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Fórum da Juventude e Empreendedorismo dirigido a alunos do ensino secundário e profissional
16/10/26 21h45

Durante dois dias, decorre no Pavilhão Municipal Fernando Lima, o Fórum Juventude e Empreendedorismo (UP.Caminha), organizado pela Câmara Municipal de Caminha, com a presença, essencialmente, de jovens estudantes do secundário e ensino profissional.

"Vou tirar o maior proveito da UP.Caminha"

Maria Morais, é uma das alunas do 12º ano, do polo da Escola Tecnológica Artística e Profissional de Vila Nova de Ceveira, inscrita no curso de comunicação e serviço digital, presente neste certame.

Nasceu em Portugal, mas fez o seu percurso de vida no Brasil, até que optou por estudar na ETAP, por se tratar de uma escola profissional e como "eu tinha interesse em fazer um curso que me permitisse ingressar mais facilmente no mercado de trabalho, por estar mais próxima da minha região e por ter ouvido falar bem dela", a escolha recaiu aqui.

Além disso, "estou gostando bastante e por ser um curso que tinha mais saída e uma área que eu gostava, eu acabei por me apaixonar por esta área".

Participante no UP.Caminha, Maria Morais considerou a "iniciativa muito interessante e importante, ao incentivar os jovens a fazer iniciativas para eles próprios", nomeadamente nos dias de hoje, na área do empreendedorismo.

Declarou-nos que ainda não tinha tomada uma decisão sobre a profissão que gostaria de seguir, porque "existem tantas oportunidades e possibilidades, que eu ainda não sei qual será o meu futuro".

Para esta jovem, é "indiferente "o país a escolher, "desde que possa fazer aquilo de que eu gosto", considerando que "o mais importante é aproveitar qualquer oportunidade que apareça", razão principal da sua presença no UP.Caminha, garantindo-nos que "vou tirar o maior proveito dela".

Empreendedorismo social

Projetos inovadores marcaram presença neste fórum, aproveitando a logística disponibilizada pela organização, como o caso do portuense Ricardo Couto, radicado em Caminha e que lançou o projeto "Planeta Ténis" com sua esposa Catarina Terra.

Explicando-nos como tinha surgido este projeto, disse ao C@2000 que há seis anos "apaixonei-me pelo ténis, tendo começado a praticar no court do S.C.Caminhense, e esta paixão foi crescendo, até que eu me tornei treinador de ténis, após tirar um curso".

Com o continuar deste seu envolvimento na modalidade, notou que "principalmente em Portugal, o ténis era muito pouco acessível às crianças".

Segundo nos referiu, na zona de Caminha "há muitos campos, em Caminha, Argela, Moledo, mas o ténis não era simples para as crianças jogarem", constatação reconhecida nos contactos feitos com os pais e outros adultos, ao lamentarem que "o ténis é muito difícil, muito complicado de jogar, sendo necessário aprender muito e ter muita técnica".

Perante esta opinião generalizada, "o que eu quero é simplificar o ténis com este projeto e mostrar às pessoas que não é preciso muito - apenas uma bola e uma raqueta e duas pessoas que queiram divertir-se".

Vêm aproveitando todas as atividades que surjam no concelho e nos diferentes espaços, indo lá, frisou, incluindo infantários (Lanhelas e Vila Nova de Cerveira).

Define este projeto como de "empreendedorismo social" -não ainda como uma possibilidade profissional -, em que a "divulgação do ténis em Caminha" é a aposta atual, e funcionando "desde casa".

O aluguer do campo do S.C.Caminhense permite-lhe "começar a dinamizá-lo".

"O empreendedorismo é acima de tudo uma atitude"

A Universidade do Minho foi uma das entidades convidadas a participar e organizar este fórum, e aproveitou, inclusivamente, um dos stands para a promocionar (Estrutura interface-TecMinho), através de um painel.

O ancorense Carlos Videira (ex-líder da bancada da OCP na Assembleia Municipal de Caminha no anterior mandato, até que abandonou o cargo e o próprio órgão autárquico, em total desacordo com a pática política daquele que o viria a substituir nessas funções), foi agora um dos participantes no UP.Caminha, em representação da instituição académica minhota, onde exerce funções de pró-reitor.

Em declarações ao C@2000, Carlos Videira, assumiu a sua "dupla condição" na manhã de ontem na sede do seu concelho, "por um lado na função de pró-reitor, por outro, como alguém que é natural do concelho de Caminha", dizendo-nos também que "temos uma sessão preparada para estudantes através da "Young Minho Enterprise (uma empresa júnior da Universidade do Minho)", realçando ainda a presença no último dia do Prof. Paulo Novais (diretor do Departamento de Informática e ex-presidente da Associação Portuguesa de Inteligência Artificial), que irá abordar "esta temática e os desafios que se colocam à juventude, à educação e ao mundo do trabalho".

Desta forma, "a Universidade do Minho vai apresentar a nossa oferta educativa e curricular e mostrar a Universidade do Minho como um destino de futuro, incluindo para os jovens do concelho de Caminha".

Pedimos-lhe que nos desse a sua opinião sobre o empreendedorismo jovem no concelho de Caminha e no Alto Minho, ao que nos respondeu que "o empreendedorismo é acima de tudo uma atitude. Nós temos que fomentar condições para que os jovens possam ter uma atitude empreendedora, independentemente de se irem juntar ao lançamento de uma empresa, ou até quererem fazer um percurso por conta de outrem, mas onde possam marcar a diferença".

Prosseguindo na sua análise a este vetor, Carlos Videira, acha que existem "um conjunto de estruturas que têm vindo a fomentar essa atitude empreendedora", dando como exemplos as escolas e os meios associativos, tendo igualmente como objetivo "mostrar a estes jovens aquilo que podem fazer fora daqui para poderem ganhar competências e podê-las implementar cá", no tecido empresarial, social "do nosso território", completou.

"Diálogo, partilha e construção conjunta"

O vereador com o pelouro da juventude, José Leal, teve oportunidade de expressar algumas palavras a abrir os trabalhos, realçando a importância desta aposta nos jovens empresários "aqui presentes" e a sua "disponibilidade para estarem aqui".

Evidenciou "o papel da juventude na construção de uma sociedade mais preparada, mais equitativa e com mais oportunidades", daí a importância "na ligação entre a educação, formação e o mundo empresarial", alicerce na "aproximação dos jovens à realidade profissional".

Considerou este fórum "muito mais do que um espaço de encontro", mas acima de tudo de "diálogo, partilha e construção conjunta", em que os jovens têm a palavra para que compreendam "as suas dificuldades", assim como "identifiquem oportunidades" a fim de "construírem o seu futuro no nosso território".

Desta forma, pediu a todas as instituições que "trabalhem em conjunto", única forma de "conseguir resposta mais adequadas às necessidades dos jovens" para desenvolverem os seus talentos.

"Cabe-nos a nós criar condições para que estas capacidades possam florescer a transformar-se em oportunidades reais", acentuou ainda o autarca, antes do início dos trabalhos que deverão constituir "um momento de escuta ativa, reflexão e compromisso" na busca de "novas ideias, parcerias e iniciativas concretas capazes de aproximar os jovens das instituições e das empresas".

"Dar um Up a Caminha"

Seguiu-se na palavra Liliana Silva, presidente do Executivo caminhense, afirmando desde logo que este fórum "mais do que um evento, é uma ideia" que apelidou de "simples, nas ambiciosa".

Dirigiu-se preferencialmente "aos nossos jovens"(…)"que procuram uma oportunidade" de "construir aqui a sua vida".

Chamou a atenção para o facto de não ser atribuição de uma câmara municipal "escolher o caminho para jovens", mas sim "criar condições para que cada um possa encontrar o seu caminho".

"Aprender, questionar, experimentar, partilhar e criar", foram os reptos lançados pela autarca, onde nada fique por debater e responder, para que surja uma "ideia que dará origem a um projeto" que futuramente se possa "transformar numa empresa, emprego, oportunidade ou numa nova resposta para o nosso território".

Liliana Silva afirmou que Caminha "não pode apenas assistir ao futuro, mas, acima de tudo "participar nesse mesmo futuro", num território "extraordinário", porque não se deve unicamente olhar para um jovem "como um lugar onde nasceu", mas acima de tudo "um lugar onde possa estudar, trabalhar, empreender, investir, criar uma família".

Pretende assim que o Up.Caminha consiga "reunir diferentes mundos que apesar de trabalharem "lado a lado, nem sempre o fazem suficientemente juntos".

Nesta linha de orientação, o Executivo pretende lançar este ano o Orçamento Participativo Jovem e a Bienal de Artes Juvenil (cujos regulamentos vão a aprovação na reunião camarária da próxima Quarta-feira).

A despeito de tudo o demais, "é preciso que alguém diga, vamos tentar", assim incentivou os jovens presentes a arriscar e lançar-se no mundo empresarial, que até nem pode começar pela mera constituição de uma empresa, pormenorizou.

"Errar e voltar a tentar" é o desiderato lançado à assistência esmagadoramente constituída por jovens estudantes, pela presidente da Câmara.


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