O deputado municipal socialista Carlos Carrilho, na Assembleia Municipal de 25 de Setembro, pediu explicações à presidente da Câmara sobre a promessa reiterada a 16/Dezembro/25 e 21/Janeiro/26, de criação de uma ligação provisória entre Caminha e A Guarda, em substituição do ferry-boat varado desde Julho de 2025 num estaleiro de Camposancos à espera de ser desmantelado, através de outro barco de baixo calado e com dotação para 50/60 passageiros, a partir de Junho deste ano.
Carlos Carrilho especificou que a presidente da Câmara de Caminha tinha anunciado inclusivamente que já se encontravam em negociações com construtores e estava orçamentada uma verba entre 40/50 mil euros para "reparação do pontão e remoção das areias" que envolvem o cais de atracação em Caminha.
"Ninguém sabe onde para essa embarcação"
Passados estes meses, "ninguém sabe onde para essa embarcação", espantou-se o deputado municipal da oposição, e a "única certeza que os caminhenses têm", concluiu, "é que ela não foi avistada" nestes meses de verão.
Carlos Carrilho recordou à presidente as suas promessas de que "comigo, tudo vai mudar", mas perante a ausência do barco, perguntou-lhe "o que falhou para que o compromisso não tenha sido executado dentro do timing" previsto pela autarca.
E aproveitando a deixa, questionou a presidente da Câmara se tinha uma nova data para "executar o dito compromisso".
"O estado atual dele é este"
Liliana Silva aproveitou a intervenção de Carlos Carrilho para apresentar um power-point sobre o estado do ferry-boat Santa Rita de Cássia, "após anos de estar parado".
Apontou que o ferry-boat tinha chegado a ser recuperado "com pedaços de cimento" no casco, um "mau procedimento" reconhecido por um perito contratado pela Câmara a fim de avaliar o seu estado.
Insistindo que o estado do transbordador era "caótico" devido "ao abandono e falta de manutenção durante anos", Liliana Silva revelou que continuam a tratar do seu abate para que termine o pagamento de 3.000€/mês pelo seu depósito no estaleiro. Pretendiam fazê-lo regressar a Portugal, mas "não nos dão autorização", porque a Câmara de Caminha decidiu levá-lo para a outra margem "sem qualquer procedimento acautelado", conforme constataram quando assumiram funções há 10 meses, além de verificarem que havia um orçamento para a sua recuperação no valor de mais de 1.2 milhões de euros.
Vincou que o desmantelamento do ferry terá de ser feito no outro lado do rio, uma diligência que se vem revelando morosa, porque não surge qualquer sucateiro a dar um valor para o abate, sendo forçados a contratar um perito a fim de "dar uma ideia sobre o valor que poderíamos pedir pelo abate".
Acreditava que na semana seguinte já haveria um avanço no processo do desguace através da publicação de um anúncio internacional, fazendo votos para que surja alguma empresa interessada, caso contrário "teremos de ser nós", reconheceu, apesar de "ter custos avultadíssimos".
"Não se deve dizer datas"
E respondendo concretamente à interpelação de Carlos Carrilho sobre a nova ligação provisória prometida entre as duas povoações ribeirinhas, Liliana Silva admitiu que tinha sido neste caso que "eu aprendi que, se calhar, não se deve dizer datas", porque, "muitas vezes as coisas não correm como estávamos a pensar".
Reforçou que possuíam uma ideia sobre o tipo de barco pretendido, mas tinham "esbarrado em diversas condicionantes", dando como exemplos a obrigatoriedade de realização de um "estudo sobre a qualidade das areias", bem como a elaboração de um orçamento para a retirada do pontão do ferry e colocação de "outros", o que atrasou o processo porque tiveram que aguardar pela emissão de pareceres de diversas entidades e, lamentou, "o tempo foi passando".
Cautelosamente, não se atreveu a dizer com segurança que "teremos cá o barco no próximo ano", mas "tenho esperança que as coisas corram melhor ou mais célere para o bem de todos", auspiciou.