Quando a 17 minutos do final do encontro, a Associação Desportiva Juventude Vila Praia perdia por 1-4 em jogo realizado ao final da tarde de ontem, no Pavilhão Municipal de Vila Praia de Âncora, contra o Maia, em jogo a contar para o Campeonato da III Divisão Norte A, e já havia quem achasse difícil reverter o resultado negativo, eis que a equipa local encetou uma reviravolta espetacular, conseguindo o golo da vitória a 2 minutos do final do jogo, perante as exuberantes manifestações de júbilo da sua massa associativa (o Vila Praia é o clube que mais adeptos atrai entre os 14 inscritos que disputam a zona norte da III Divisão).
Com esta vitória, o clube ancorense aumentou para 10 pontos a diferença em relação ao segundo classificado, o Larva, que perdeu nesta jornada, dando mais um passo importante para a conquista deste campeonato e garantindo o acesso direto à II Divisão, o objetivo delineado para esta época.
Ao intervalo, o Maia ganhava por 1-3, embora o Vila Praia tivesse perdido uma ocasião soberana para reduzir a diferença a escassos segundos do final da primeira parte.
Voltou a não entrar bem no recomeço do encontro, e a equipa forasteira aumentou para 1-4, complicando a vida aos locais.
Não esmoreceram, e apoiadas pelo público, encetaram uma recuperação, baseada essencialmente nos remates de meia distância, numa tarde/noite de acerto neste género de jogadas
Só no final do jogo é que o clube verde e negro se colocou em vantagem. A sequência de golos foi esta: (0-1; 1-1; 1-2; 1-3; 1-4: 2-4; 3-4: 4-4: 5-4). Marcaram pelos ancorenses, os três primeiros golos, Gustavo Lima - o melhor marcador do campeonato, com 26 golos - e os seguintes, Jorge Faria ("Rato").
Foi com este que falamos no final do encontro, ainda com os adeptos a festejarem a 18ª vitória (apenas têm uma derrota) nas bancadas.
"Demos a volta e era o que importava"
Admitiu ter sido um jogo "épico", apesar de "não termos entrado bem no jogo", uma situação que tem sido "constante", reforçou, permitindo "dar avanço" ao adversário, mas, depois, "conseguimos mostrar o nosso hóquei, demos a volta e que era o que importava".
Jorge Faria ("Rato") considerou que o Maia é uma equipa difícil, cuja classificação" não espelha bem a sua qualidade", por ser "muito organizada, que defende bem e é difícil entrar no bloco deles", mas "na segunda parte conseguimos pôr o nosso hóquei em pista, desmontamos a sua defesa e demos a volta".
Este jogador de Barcelos concordou que a sua equipa esteve bem a rematar de meia distância, embora já tivessem tido jogos em que "houve necessidade de rematar mais, mas não o fizemos", o que não sucedeu neste jogo, sendo "a solução para o jogo".
Apesar de terem estado em desvantagem durante a maior parte da partida, nunca admitiram que iriam perder, completou este hoquista, porque "esse espírito nunca existe nesta equipa", porque "sabemos a qualidade que temos e conseguimos dar a volta perante qualquer equipa deste campeonato".
"Jogo a jogo"
Beneficiando desta vitória e de uma vantagem de 10 pontos sobre os perseguidores mais diretos, seria de pensar que campeonato estivesse resolvido. Contudo, não querem relaxar, "apesar de termos dado um passo importante", reconhecem, mas vão continuar concentrados, "jogo a jogo", porque "ainda faltam quatro finais para chegar ao objetivo".
Da formação à conquista do título da III Divisão
O treinador Nuno Pereira chegou há seis anos, após ter recebido um convite para "reativar o hóquei de Vila Praia de Âncora", depois de ter terminado a formação do Limianos.
Assimo o fez, começando por criar uma equipa de formação, surgindo posteriormente a vontade de criar uma equipa sénior, aproveitando os miúdos sub-17 e sub-19, tendo iniciado então a viagem pela III Divisão, mas "apenas conseguimos dois pontos" em toda a época, explicou ao C@2000 este técnico barcelense.
"Fomos fazendo crescer a projeto juntamente com o presidente Joaquim Caçador e estamos a quatro vitórias de subir de divisão", assinalou, com orgulho, pelo trabalho desenvolvido.
Referindo-se à vitória justa, mas sofrida, comentou que "os campeões também têm de saber sofrer e saber dar a volta por cima", como sucedeu neste jogo, embora admitisse que "demos, escusadamente, uma parte e meia de avanço à equipa do Maia", resultado de uma "apatia defensiva muito grande", parecendo que "tínhamos pouca vontade de ir à baliza".
"Fomos mais incisivos"
No entanto, "quando a equipa se transformou", prosseguiu, e "quis ganhar o jogo, mostramos a nossa qualidade e demos a volta por cima".
Neste jogo, contrariaram uma tendência negativa que vinha persistindo, em referência a "termos rematado muito à meia distância, mas foi isso que pedi aos jogadores no intervalo", em vez de "estarmos a querer entrar com a bola pela baliza dentro", ao estarem "a tirar água ao moinho, como se diz na gíria do hóquei".
Optaram por um jogo "mais direto, com remates à baliza, aproveitando segundas bolas e criando desgaste no guarda-redes do Maia", sendo esta a base de "diferença" para alcançar os três pontos, confessou-nos.
"Queremos chegar à altura das decisões com quase tudo decidido"
A terminar, referiu que "se me tivesse feito esta entrevista em Setembro, mesmo que tivéssemos sete pontos de avanço, caso tivéssemos apenas empatado, eu dir-lhe-ia de imediato que estaria contente". Mas perante o cenário atual, com estes 10 pontos" temos uma margem de erro "muito boa, atendendo a que ainda "teremos de nos deslocar à casa do segundo classificado e o último jogo do campeonato em Marco de Canavezes - que é muito complicado.
Assim, "queremos chegar a essa altura de decisões com uma grande almofada e com quase tudo decidido".
"Faltam sete jogos e temos de ganhar quatro"
Quem sofreu a bom sofrer, sem poder manifestar-se à vontade como seria seguramente seu desejo, foi Joaquim Caçador, presidente da ADJ Vila Praia, que exerceu funções de cronometrista neste jogo, obrigado, por conseguinte, a uma grande concentração e a algum recato, designadamente, nas manifestações de júbilo perante a recuperação da sua equipa.
Concordou que "sofri muito, mas não me manifestei, devido à função que tive e porque tinha de estar muito atento ao cronómetro".
Tal como tinha referido o seu técnico, também Joaquim Caçador admitiu "termos entrado mal no jogo, mas na parte final conseguimos dar a volta a isto", graças ainda "à ajuda deste público magnífico que nós temos".
"A equipa correspondeu na parte final àquilo que nós costumamos jogar", tendo ultrapassado essa adversidade inicial.
Custos de participação na II Divisão quadruplicam
A equipa atual da ADJ Vila Praia possui três jogadores de Barcelos - o seu técnico tinha-nos dito que esta cidade era a "capital do hóquei do norte" -, de Braga, Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora, como não poderia deixar de ser.
Não hesita em afirmar que "o fim de semana correu bem para nós", porque, para além desta vitória, a equipa que estava em segundo lugar tinha perdido, garantindo desde já um avanço de 10 pontos, permitindo encarar com mais confiança este troço final do campeonato.
No entanto, insistiu perante o C@2000, para que "o público compareça sempre aos jogos", apontando desde já para o "grande jogo com o Paredes no dia 12 de Abril", bem como no dia 25 de Abril, em que defrontarão o Valença em casa, o que sucederá durante todo esse mês, avançou.
Embora fosse natural que preferisse que os festejos decorressem em casa, Joaquim Caçador teme por uma eventual evasão do campo, o que poderá acarretar "multa", apesar de ser um ato espontâneo, pacífico e de júbilo.
O projeto de subida era de três anos e preparam desde já a eleição para os próximos corpos gerentes, face ao sucesso do projeto, tendo em conta que a participação no Campeonato da II Divisão "acarreta muito dinheiro", bastando dizer que cada jogo atual em casa custa cerca de 95€, e no escalão maior as despesas com a taxa de arbitragem (subirá três vezes) e segurança disparam para 400€, e com equipamentos (patins, sticks, luvas e equipamento dos guarda-redes) só nesta época ultrapassam 6.000€.
Hóquei merecia mais apoio
Joaquim Caçador reclama um apoio maior para o hóquei, porque para além das despesas citadas, as deslocações por todo o norte saem caras, frisando ainda que o nome de Vila Praia de Âncora e do concelho de Caminha são publicitados por toda a região.
Os êxitos do Vila Praia são reconhecidos pelos demais clubes, tendo destacado a participação e vitória num torneio em Sever de Vouga e na apresentação do Cucujães, o que deveria merecer "mais apoio". Seria bom, sublinha, conseguir bons patrocinadores, coisa difícil de garantir face à inexistência de "grandes fábricas" no concelho, lamenta.
Junta de Freguesia e Câmara têm apoiado, mas adianta que as verbas dirigidas ao clube através do REMAD se destinam essencialmente à formação.
Protocolo com Vilar de Mouros
Anunciou que se encontram a ultimar um protocolo envolvendo a Câmara Municipal, Junta de Freguesia de Vilar de Mouros e CIRVilarmourense, tendo como finalidade "fazer captação" nesta freguesa aos sábados, atendendo a que através das AEC, surgiram miúdos desta aldeia interessados nesta modalidade, uma área que o ADJ Vila Praia necessita de incrementar, até para obter mais verbas através do REMAD, que beneficia essencialmente os clubes de futebol, face à maior apetência dos pais e jovens para optarem por este desporto, em detrimento de outros.