma liderança relacional, baseada na articulação intersectorial. Os Enfermeiros são frequentemente interlocutores privilegiados entre unidades de saúde, escolas, autarquias, instituições sociais e associações locais. Este trabalho em rede é essencial para enfrentar problemas complexos que não cabem em silos institucionais.
Do ponto de vista da economia da saúde, a prevenção não é um luxo, mas uma necessidade imperativa. Sistemas excessivamente centrados no tratamento tornam-se financeiramente insustentáveis e socialmente ineficientes. Investir na comunidade, na literacia e na intervenção precoce significa reduzir internamentos evitáveis, atrasar a progressão de doenças crónicas e melhorar a qualidade de vida.
A questão, portanto, não é saber se devemos apostar na prevenção, mas se temos a coragem política e organizacional para reconfigurar prioridades. Tal implica valorizar verdadeiramente a Enfermagem Comunitária, dotá-la de recursos adequados e integrá-la nos processos de decisão estratégica e de planeamento em saúde.
Enquanto o SNS persistir numa lógica reactiva, continuará enredado num ciclo oneroso e eticamente questionável, onde a doença tardia alimenta listas de espera intermináveis e circuitos cirúrgicos que, não raras vezes, beneficiam interesses parcelares sob a capa da urgência clínica. A montante, falhou-se na prevenção, a jusante, paga-se caro, por vezes com recurso a mecanismos de financiamento cuja transparência e justeza algumas vezes têm sido legitimamente escrutinadas no espaço público. Este modelo não é apenas financeiramente gravoso, é socialmente assimétrico e moralmente desconfortável, pois normaliza a ideia de que a resposta só ganha prioridade quando a doença se agrava e se torna rentável.
A prevenção, pelo contrário, exige investimento contínuo, inteligência organizacional e coragem política para deslocar o foco do episódio para o percurso de vida. Exige proximidade, literacia e uma presença consistente na comunidade. E, sobretudo, exige reconhecer, sem ambiguidades, que a saúde se edifica muito antes do limiar hospitalar, onde já chega, tantas vezes, demasiado tarde.
Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
25 de Abril de 1974. A Conquista da Autoridade Democrática Portuguesa
Portugal, decorridos cinquenta, após a Revolução de vinte e cinco de abril de mil novecentos e setenta e quatro, assumida responsavelmente pelos valorosos "Capitães de Abril", assim mais tarde designados, vive, atualmente, uma tranquilidade e um desenvolvimento que faz inveja a grandes potências mundiais, para além da liberdade que se "respira" e experimenta na vida corrente dos cidadãos e das instituições.
Está por escrever a História do 25 de abril de 1974, nesta data consubstanciada numa Revolução Democrática, Pacífica e Exemplar, que viria a designar-se por "Revolução dos Cravos", devido ao facto de nas extremidades das espingardas, e outras armas dos militares, juntamente com as munições, terem sido colocados cravos vermelhos, a que se uniria o povo anónimo a distribuir, nas ruas, estas lindas e tão simbólicas flores.~
Naturalmente que, como em qualquer revolução, haveria algum confronto entre os apoiantes deste ato, libertador de uma ditadura de quase meio século, para a passagem a uma democracia, e aqueles que continuavam e desejavam manter o antigo regime ditatorial e, nesta tensão, seria necessário tomar algumas medidas mais robustas, até à rendição dos principais responsáveis governamentais e altos quadros civis e militares, por isso, um reduzido número de disparos, teriam sido realizados, precisamente para intimidar; jamais para ferir ou matar.
Aceita-se, e até se compreende, que existam diferentes versões deste acontecimento extraordinário, que a História e os seus especialistas, investigadores e intervenientes diretos, um dia darão conta aos Portugueses, e ao mundo, mas existem realidades que já são verdades e factos incontestáveis, que não carecem de qualquer prova científica, ao fim destas décadas de Democracia.
As consequências, mais evidentes, desta revolução modelar estão à vista de qualquer pessoa, inclusive, das menos informadas política e historicamente, por isso e em jeito de breves tópicos, destacam-se as seguintes:
Cessação das guerras coloniais;
Independência das então colónias;
Restauração dos direitos, liberdades e garantias para todos os cidadãos;
Aprovação e implementação de uma nova Lei Fundamental, para um Estado Democrático de Direito;
Eleições livres por sufrágio direto, universal e presencial, para os Órgãos de Soberania:
Assembleia da República,
Presidência da República
Governo, assim como para as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira; Autarquias Locais: Assembleias Municipais, Câmaras Municipais e Assembleias de Freguesia;
Entre outros desfechos positivos que se vieram a concretizar pós-revolução, como a famosa trilogia dos "3D's": Descolonizar, Democratizar e Desenvolver.
Portugal é, atualmente, primeiro quarto do século XXI, uma autoridade em Democracia, fazendo cobiça, seguramente, às poderosas nações económica e financeiramente assim reconhecidas.
Os Portugueses são um povo de fracos recursos naturais, contudo, riquíssimo em recursos humanos, meios culturais, a todos os níveis e, também, em vários domínios da ciência, da técnica, da política democrática, cívica e multirracial.
Os Lusitanos, atravessam um dos grandes e brilhantes momentos da sua História, apesar das dificuldades económicas, financeiras e sociais, porque tem passado, neste primeiro quarto do século XXI, na medida em que foram muitos os sacrifícios impostos à população:
Austeridade praticamente incontrolada e cruel, que arruinou a classe média, e atirou para a miséria mais de quinze por cento das famílias. Todas estas dificuldades têm vindo a ser ultrapassadas com grande coragem, eficácia, realismo e esperança em melhores dias.
Portugal, hoje, é um país pacífico, onde se pode olhar o futuro com otimismo, um território cujo povo se revela profundamente humanista e bondoso, basta analisar a nova política de acolhimento de refugiados, oriundos de países em guerra, de regimes extremistas, nos quais a dignidade e os direitos humanos perderam ilegítima e ilegalmente qualquer sentido.
BIBLIOGRAFIA.
PAPA FRANCISCO (2016) Todos os Dias com Francisco. Prefácio, Padre Vitor Melícias. Seleção e Organização, Helder Guégués. Lisboa: Guerra & Paz, Clube do Livro.
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Cemitérios de Caminha - Fragmentos de memória
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Autor: Lurdes Carreira
Edição: C@2000
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Há estórias de casas e casas com história Externato de Santa Rita de Caminha
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Autor: Rita Bouça
Edição: C@2000
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República em Tumulto
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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História Nossa Crónicas de Tempos Passados por Terras de Caminha e Âncora
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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Do Coura se fez luz
Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento Apoiado pela Fundação EDP
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Da Monarquia à República no Concelho de Caminha Crónica Política (1906 - 1913)
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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O Estado Novo
e outros sonetos políticos satíricos
do poeta caminhense
Júlio Baptista (1882 - 1961)
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Organização e estudo biográfico do autor
por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora
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Autor: Joaquim Vasconcelos
Edição: C@2000
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Memórias da Serra d'Arga
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Autor: Domingos Cerejeira
Edição: C@2000
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