TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor
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CAMINHA, UM DIAMANTE POR LAPIDAR. A RIQUEZA QUE NASCE DO TERRITÓRIO
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Entre o mar, o rio e a montanha, Caminha reúne recursos naturais, actividades económicas e tradições que constituem uma riqueza que importa valorizar. A pesca, a agricultura, a gastronomia e o comércio fazem parte da história das suas comunidades e continuam a representar oportunidades de desenvolvimento. O desafio consiste em transformar este património numa economia mais dinâmica, sem perder a identidade que distingue o território.
A cooperação com A Guarda e O Rosal, na Galiza, poderá ampliar essas oportunidades. A Eurocidade da Foz do Minho deverá procurar complementaridades entre os três concelhos, criando condições para que produtores, comerciantes, pescadores e empresários encontrem novos mercados e reforcem a sua capacidade de iniciativa.
O comércio local merece um lugar central nesta estratégia. As pequenas lojas, os mercados, os restaurantes e os estabelecimentos de proximidade geram emprego, sustentam famílias e fazem circular rendimento. São também espaços de encontro, confiança e memória colectiva. Quando o comércio perde vitalidade, não desaparecem apenas negócios. Perdem-se relações sociais, serviços de proximidade e parte da identidade das nossas vilas.
A sua valorização exige qualificação, modernização, presença digital e promoção conjunta. Uma marca territorial, associada à gastronomia, aos produtos locais e à autenticidade da oferta, poderá aproximar produtores e consumidores, estimular circuitos curtos de comercialização e contribuir para que mais riqueza permaneça nas comunidades.
A pesca artesanal constitui outro património fundamental. É actividade económica, fonte de rendimento familiar e conhecimento transmitido entre gerações. A sua modernização não pode significar industrialização ou descaracterização. Deve traduzir-se em melhores condições de segurança, conservação, comercialização e remuneração, preservando a escala humana e a relação histórica das comunidades com o mar e o rio. Neste contexto, importa acompanhar a reestruturação do Portinho de Pesca de Vila Praia de Âncora e avaliar as necessidades das infraestruturas piscatórias de Caminha, incluindo o cais da Rua, cuja localização e eventual requalificação deverão ser ponderadas. Estas intervenções devem responder às necessidades reais dos profissionais e assegurar a continuidade de actividades que fazem parte da identidade local.
A economia azul acrescenta possibilidades. A náutica de recreio, as actividades marítimas e fluviais e a valorização do estuário justificam o estudo de um porto de abrigo na foz do Minho e de uma marina dimensionada de acordo com a procura e a viabilidade económica, ambiental e náutica. A concretização destas propostas deverá respeitar a sensibilidade ecológica do estuário e a sustentabilidade dos recursos.
O robalo, o sável e a lampreia do Minho, a truta do Coura e Âncora, o vinho, o mel e as carnes e enchidos da Montanha podem integrar uma estratégia de valorização gastronómica e comercial. A hotelaria e a restauração poderão funcionar como elos desta cadeia de valor, beneficiando os produtores e os comerciantes e transformando a presença de residentes, trabalhadores e visitantes em actividade económica.
Pierre Bourdieu ajuda-nos a compreender que os recursos económicos não esgotam a riqueza de uma comunidade. Os saberes, as relações sociais e o património cultural também constituem formas de capital que podem ser mobilizadas em benefício colectivo. É precisamente essa riqueza, material e imaterial, que importa reconhecer.
Os instrumentos europeus de financiamento poderão apoiar projectos elegíveis, desde que exista planeamento, capacidade técnica e uma estratégia coerente. Mais do que procurar fundos para iniciativas dispersas, importa definir prioridades e assegurar que os investimentos respondem às necessidades das populações.
Desenvolver Caminha, A Guarda e O Rosal não significa transformar as suas comunidades em cópias de outros territórios. Significa valorizar o que são, melhorar as condições de vida e criar oportunidades a partir daquilo que possuem.
Um diamante não revela todo o seu valor apenas por existir. Precisa de ser reconhecido, trabalhado e valorizado. A riqueza da Foz do Minho merece esse esforço, com uma estratégia que transforme o património em oportunidade e a identidade em prosperidade partilhada.
ARTE E BELEZA
A Estética é uma ciência: recente, na sua estruturação quanto ao método e ao objeto; antiquíssima, quanto à sua etimologia. A História da Estética está ligada à História da Filosofia, enquanto é compreensão hermenêutica da arte e, neste contexto, temos uma Filosofia da Arte, ou seja, uma Estética Filosófica, aquela que, verdadeiramente, interessa a este trabalho.
Etimologicamente, e no seu sentido originário grego, a "aisthesis" é sinónimo de sensação e percepção, no âmbito da cultura helénica. Ao nível da compreensão, verificam-se duas linhas: a dos filósofos e a dos poetas, consistindo: a primeira, numa capacidade de perceber, conhecimento inferior ao da razão, eminentemente epistemológico e inferior à lógica. Nesta estética o respetivo campo estético é inferior ao intelecto.
Quanto à segunda, compreensão, a dos poetas, o seu sentido é fornecido pela percepção dos sentidos, o que implica que o seu objeto tenha as mesmas características que o objeto da percepção, igual à assunção pelo sujeito, sendo necessário que, do ponto de vista do objeto, este seja dotado das características do sujeito, isto é, clareza, proporção, medida. Os poetas revalorizam assim o poder da perceção sensitiva nas pessoas que têm todas as faculdades.
Além dos níveis de compreensão na cultura grega, que são o gnosiológico e o epistemológico, há, ainda, um nível existencial que significa que a Estética, como percepção sensível, é uma experiência racional integradora, completa e englobante, e é esta relação sujeito-objeto, que resulta na harmonia estética, que evidencia o sentido do belo, da arte e do prazer estético.
A tarefa da Estética a nível histórico é procurar esclarecer os problemas relacionados com a Arte e a Beleza, ela representa o próprio desenvolvimento do pensamento humano, no entanto, como disciplina filosófica, o positivismo admitia-a como ciência positiva, contudo, haveremos, hoje, terceira década do século XXI, de considerar que o positivismo terá, eventualmente, uma visão redutora da ciência e, portanto, nele não cabem os valores estéticos universais da Arte e da Beleza, por isso, não tem lugar a Estética Filosófica como ciência especulativa, que busca explorar, sobre certos valores, mas que não é uma axiologia, porque não são valores do agir, mas do fazer da Arte e da Beleza, logo a especulação estética não se identifica com a Ética.
A Arte tem por fim exprimir a beleza, e produzir na alma dos espectadores a emoção estética, que o artista sentiu, e por meio desta emoção estética, a Arte moraliza e inspira a virtude. Na verdade, a emoção estética desapega a alma de tudo o que é pequeno e mesquinho.
A Arte é um refúgio, onde o homem encontra o repouso para as suas preocupações vitais, nascendo nele o sentimento da adoração e da admiração, desenvolvendo a simpatia, produzindo o respeito, contribuindo para uma melhor educação individual e coletiva, local, nacional, comunitária e universal.
A Arte, destinada, por essência, a elevar o homem, pode também produzir efeitos nocivos, mas cuja responsabilidade cabe, exclusivamente, ao espectador ou ao artista. A arte-pela-arte será sempre verdadeira, quanto se pretende exprimir um fim próprio, orientada no sentido último do homem que é Deus, sem O qual, o homem não pode viver, para O qual, o homem procura convergir, precisamente pela Arte, que é cultura, síntese do que há de mais perfeito, numa época, num país, numa sociedade, por isso: país sem arte, é país sem cultura, sem perspectivas, sem sentido último supremo.
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Cemitérios de Caminha - Fragmentos de memória
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Autor: Lurdes Carreira
Edição: C@2000
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Há estórias de casas e casas com história Externato de Santa Rita de Caminha
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Autor: Rita Bouça
Edição: C@2000
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República em Tumulto
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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História Nossa Crónicas de Tempos Passados por Terras de Caminha e Âncora
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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Do Coura se fez luz
Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento Apoiado pela Fundação EDP
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Da Monarquia à República no Concelho de Caminha Crónica Política (1906 - 1913)
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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O Estado Novo
e outros sonetos políticos satíricos
do poeta caminhense
Júlio Baptista (1882 - 1961)
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Organização e estudo biográfico do autor
por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora
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Autor: Joaquim Vasconcelos
Edição: C@2000
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Memórias da Serra d'Arga
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Autor: Domingos Cerejeira
Edição: C@2000
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Outras Edições Regionais
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