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Assembleia Municipal

Comissões de Festas e Festival de Vilar de Mouros confundiram deputado municipal

Presidente da Junta evocou o "desafio" que o Festival representa para a sua freguesia

2/10/26 13h

Um voto de louvor às comissões de festas concelhias deste verão, apresentado pela OCP na reunião da Assembleia Municipal (AM) de Caminha do passado dia 25 de Setembro, suscitou uma reação estranha do deputado municipal Hugo Cachadinha eleito pelo Chega, dizendo que iria votar contra, porque o Festival de Vilar de Mouros tinha sido um "fiasco".

O desconhecimento revelado pelo representante do partido de extrema direita sobre quem são os organizadores do Festival de Vilar e Mouros, foi sublinhado pelo também deputado municipal eleito pela OCP Ricardo Cunha, dizendo-lhe que o confundia com as festas religiosas ou populares realizadas no concelho.

"Era só para esclarecer"

Ironicamente, também a presidente do Executivo camarário se dirigiu ao único representante dessa formação política, perguntando-lhe se tinha falado da "Festa do Senhor dos Passos ou da Festa da Senhora da Peneda" que se realizam em Vilar de Mouros, "essas sim, são as festas - e romarias também - de Vilar de Mouros".

Prosseguindo na sua ironia, Liliana Silva disse-lhe ainda que "se foi contra essas que votou…era só para o esclarecer".

Este voto de louvor seria seguido por todas as forças políticas - com exceção do partido referido -, após ter sido feita uma alteração ao texto sugerida pela deputada municipal socialista Renata Monteiro, alargando a homenagem a todas as comissões das festas que se realizam durante todo o ano.

"Ambiente de festa, convívio e respeito"

Realizando-se esta sessão um mês após a realização do Festival de Vilar de Mouros, o estreante presidente de junta José Maria Barros na co-organização do evento mais emblemático do país, teceu algumas considerações sobre o "Woodstock" português.

Com uma posição diametralmente oposta ao do deputado municipal estreante no hemiciclo, José Maria Barros deixou "uma palavra de reconhecimento" pela edição deste ano.

Vincou que "mais uma vez, Vilar de Mouros voltou a receber milhares de pessoas, grandes artistas e projetos musicais", garantindo "a importância que este festival representa para a nossa freguesia, para o nosso concelho e para a história da música em Portugal".

O novo presidente da Junta de Freguesia destacou igualmente "a qualidade do cartaz, organização e o bom ambiente vivido ao longo dos vários dias" e a forma jovial com que todos os que "passaram por Vilar de Mouros" desfrutaram desses momentos.

O autarca vilarmourense, sobre cujo território e população tem responsabilidades acrescidas, decidiu "deixar uma palavra muito especial para o público" atendendo ao seu "comportamento exemplar demonstrado durante o Festival".

O autarca chamou a atenção para o "desafio" que representa para os autarcas vilarmourenses "receber milhares de pessoas numa freguesia pequena, como é o caso de Vilar de Mouros".

E, "mais uma vez", completou o autarca, este evento "foi vivido num ambiente de festa, convívio e respeito pela comunidade".

Terminou a sua intervenção, louvando a empresa promotora e organizadora do Festival de 2026, "pelo trabalho desenvolvido e capacidade de continuar a trazer à nossa freguesia um evento com dimensão nacional e internacional", encómios extensivos à Câmara Municipal, forças de segurança, socorro e emergência.

Duas iniciativas paralelas

José Maria Barros aproveitou o momento para destacar duas iniciativas realizadas em simultâneo: o Festival de Bandas de Garagem iniciado este ano, permitindo "dar espaço e visibilidade a novos projetos musicais e permitir que a banda vencedora atuasse no palco principal".

O presidente da Junta vincou que com a concretização deste concurso de bandas de garagem, se comprova que o festival vilarmourense "não está apenas no passado", mas sim, continuando "a construir-se também através dos novos talentos e das novas celebridades".

A exposição patente durante o Festival na antiga Oficina dos Fontes, da responsabilidade de Miguel Estima, permitiu "recordar diferentes edições e momentos da história do Festival", sendo a segunda iniciativa em simultâneo com o Festival citada pelo presidente da Junta.

A terminar, José Maria Barros assegurou que a memória de Vilar de Mouros "continua viva e a ser uma referência na história dos grandes festivais de música em Portugal".

"Enquanto houver estrada para andar"

Tendo coincidindo esta reunião com o falecimento dias antes de Jorge Palma (presente em 1971, integrado no conjunto "Sindicato" e atuando várias vezes, a solo, em edições posteriores), José Maria Barros recordou essas passagens pela sua aldeia, através da letra de uma das suas canções: "Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar".


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