Eleito há um ano, o Conselho Diretivo (CD) dos Baldios de Venade presidido por José Luís Levada, apresentou uma série de projetos que pretendem implementar nos próximos tempos, no decorrer de uma Assembleia de Compartes realizada na Sexta-feira.
Um deles, tem data marcada.
Plantação de 120 castanheiros
Será a 23 de Novembro que a população será convidada a associar-se à plantação de 120 castanheiros nos baldios da Bouça, onde possuem um terreno (triangular) que se encontra bem tratado, o que facilitará os trabalhos.
Beneficiaram da oferta de uma empresa que disponibilizou 200 árvores, prevendo oferecer as que não forem plantadas a quem estiver interessado. A Câmara Municipal de Caminha comprometeu-se a limpar a área prevista para a reflorestação com castanheiros e a transportá-los até Venade, informou José Luís Levada.
Logo que seja possível dentro de alguns anos recolher os primeiros ouriços, o CD organizará o "dia da apanha" e um magusto aberto à comunidade.
Além de contribuírem para beneficiar o meio ambiente e poderem mais tarde rentabilizar a lenha que resulte do corte desta madeira de qualidade, adiantaram.
Um dos compartes presentes, chamou a atenção para a necessidade de uma rega cuidada das árvores ("sem excesso", alertou Abel Poço) nos períodos secos e alertou para a presença nefasta dos javalis para as plantações.
Aluguer de 170 hectares
Brevemente, os compartes serão chamados a pronunciar-se sobre um projeto (ANTARR) de aluguer de 170 hectares para plantações destinadas à exploração florestal, uma aposta em que Moledo/Cristelo e Argela se encontram igualmente interessados.
Prevêm auferir 4.000€/ano, mais atualizações de acordo com o índice de preços, competindo aos exploradores proceder às limpezas e manutenção da área.
Foi adiantado tanbém que procederão brevemente ao corte de 22 pinheiros em Santo Antão, estimando que cada tonelada de madeira vendida renderá 50€.
Pretendendo melhorar a mobilidade nos baldios, foi apresentada uma candidatura para obter financiamento na compra de uma 4X4.
Registar 180 hectares de baldios
Os responsáveis pelos baldios venadenses pretendem proceder ao registo dos 180 hectares que compõem a mancha florestal, porque até ao momento, apenas possuem 1 hectare, em Santo Antão, inscrito nas Finanças, prevendo ter o processo concluído até final do ano.
Gostariam de obter rendimentos através da exploração eólica, mas a EDP "não abre quotas" para esse fim, lamentou José Luís Levada.
De acordo com legislação recente, os Baldios são obrigados a mudar de nome, passando assim a designar-se Comunidade Local de Venade/Caminha, sendo aproveitada a ocasião para alterar a localização da sede do Conselho Diretivo que passará a funcionar na Rua António Joaquim Alves da Cruz.
Um diferendo com uma pessoa que reivindica 100 m2 de um terreno na Covinha, mereceu discussão, tendo-se chegado à conclusão de que esta parcela murada não oferece dúvidas de que pertence aos Baldios, esperando agora pela decisão das Finanças, embora pretendam chegar a um acordo, sem necessidade de recorrer ais tribunais.
Terminou disputa com Moledo
Em matéria de tribunais, o CD deu conta que terminara o diferendo existente desde 2004 com Moledo, por causa da propriedade de terrenos no Alto da Espiga, em Santo Antão, onde estão instaladas eólicas.
Os terrenos em causa não pertencem a Venade, admitiu José Luís Levada, existindo uma dívida de 28.400€ que poderia ditar a venda coerciva em hasta pública dos terrenos baldios de Venade, caso não satisfizessem essa quantia, ameaçou o agente de execução.
O Conselho Diretivo pretende pagar em seis prestações, com um ano de carência, devendo a dívida ficar saldada em três anos, conseguindo dessa forma que a penhora seja levantada.
Os responsáveis pelos Baldios creem que têm dinheiro para pagar as custas com o tribunal, perfazendo um total de 60.000€.
Voto de agradecimento
A presença de cerca de 80 elementos da associação Camtil, de Coimbra, num acampamento em Santo Antão, mereceu a aprovação de um voto de agradecimento apresentado por Luís Magalhães, presidente da Assembleia de Compartes, pela forma "respeituosa e limpa" com que se comportaram.
Consideraram ser "bom que venham aos nossos territórios, respeitando o património", acrescentando José Luís Levada que "gostaram de estar acampados e tencionam voltar", depois de terem estado em Âncora, acreditando todos, que isto proporciona divulgação das belezas da freguesia e atrairá mais visitantes.