JORNAL DIGITAL REGIONAL CAMINHA 2000 JORNAL DIGITAL REGIONAL CAMINHA 2000

A noite Mágica que incendiou
o palco de Vilar de Mouros

21/8/26 20h

Álvaro Melo
Fotografia: M. Crespo

The Covasetts

O pulsar de Manchester acordou o Alto Minho ao som dos The Covasettes. Há uma mística inegável quando as primeiras guitarras ecoam no recinto do festival mais antigo da Península Ibérica. Ontem, pelas cinco da tarde, os britânicos tiveram a responsabilidade de dar o pontapé de saída no terceiro dia do CA Vilar de Mouros. A energia que chegava do palco funcionou como o combustível perfeito para despertar os festivaleiros.

Formados em 2017 e amplamente reconhecidos no ecossistema digital, os rapazes de Manchester trouxeram na bagagem o seu recém-lançado álbum de estreia, "Honeymoon Forever". Ao vivo, percebe-se imediatamente por que razão a banda se transformou num fenómeno de partilhas e streams. O som deles é desenhado para as grandes massas, misturando ganchos melódicos fáceis de trautear com uma secção rítmica imparável.

Enquanto me misturava com o público junto às primeiras filas, notei que a moldura humana inicial, timidamente espalhada pelo relvado, rapidamente se adensou. Não demorou muito para que os saltos e os braços no ar respondessem aos apelos do carismático vocalista. Nas redes sociais do festival, os comentários imediatos dos fãs validavam aquilo que eu testemunhava no terreno: "Grande abertura de dia!" ou "Que excelente surpresa para começar a tarde".

A atuação provou que a nova vaga do indie rock inglês continua a ter um público cativo e fervoroso em Portugal. O quarteto não se deixou intimidar pelo horário diurno, pelo contrário, usou a luz do dia para criar uma cumplicidade genuína com a plateia, entregando um concerto dinâmico, limpo e carregado de atitude cativante.

Quando os acordes finais cessaram, a sensação geral era de missão cumprida. Os The Covasettes não se limitaram a abrir o palco pois eles ditaram o ritmo eletrizante para uma noite que ainda prometia muito. Para quem começou o dia a ouvir a frescura de Manchester, a certeza mítica de Vilar de Mouros ficou mais do que revalidada.

The Lilacs

A juventude elétrica dos The Lilacs conquistou o entardecer do CA Vilar de Mouros.

Há bandas que parecem carregar o ecossistema dos pequenos e suados clubes britânicos no ADN, transportando essa mesma urgência para os palcos dos grandes festivais. Ontem, ao final da tarde, os The Lilacs provaram ser uma dessas forças da natureza. Vindos de Wigan, na área de Manchester, o quarteto aterrou em Vilar de Mouros com a missão clara de mostrar ao público português por que razão são apontados como uma das grandes promessas do novo indie pop do Reino Unido.

O recinto minhoto começava a compor-se quando os primeiros acordes ecoaram. O público, ainda a ambientar-se ao terceiro dia do festival, foi rapidamente magnetizado pela postura elétrica do vocalista Ollie Anglesea. Misturado na plateia, vi a curiosidade inicial transformar-se, canção após canção, em pura adesão. A sonoridade melódica, apoiada por guitarras limpas e ritmos dançáveis, encaixou que nem uma luva na atmosfera descontraída do festival.

Nas plataformas digitais e nas redes do festival, a receção imediata não deixou margem para dúvidas: "Que lufada de ar fresco!" ou "O melhor começo de tarde possível" foram frases que li enquanto as primeiras imagens do concerto começavam a inundar as histórias do Instagram.

O single "Vicarage Road" e o recente "Put The World To Rights" funcionaram como pontos altos, arrancando palmas coordenadas e os primeiros coros vindos da plateia.

A banda não escondeu o entusiasmo por tocar perante o público português. Essa cumplicidade mútua transformou o concerto num momento vibrante e sem tempos mortos. Quando os The Lilacs abandonaram o palco, deixaram atrás de si um rasto de poeira levantada, sorrisos abertos e a certeza de que o rock britânico continua a encontrar em Vilar de Mouros uma extensão da sua própria casa.

The Lathums

A estreia gigante dos The Lathums blindou Vilar de Mouros com emoção pura.

Os britânicos The Lathums estrearam-se ontem em Portugal com um concerto arrebatador do CA Vilar de Mouros, confirmando o estatuto de herdeiros legítimos do indie rock mais emotivo do Reino Unido. O quarteto de Wigan subiu ao palco principal ao início da noite de quinta-feira, e derreteu o público com a sua entrega sincera.

Há estreias que demoram a esquecer, e a dos The Lathums em solo português foi o exemplo perfeito de como conquistar uma multidão logo ao primeiro acorde. Ontem à noite, no terceiro dia de Vilar de Mouros, o quarteto de Wigan provou que o fenómeno britânico não vive apenas de ritmos acelerados, mas sim de corações abertos e guitarras limpas e sentimentais.

Quando as luzes do palco se acenderam para os receber, a atmosfera no recinto já era de grande expectativa. Liderados pelo carismático vocalista Alex Moore que antes de subir ao palco confessava à imprensa, de forma humilde, o orgulho nas suas origens, a banda arrancou com uma energia surpreendente. O público, que já vinha aquecido pelas primeiras atuações da tarde, entregou-se de imediato à abordagem melódica e à carga profundamente emocional das canções.

Acompanhei o concerto do meio da plateia e a reação foi unânime. Temas como "How Beautiful Life Can Be" ou "Sad Face Baby" criaram momentos de comunhão absoluta, com milhares de braços erguidos e vozes afinadas a acompanhar os refrões. Nas redes sociais do festival, os elogios dispararam em tempo real,"Que concerto incrível", "Isto sim é o espírito de Vilar de Mouros" e "Que vozeirão ao vivo" ecoavam em dezenas de comentários digitais.

O que torna os The Lathums especiais é precisamente essa capacidade de fundir o indie rock de arena com uma vulnerabilidade poética muito autêntica. Alex Moore domina o palco sem precisar de artifícios; a sua voz imensa e a cumplicidade com os restantes membros chegam para preencher todo o espaço.

Ao despedirem-se do Minho, os aplausos ensurdecedores deixaram uma certeza clara: a primeira viagem dos The Lathums a Portugal foi um triunfo absoluto. Deixaram o palco principal já com o estatuto de uma das grandes atuações desta edição do festival.

Kula Shaker

O transe psicadélico e o misticismo dos Kula Shaker aqueceram a noite de Vilar de Mouros.

Há encontros com a história que demoram décadas a concretizar-se, mas que justificam cada segundo de espera. Ontem à noite, no terceiro dia do CA Vilar de Mouros, assisti à muito aguardada estreia absoluta dos Kula Shaker em solo português. A mítica banda que sacudiu os anos 90 com a fusão perfeita entre o britpop e o misticismo hindu transformou o recinto minhoto num verdadeiro templo de celebração psicadélica.

Quando o quarteto entrou em palco, o vento frio típico da região já se fazia sentir com intensidade. No entanto, bastaram os primeiros acordes para que a temperatura subisse drasticamente na plateia. Liderada pelo carismático e espiritualmente inquieto Crispian Mills que horas antes partilhava com o público o seu descontentamento face às lideranças "tóxicas e narcisistas" do mundo atual, a banda agarrou o público logo nos instantes iniciais.

Misturado entre as várias gerações que enchiam o relvado, notei como a sonoridade dos Kula Shaker consegue cruzar uma urgência do rock quase visceral com momentos de autêntica viagem meditativa. Os grandes clássicos do aclamado álbum "K", repletos de riffs de guitarra dinâmicos e mantras contagiantes, provocaram uma reação em cadeia. O público respondeu num transe coletivo, com milhares de pessoas a saltar e a cantar em uníssono.

A reação imediata nas redes sociais acompanhou o entusiasmo vivido no terreno. Durante o espetáculo, os canais digitais do festival inundaram-se de elogios como "Que aula de rock psicadélico!" ou "Finalmente em Portugal, e que concerto memorável!". A comunhão entre palco e plateia foi total, provando que a identidade singular do grupo se mantém intacta e incrivelmente fresca.

Ao final da noite, os Kula Shaker deixaram o palco sob uma ovação estrondosa. Não trouxeram apenas nostalgia a Vilar de Mouros; entregaram um concerto enérgico, coeso e carregado de alma que se posiciona, desde já, como um dos momentos mais marcantes e singulares desta edição de 2026 do festival.

Kaiser Chiefs

O furacão Kaiser Chiefs pôs Vilar de Mouros a saltar do primeiro ao último segundo

Se havia alguma dúvida de que o indie rock do início dos anos 2000 continua a ser uma força imbatível ao vivo, os Kaiser Chiefs dissiparam-na ontem à noite com uma lição de puro entretenimento. Às 22h45, quando o quinteto britânico subiu ao palco principal do CA Vilar de Mouros, a temperatura no recinto já exigia casacos grossos, mas o vocalista Ricky Wilson tinha um plano muito claro para aquecer o Alto Minho, não dar um único segundo de descanso à plateia.

Assisti ao concerto a partir de um ponto estratégico na lateral da pista e a resposta do público foi imediata e avassaladora. Ricky Wilson é um dos frontmen mais magnéticos da sua geração. Corre, salta, sobe às estruturas do palco e manipula a energia das massas como poucos conseguem fazer. Logo nos primeiros temas, o relvado de Vilar de Mouros transformou-se num mar de braços no ar e corpos em constante movimento.

A máquina de fazer hinos dos Kaiser Chiefs funcionou na perfeição. O alinhamento foi uma sucessão implacável de clássicos intemporais. Quando ecoaram os primeiros acordes de "Everyday I Love You Less and Less", o público explodiu. O delírio coletivo atingiu o pico máximo com a icónica "Ruby", cantada a plenos pulmões por milhares de vozes afinadas, seguida pelo hino geracional "I Predict a Riot", que provocou autênticos tremores de terra no relvado minhoto.

Nas redes sociais do festival, o impacto da atuação fez-se notar instantaneamente. Enquanto a banda ainda distribuía energia em palco, os comentários digitais multiplicavam-se a um ritmo frenético: "O Ricky Wilson não envelhece, que descarga de energia!", "O melhor concerto do festival até agora" e "Inesquecível" dominavam as publicações partilhadas no Instagram.

Ao despedirem-se, sob uma ovação monumental, ficou claro que os Kaiser Chiefs entregaram exatamente aquilo a que o público de Vilar de Mouros se propunha, a uma celebração rock nostálgica, sim, mas incrivelmente fresca, musculada e injetada de adrenalina pura.

Kasabian

Os Kasabian transformaram o fecho de Vilar de Mouros numa monumental rave de rock elétrico.

Há bandas que sabem exatamente como carregar no botão do delírio coletivo, e os Kasabian são, sem margem para dúvidas, mestres nessa arte. Ontem, ao final da noite, coube ao coletivo de Leicester a tarefa de encerrar o terceiro dia do CA Vilar de Mouros. O que se testemunhou no recinto não foi apenas um concerto de rock, foi uma celebração massiva que fundiu guitarras distorcidas com batidas eletrónicas avassaladoras, fazendo esquecer por completo o frio que já se instalara no Alto Minho.

A postos na linha da frente, vi o carismático Sergio Pizzorno assumir o controlo absoluto do palco logo no primeiro segundo. Desde que assumiu em definitivo o papel de vocalista principal, Pizzorno transformou-se numa força da natureza cénica correndo de um lado para o outro com uma farda vistosa e uma atitude puramente magnética. A química com o público português foi instantânea e blindada por uma muralha de som impecável.

O alinhamento foi construído estrategicamente para não dar tréguas aos pés e às gargantas dos festivaleiros. Clássicos intemporais como "Club Foot" e "L.S.F. (Lost Souls Forever)" caíram como bombas no relvado, provocando saltos coordenados e coros ensurdecedores que ecoavam muito para lá das margens do rio Coura. O clímax absoluto chegou, como esperado, com a catarse rítmica de "Fire", momento em que o recinto se transformou numa maré humana indomável.

Nas redes sociais do festival, as reações em tempo real espelhavam perfeitamente a loucura vivida no terreno. "Isto não foi um concerto, foi uma lição de como partir um palco!", "Que descarga de adrenalina absurda" e "Melhor final de noite impossível" eram algumas das centenas de comentários que inundavam o Instagram e o Facebook enquanto as luzes do palco principal se apagavam.

Ao abandonarem o Minho, os Kasabian deixaram a plateia exausta, suada e em absoluto estado de graça. Foi o fecho perfeito para uma noite inteiramente dedicada ao rock britânico, provando que a alma irreverente do festival continua bem viva, pulsante e pronta para as massas.


Edições C@2000

Cemitérios de Caminha - Fragmentos de memória
Autor: Lurdes Carreira
Edição: C@2000


Há estórias de casas e casas com história
Externato de Santa Rita de Caminha
Autor: Rita Bouça
Edição: C@2000


República em Tumulto
Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000

História Nossa
Crónicas de Tempos Passados
por Terras de Caminha e Âncora
Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000

Do Coura se fez luz
Hidroeletricidade, iluminação pública
e política no Alto Minho (1906-1960)"
Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento
Apoiado pela Fundação EDP

Da Monarquia à República no Concelho de Caminha
Crónica Política (1906 - 1913)

Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


O Estado Novo e outros sonetos políticos satíricos
do poeta caminhense Júlio Baptista (1882 - 1961)

Organização e estudo biográfico do autor por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000


Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora

Autor: Joaquim Vasconcelos
Edição: C@2000


Memórias da Serra d'Arga
Autor: Domingos Cerejeira
Edição: C@2000

Outras Edições Regionais