A Junta de Freguesia da altura, foi contactada pelos responsáveis da "Música no Coração" para relançar em 1996 o Festival de Vilar de Mouros, após duas edições em 1971 e 1982.
Este interregno era uma ferida nunca resolvida desde a última edição, apesar do sucesso musical de 1982, mas que deixou receios sociais na população após esses oito dias de um evento frenético.
Carlos Alves era o presidente da Junta de Freguesia (CDU) que acolheu de imediato o desafio dessa empresa, tal como o fez Valdemar Patrício, presidente da Câmara socialista.
30 anos depois
Completaram-se precisamente em 2026, 30 anos do regresso do evento.
Carlos Alves foi o autarca que mais tempo acompanhou a evolução do Festival pioneiro em Portugal, considerado "o pai de todos os que se seguiram", como frisou este vilarmourense, tendo assistido e colaborado com as suas equipas na reabilitação do evento.
Foram 20 anos no cargo a apoiar o evento, até que no ano passado deixou o testemunho a outro vilarmourense, após três mandatos consecutivos, o que o obrigou a abandonar a presidência por inerência da lei de limitação de mandatos.
José Maria Barros (PSD) sucedeu-lhe no posto, voltando este partido a dominar a autarquia (com maioria relativa), após os mandatos de Armando Ranhada, autarca este que esteve na génese da edição de 1982, juntamente com Pita Guerreiro à frente da Câmara Municipal, e o maestro Victorino d'Almeida como diretor musical.
"Uma tranquilidade muito maior"
Agora, Carlos Alves assiste ao Festival "com uma tranquilidade muito maior", como um simples vilarmourense, "desprendido", o que considerou uma "parte importante da vivência do Festival".
Encontramo-lo no largo de Chousas (rebatizado nos anos 2000, com o nome do idealista do Festival de Vilar de Mouros - o médico Antínio Barge), espaço este adquirido pelas juntas que liderou, o que permitiu à freguesia assumir um papel preponderante nas negociações com as empresas que organizaram os eventos, bem como no relacionamento com as diferentes câmaras municipais.
Insistiu que a reabilitação do Festival de Vilar de Mouros "seria importantíssima para a freguesia, para o concelho e para toda a região alto-minhota", dando seguimento a um "desejo muito amplo de António Barge", que "não conseguiu concretizá-lo, como ele desejava", mas "considero-me muito feliz", prosseguiu Carlos Alves, "por ter conseguido dar continuação a essa vontade".
Satisfação pela "pujança e solidez"
O ex-autarca manifestou satisfação pela "pujança e solidez" que o evento voltou a revelar este ano, fazendo votos para que assim continue "por muitos anos", até porque "me sito parte integrante desta família", tendo ajudado a crescer, através de diversos melhoramentos realizados ao longo dos anos, dando como exemplos a instalação de um parque de merendas, acessos à praia, parques de estacionamento".
Disse-nos que "não sinto qualquer nostalgia" pelos momentos que viveu na preparação e acompanhamento das diferentes edições, mas simplesmente "orgulhoso pelo papel que fui desempenhando ao longo de todos estes anos, bem como a Junta.
Apesar da consistência que Vilar de Mouros vem revelando, não duvida que se não tivesse sido a ação desastrosa de uma câmara social-democrata em meados da primeira década deste século, este evento teria atingido outros patamares bem maiores.