A banda britânica de punk rock Grade 2 arrebatou o público em Vilar de Mouros, abrindo com chave de ouro uma das noites (quarta-feira) mais intensas e voltadas para as guitarras pesadas no festival de Caminha. A atuação do trio de Ryde gerou uma onda de reações entusiásticas tanto na imprensa especializada como nas redes sociais do evento, consolidando a reputação do grupo como uma das forças mais revigorantes do punk contemporâneo mundial.
A interação com o público foi um dos pontos altos do espetáculo. Sid Ryan fez questão de agradecer a receção calorosa do público português, incitando à criação dos primeiros mosh pits substanciais do dia junto às primeiras filas. A resposta foi imediata, poeira no ar, braços erguidos e coros cantados em uníssono.
Com um alinhamento direto e sem floreados, a banda desfilou hinos de rua que misturam a crueza do punk clássico com melodias incrivelmente orelhudas. Nas redes sociais oficiais do festival, os comentários dos festivaleiros multiplicaram-se rapidamente ao longo da noite, destacando o concerto como "uma das maiores surpresas" e "pura eletricidade" para começar a jornada.
Foram para mim de facto uma excelente surpresa.
Os pioneiros do ska-punk californiano Fishbone incendiaram o palco de Vilar de Mouros, assinando uma das atuações mais aclamadas e enérgicas do segundo dia do festival. O concerto da histórica banda de Los Angeles, que se apresentou com o álbum "Stockholm Syndrome". Hinos clássicos misturaram-se na perfeição com as novas malhas, arrancando ovações consecutivas de um público visivelmente rendido à destreza instrumental e à presença cénica e magnética do grupo.
A banda norte-americana aterrou em Caminha respaldada pelo aclamado EP "Stockholm Syndrome", o registo que quebrou um silêncio discográfico de quase duas décadas. O que se viu em palco foi um coletivo em total estado de graça, liderado pelo carismático Angelo Moore, que provou que o tempo não beliscou a fusão pioneira de ska, punk rock, funk e metal que influenciou gerações inteiras.
O impacto dos Fishbone não terminou com o fim do seu set planeado. Horas mais tarde, durante a atuação dos conterrâneos Ugly Kid Joe (que subiram ao palco às 21h30), os membros dos Fishbone protagonizaram o momento mais viral do dia nas redes sociais ao juntarem-se de surpresa em palco aos Ugly Kid Joe para uma colaboração única, a banda californiana gerou uma explosão de entusiasmo no recinto de uma forma espetacular.
O furacão norte-americano Less Than Jake transformou o Festival CA Vilar de Mouros numa das celebrações mais vibrantes da música alternativa. Com mais de três décadas de carreira, os veteranos da Flórida invadiram o palco minhoto com a sua fusão enérgica de guitarras distorcidas e secções de sopro, provando que o ska-punk não tem prazo de validade. O espetáculo tornou-se instantaneamente um dos momentos mais comentados da edição, gerando uma onda de euforia que contagiou várias gerações.
O ambiente em Caminha já previa uma jornada intensa, mas a entrada dos Less Than Jake elevou a fasquia logo nos primeiros acordes. Misturando a velocidade do punk com o ritmo sincopado do ska, o grupo conseguiu um feito raro nos festivais de grande escala, prender a atenção do público do primeiro ao último segundo, quebrando as barreiras de idade na plateia. O trombone e o saxofone ditaram a cadência de uma tarde de saltos constantes, trazendo uma lufada de frescura melódica ao festival.
O recinto respondeu à energia do palco com rodas de dança espontâneas e coros que ecoaram por todo o vale de Vilar de Mouros.
Curiosamente o concerto uniu pais que cresceram a ouvir a banda nos anos 90 e jovens que descobrem o género agora através do streaming.
Os icónicos californianos Ugly Kid Joe injetaram uma dose massiva de nostalgia e energia no palco do Festival CA Vilar de Mouros 2026, protagonizando uma das atuações mais aplaudidas do segundo dia do evento em Caminha. O grupo de hard rock dos anos 90, liderado pelo carismático vocalista Whitfield Crane, entregou um espetáculo marcado por uma cumplicidade única com a plateia minhota e por uma colaboração surpresa inédita que agitou o recinto, cumprindo a promessa feita nos bastidores, a banda surpreendeu a plateia ao convidar os membros dos Fishbone para interpretarem em conjunto o tema "Love Ain't True", gerando um dos momentos mais celebrados da noite.
Antes de arrancar com o clássico "So Damn Cool", Whitfield Crane fez questão de elogiar a hospitalidade local, destacando o público fantástico, a gastronomia e as praias portuguesas, o que revela um interessante conhecimento.
Num dos pontos altos da noite, o vocalista quebrou as barreiras de segurança e desceu até às primeiras filas para cantar diretamente com os festivaleiros.
O concerto provou que o estatuto de culto da banda de Seattle continua intacto, inserido num dia em que o festival reforçou a sua identidade histórica focada nas guitarras pesadas e no rock sem artifícios.
A meio da noite em Caminha, o recinto do CA Vilar de Mouros deixou de ser um festival pacato para se transformar numa autêntica arena de culto privativa. Tudo porque os suecos The Hives vestidos com rigorosos fatos pretos e brancos decidiram dar uma lição magistral de como se domina uma multidão sem pedir licença.
Do meu lugar no meio da plateia, a sensação era a de estar frente a um gerador de alta tensão prestes a explodir. O vocalista Pelle Almqvist não caminha pelo palco, ele toma-o de assalto, desafia as leis da gravidade e testa os limites da segurança a cada tema. A dinâmica que testemunhei no relvado assentou em quatro pilares brutais: Almqvist escalou colunas de som e correu pelas laterais, exigindo a atenção de cada alma presente no Minho. O alinhamento foi uma máquina do tempo perfeita, colando os hinos do início dos anos 2000 à urgência rítmica dos discos mais recentes. Canções obrigatórias como "Hate To Say I Told You So" provocaram um terramoto imediato nas primeiras filas e A banda exigiu vénias, silêncios dramáticos e saltos coordenados, e o público obedeceu sem pestanejar.
À medida que os acordes finais de "Tick Tick Boom" ecoavam pelo vale, olhei em redor e vi um cenário de guerra pacífica, rostos suados, sorrisos de orelha a orelha e uma densa nuvem de poeira iluminada pelos projetores principais. No mundo digital, a euforia acompanhou o ritmo do concerto em tempo real, com os telemóveis a registarem em vídeo o que muitos já consideram, sem hesitações, a melhor prestação de toda esta edição do festival.
Os The Hives não vieram a Vilar de Mouros apenas para cumprir calendário ou tocar os êxitos da rádio. Vieram provar que o rock de garagem feito com alma, suor e uma dose saudável de teatralidade punk continua a ser a fórmula mais eficaz para arrebatar um festival de música. Fabuloso.
Doze anos depois da última passagem pelo Minho, os Dropkick Murphys regressaram como os indiscutíveis cabeças de cartaz de Vilar de Mouros. O que assisti a partir do coração do recinto não foi um mero concerto de rock, mas uma comunhão celta transformadora que levou o público de Caminha à exaustão coletiva.
Se os concertos anteriores daquela jornada tinham preparado o terreno com guitarras elétricas afiadas, os veteranos de Boston trouxeram uma parede sonora completamente diferente. O impacto físico e visual foi imediato mal os primeiros acordes tradicionais começaram a ecoar pelos altifalantes. A certa altura, tornou-se impossível distinguir onde terminava a banda e começava a multidão, tal era o nível de entrega mútua. O casamento entre instrumentos tradicionais, como a gaita de fole ou o banjo, e a velocidade do punk gerou um turbilhão rítmico que não deu descanso às pernas. Refrões icónicos foram entoados por milhares de vozes em uníssono, com os copos erguidos ao ar a celebrar cada nota como se a noite nunca fosse terminar. Das primeiras filas até aos limites da zona de restauração, formaram-se círculos de dança espontâneos que levantaram a maior nuvem de poeira do dia.
Fiquei impressionado com a capacidade da banda de manter uma intensidade tão elevada do primeiro ao último segundo da atuação. À medida que o espetáculo caminhava para o fim, o sentimento geral entre os festivaleiros que me rodeavam era de pura catarse. Aquelas histórias de rua cantadas com rouquidão e alma assentaram que nem uma luva no cenário natural e histórico de Vilar de Mouros.
Os Dropkick Murphys fecharam aquela jornada com chave de ouro, provando que o festival minhoto continua a ser o porto de abrigo ideal para celebrações cruas, enérgicas e totalmente despretensiosas. Maravilha.