Com a presença das presidentes de Câmara de O Rosal e Caminha e um conselheiro do Município de A Guarda, foram apresentadas esta manhã na sede da Liga de Amigos de O Rosal, as linhas mestras do projeto transfronteiriço da Eurocidade englobando estes três municípios, iniciativa recentemente aprovada no âmbito do Interreg Espanha-Portugal e cofinanciado em 75% pelo FEDER.
A Guarda e o Rosal comparticiparão com a mesma verba (192.000€) e Caminha com 189.000€.
"O Miño que nos une"
"As raízes constroem-se desde a comunidade", assinalou Ánxela Callis, alcaldesa de O Rosal, após dar as boas-vindas aos seus colegas autarcas, vincando desde logo que "uma unidade começa, quando "as pessoas se conhecem entre elas", desafiando todos a "pensar nos concelhos que queremos para dentro de 20/30 anos".
Realçou a importância de "trabalharmos juntos", criando redes, e realizando um estudo conjunto para uma região transfronteiriça (Rio Minho) na qual diariamente transitam 50% dos veículos entre os dois países.
"Somos a fronteira da paz"
Ánxela Callís classificou esta região do Baixio Minho como sendo uma "fronteira de paz", num mundo cercado pela guerra, dizendo-se disposta a que os três municípios "mostrem outra maneira de fazer fronteira", porque, "o Rio Minho, as pessoas e as suas relações estiveram sempre aí".
"Não será apenas uma marca mas uma estratégia comum"
Caminha esteve representado pela sua presidente Liliana Silva, dizendo no início da sua intervenção que após séculos de separação, este século XXI "pode tornar-se numa linha de união, de oportunidades e de desenvolvimento", uma visão em que desde sempre acreditou.
Lamentou que durante muito tempo os poderes centrais tivessem considerado estas regiões como de "periferia", fora das "grandes estratégias nacionais", mas "o paradigma mudou" e esta zona do Baixo Minho é definida como "um território europeu de fronteira, atlântico, de ligação entre Portugal e Espanha", assumiu.
Como os dois países "podem trabalhar em conjunto", crê a autarca, "o que faz falta é escala, organização, estratégia e capacidade de apresentar voz comum", sendo nestes vetores que residirá a diferença futura.
"As empresas procuram parceiros para além das fronteiras", tal como todos os estratos das duas sociedades o fazem, incluindo o turismo, levando-a rejeitar que estejam apenas "a criar uma marca", mas sim uma estratégia comum de território".
"Precisamos de ambição"
Aplicou a palavra "ambição" na vontade de "fixar jovens", além de "valorizar os nossos recursos e exigir às administrações centrais e às instituições europeias que olhem para este território com a importância que ele efetivamente tem", porque o que estava em causa, era "a qualidade de vida e o futuro" de uma população.
Nesta sua perspetiva, englobou como questão "central para esta Eurocidade, uma ligação rodoviária", porque considerou ser errado que ela "esteja condicionada por uma travessia que não responde plenamente às necessidades atuais das nossas populações e das nossas economias".
"Ponte pode melhorar profundamente relação"
"A Eurocidade precisa de pontes", tanto "institucionais, como económicas, culturais e humanas", mas sobretudo, de "uma ponte física que una verdadeiramente os territórios", reforçando que "não dever ser só vista como uma obra de engenharia, mas como uma infraestrutura estratégica de desenvolvimento, que aproxima pessoas, encurta distâncias, melhora a mobilidade, facilita atividade económica, reforça o turismo, aproxima empresas e mercados e melhora a resposta dos serviços públicos e cria novas oportunidades para as nossas associações".
Liliana Silva incitou os presentes a lutar por uma ponte que "pode melhorar profundamente a relação" entre o Minho e a Galiza.
"Queremos uma fronteira inteligente"
Assim, vincou que "a ponte tem de entrar na agenda política" a fim de permitir uma "mobilidade adequada" a todos os agentes que dela venham a usufruir.
A autarca caminhense pretende que a Eurocidade que acaba de dar mais um passo, "seja uma voz que se faça ouvir em Lisboa, Madrid e Bruxelas" e seja "reconhecida pelas pessoas, desde que lhes crie oportunidades" e tenha "alma".
A presidente da Câmara decidiu ainda dirigir-se ao concelho a que preside, "um território de rio e mar", para reconhecer que cada município não deve apenas pensar apenas em si, mas antes "defender um território comum e o seu próprio futuro".
Terminou a dizer que "hoje demos um passo, mas temos que ser consequentes", e alertando que "a fronteira não é o nosso limite, mas a nossa oportunidade", parafraseando seguidamente as palavras da alcaldesa anfitriã, quando disse que "não era Rio Minho que nos separa, mas o que nos une".
"Compartimos problemas e desafios"
"Aprendemos a pensar como um único território", admitiu Isidro Lomba, conselheiro do Município de A Guarda, seu representante nesta apresentação, apostado em deixar melhores condições para viver às novas gerações.
Através desta figura da Eurocidade, o vereador galego pretende "conseguir recursos para reforçar laços de cooperação", esperando que ela seja "compreendida e vivida pelos cidadãos".
Tal como os seus predecessores, comungou da ideia de que esta fronteira "é muito mais permeável do que por vezes pensamos", face ao relacionamento sempre existente entre as duas margens, devendo agora dotá-la de uma "infraestrutura com maior visibilidade e novas oportunidades".
Isidro Lomba disse ainda que estão criadas condições para tornar a região numa "fortaleza" e numa "riqueza", fruto da cooperação entre todos.
Vídeo promocional
Após a projeção de um vídeo promocional dos três municípios e do texto das seis atividades principais pelas quais se regerá a Eurocidade, encerrou o ato Xosé Lago Garcia, sub-diretor geral da Ação Exterior da Xunta da Galiza, para realçar a quantidade de projetos idênticos existentes em vários pontos da Europa, e que a partir de 2021passaram a possuir "consistência jurídica" na Galiza, dando como exemplos as de Cedeira. Stª Maria da Feira, Vérin-Chaves - esta a primeira eurocidade a ser criada - seguindo-se Tui-Valença, Tomiño-Cerveira, Salvaterra-Monção e a de Melgaço com vários municípios do outro lado do rio, faltando agora esta no Baixo Minho.
Sendo certo que a Eurocidade da Foz do Miño receberá verbas comunitárias para o desenvolvimento dos seus projetos, Xosé Lago aconselhou a que gastem esse dinheiro, mas "guardem as faturas, para verem que gastaram bem".