Decorreu esta manhã no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Caminha, a assinatura do protocolo entre o Município caminhense e a Agência Portuguesa do Ambiente, destinado a estabelecer o papel de cada um no processo de recuperação do paredão da praia de Moledo e na remoção de inertes junto à rampa de salvamento marítimo de Vila Praia de Âncora.
São 350.000€ para a retirada de inertes na vila ancorense e transporte para a Duna dos Caldeirões, e 150.000€ para a defesa imediata do paredão moledense. Para a obra mais estrutural, a avaliação aponta para 3 a 4 milhões de euros, mas tudo dependerá da avaliação integral a fazer a sul da zona aluída.
"Em Junho vamos ter uma boa praia em Moledo"
Liliana Silva representou a autarquia caminhense nesta cerimónia apadrinhada pelo secretário de Estado do Ambiente, José Manuel Esteves, e Pimenta Machado subscreveu o documento em nome da Agência Portuguesa do Ambiente, da qual é presidente, e que vai suportar os custos destas intervenções céleres, de modo a ter as praias prontas para a época balnear a iniciar a 15 de Junho, conforme divulgou na ocasião, a presidente da Câmara de Caminha.
A obra no paredão de Moledo iniciar-se-á esta semana, constando de uma primeira empreitada mais curta, no montante de cerca de 250.000€, destinada a remover as pedras caídas por ação do mar, existindo já um terreno disponibilizado pela Junta de Freguesia para a sua colocação, até que a intervenção de maior vulto a realizar no futuro (talvez a partir de 2027 seja possível).
Todas as previsões da APA apontam para que "não haja limitações na praia de Moledo nesta época balnear", após a intervenção de "emergência de estabilização do local" a concluir até ao próximo mês de Junho, reforçou Liliana Silva em complemento das declarações de Pimenta Machado.
Bandeira Azul ainda é possibilidade
Segundo admitiu o presidente da APA, a Bandeia Azul na praia de Moledo é ainda uma equação com fortes hipóteses de sucesso, uma vez que a Associação da Bandeira Azul vai ter em conta as inúmeras situações de erosão costeira registadas este ano na frente marítima portuguesa, desde Caminha até Vila Real de Santo António, - verificando-se "recuos de costa de 10/15 metros", em que "o mar avançou terra dentro". Realçou existir já uma "norma" que prevê estas situações, porque em termos de "qualidade de água e segurança", elas estão asseguradas, garantiu.
"Minimizar o colapso do muro e criar condições de segurança na época balnear" é a grande aposta da APA, insistiu o seu presidente após a assinatura do protocolo", procedendo à "estabilização da derrocada do muro", através da colocação de um "pequeno enrocamento na sua base, a fim de estancar o seu colapso", e retirada das pedras do muro que será refeito posteriormente.
Pimenta Machado anunciou que esta obra será reforçada com a colocação de areia, para evitar mais danos, embora a partir de agora o mar se torne mais fraco e comece a devolver areia à praia, conforme o próprio já tinha detetado nessa manhã ao passar pelo local, comprovando a existência de "alguma dinâmica" nesse sentido.
"Estancar o colapso do muro" e "minimizar os impactos" já verificados, são a aposta imediata da APA, porque "temos muito pouco tempo", antes que a época balnear se inicie, indicando que o Estado já avalizou 15 milhões de euros para acudir às situações mais urgentes por questões de segurança, enumerando o fecho de arribas, melhoramento dos acessos às praias, refazer de muros - como é o caso de Moledo.
Praia de Moledo com condições iguais às do ano passado
Insistiu na necessidade de reforçar com o enrocamento e depósito de areia na base do paredão, de modo a evitar que ele fique "descalço e colapse", como sucedeu neste inverno, mas advertiu que aquela "ferida" (buraco resultante do derrube do paredão) permanecerá nesta época balnear.
Pimenta Machado, falando desde já na intervenção de maior envergadura (mais de três milhões de euros) a realizar no futuro, dependendo de imediato na abertura de um concurso para o respetivo projeto (150.000€), elucidou ser necessário fazer sondagens na parte colapsada, bem como a sul do paredão, para que esta estrutura fique bem fixa e "resistente ao mar".
13,8 km2 "comidos" pelo mar desde 1950 até hoje
O presidente da APA assinalou que após a depressão Hércules de 2016, que derrubou o parapeito do paredão, este foi o ano mais terrível.
Pretende que após a obra estrutural a desenvolver futuramente, este fique mais reforçado, admitindo ser uma obra cara, mas para que "fiquemos descansados para muitos anos", acentuou.
O momento serviu para que Pimenta Machado citasse números referentes a terrenos que o mar "devorou" desde 1950 até aos dias de hoje, na ordem dos 13,8 km2 de terreno, equivalendo a 1.380 campos de futebol, e que "já não vamos ganhar", vincando que "estão perdidos", não restando outra alternativa que não seja "estabilizar" os 200 km de faixa costeira sempre em erosão e "em risco e perda de mais território", tudo isto acentuado pelas "alterações climáticas".
Após esta cerimónia, o Ministério do Ambiente e Energia emitiu um comunicado pormenorizando este protocolo.