A direção do Sporting Club Caminhense recém-eleita, decidiu apostar num treinador estrangeiro para esta época desportiva.
Foi apresentado esta manhã no posto náutico do Clube, com quem o C@2000 falou após ter reunido com os diretores, preparando a estratégia adequada às necessidades, objetivos e realidade desta associação desportiva que procura regressar à elite do Remo português.
Assim o entendam todos os sócios, colaborando, neste ano muito especial em que se comemora um século de vida.
Lucian Moldovan Tilea, 69 anos, nascido em Timisoara, a terceira cidade mais populosa da Roménia, falando fluentemente castelhano - o que é uma vantagem nesta região fronteiriça - possui um currículo desportivo relevante, quer como atleta, quer como técnico.
Até que se reformou há dois anos, exerceu funções técnicas em Pontevedra, no Centro Galego de Tecnificación. Antes, colaborou com a equipa nacional júnior de Espanha. Há 30 anos, passou a integrar a equipa técnica da seleção nacional romena em todas as categorias (como diretor técnico).
Títulos olímpicos e mundiais"
"Consegui bastantes títulos com a seleção romena, embora já não me recorde quantos, tanto olímpicos, como mundiais".
Enquanto júnior, remou num clube escolar de Timisoara, de onde transitou para o clube universitário, primeiro nesta cidade e depois transferiu-se para o da capital da Roménia, Bucareste.
Remou durante 10 anos, até que uma lesão durante um treino o obrigou a abandonar a competição - antes das Olimpíadas de Moscovo, em 1980 -, "dedicando-me a treinar a partir de então até hoje", contou-nos ao descrever o seu currículo desportivo.
"Tanto remei em remos parelhos, como de ponta, porque gostava de ambos…mas acima de tudo, o que gostava era de remar".
"Assim comecei a remar"
Veio para o remo por uma "casualidade".
Exlicou que "eu lia muito quando era jovem, fazendo pouco desporto, e numa ocasião, quando estava na cama a ler, a minha mão mandou-me ir buscar uma maçã ao cimo de um armário, caí e tive uma lipotimia (desmaio). A minha mãe levou-me a um cardiologista e após realizar exames, disse-me que não tinha nada, mas recomendou-me que fosse praticar remo. E assim comecei a remar".
Lucian Moldovan Tilea surgiu no Sporting Club Caminhense após ter sido contatado pela direção, numa altura em que "pensava ir treinar para outra parte de Espanha, depois de uma pausa de dois anos, o que já me aborrecia".
"Reformado, está bem, mas sem atividade é pior", assim justificou o regresso à modalidade de toda uma vida.
"Chamaram-me do Caminhense, vim cá, falamos, chegamos a um acordo e estamos a começar", logo na manhã de hoje, em que manteve uma reunião com os diretores, após uma apresentação aos remadores.
Será diretor-técnico do SCCaminhense, tendo a coadjuvá-lo João Costa e Tiago Covinha, e ainda contará com a colaboração de Ângela Chevarria.
Anthony Passos orientará o remo de mar.
Joni Santos e Ilídio Valadares serão os diretores desportivos.
É consciente da grandeza do SCCaminhense nestes 100 anos, bem como da sua fragilidade nas últimas épocas. Sabe que o desafio é grande em direção a um regresso triunfal que todos anseiam.
Promete que com "o meu trabalho, estou certo que todos vão melhorar, dependendo também de como responderão, bem como do nível dos clubes que se encontram por cima em Portugal".
Acredita que "se houver atletas com muita qualidade, poderão obter bons resultados a nível internacional".
"Para treinar um oito há que ter gente"
Inicialmente, "pretendo organizar a parte técnica", deixando a administração e organização aos membros da direção "como é normal", acentuou, contando "colaborar depois com os técnicos à disposição e tentar que cada desportista melhore, captar mais remadores, nomeadamente em seniores", um escalão em que não há muitos, reconhece.
"Para treinar um oito, há que ter gente", e assume que é "boa a concorrência, sendo preferível ter mais do que oito atletas do que apenas os necessários para formar um Shell/8".
"O físico é que decide"
Verificará como os atletas "se adaptarão" aos seus métodos, mas alerta que "será necessário trabalhar muito, porque sou dos que opinam", frisou, "que além da parte técnica - e que tem a sua importância, podendo melhorar um 3% o rendimento - o físico é que decide".
Apresentou este exemplo figurado da ideia que possui sobre o remo: "Se estás forte, e passas a pá na água de modo a que os peixes fiquem tontos" é porque o remador está em forma. Caso contrário, "não", assegura.
Conhece bem o Rio Minho, um plano de água que "está bem, embora um pouco aberto, com correntes, e em certas ocasiões não se pode treinar", acrescentou, o que o leva a ponderar levar alguns barcos a águas paradas, com a intenção de "tomar alguns tempos para orientarmos o trabalho de água".
Lucian Tilea não traz consigo qualquer plano especial para aplicar no Caminhense, preparando-se agora para "planificar", em conformidade com os escalões etários de cada categoria, admitindo poder haver algum plano individual para um ou outro atleta, de acordo com "as suas qualidades e o seu potencial", mas pretendendo, acima de tudo, "melhorar cada dia".