Com este livro conclui-se uma trilogia de obras dedicadas à história da Primeira República no concelho de Caminha, encetada com Da Monarquia à República no concelho de Caminha. Crónica política [1906-1913] — publicado em 2010 quando das celebrações do 5 de Outubro — e continuada em 2019, na sequência do centenário da Primeira Guerra Mundial, com República em Tumulto. O concelho de Caminha nos anos da Grande Guerra, de Sidónio à Monarquia do Norte e da Pneumónica [1914-1919].
A sua edição coincide com a passagem dos cem anos sobre o golpe militar de 28 de Maio de 1926, que pôs fim à república liberal e abriu o longo período ditatorial que antecedeu o Estado Novo e preencheria quase metade do século XX português.
No período em análise, a política local continuou inicialmente condicionada pela forte rivalidade entre os médicos Damião José Lourenço Júnior e Luís Inocêncio Ramos Pereira e as duas localidades mais representativas do concelho — a vila de Caminha e a Praia de Âncora —, mas após o 28 de Maio destacam-se novos protagonistas, como o coronel-médico Domingos dos Santos Guerreiro, o tenente Claro Outeiro, o advogado Bento Coelho da Rocha, o escrivão Casimiro Soares da Silva, os farmacêuticos João José de Brito e Manuel Rodrigues Pires, até o professor, etnógrafo e arqueólogo vianense Abel Viana.
Acontecimentos marcantes na vida do concelho são pormenorizados nos seus devidos contextos regional e nacional:
— a emissão de cédulas de papel-moeda pelo município quando da crise económica de 1920-1921;
— a elevação administrativa de Gontinhães a Vila Praia de Âncora em 1924;
— a prisão do juiz João de Barros Morais Cabral e do padre António do Carmo Pereira acusados de estarem implicados na Revolta de Fevereiro de 1927;
— a abertura do Sanatório Marítimo da Gelfa em 1929;
— o início dos serviços telefónicos no concelho e a inauguração da nova ponte em cimento armado sobre o rio Coura em 1930;
— a formação da primeira comissão política local da União Nacional e a ascensão aos principais cargos políticos municipais dos lanhelenses Francisco Odorico Dantas Carneiro e Ilídio Couto em 1931.