Um fim de tarde tropical - num ambiente único que só a Serra d'Arga consegue transmitir - proporcionou um momento de inigualável qualidade intimista, durante a hora e meia que durou o concerto ao piano de Rui Massena, a abrir o programa "Música à Serra" que a Câmara de Caminha proporcionou neste início de Julho perfeito para espetáculos noturnos.
Com as montanhas a rodear o Convento de S. João d'Arga, o sol a desaparecer atrás delas, o piar de um mocho (seria um bufo?) e de outros pássaros que o músico não deixou de atrair para o seu concerto, a performance familiar de Rui Massena, enlevaram a assistência rendida a tanta beleza da natureza - até as copas das árvores pareciam acompanhar os acordes do piano - e à suavidade da música adequada àquele conjunto arquitetónico erigido há séculos para contemplação e introspeção dos que nele viveram.
Junto a um dos sobreiros centenários sobre cujos ramos eram despejados feixes de luz em consonância com o desenvolvimento dos temas, desenrolou-se uma viagem musical sem princípio nem fim definidos - com inúmeras alusões às vivências familiares do maestro -, porque o que na verdade importava ao público era acompanhar, integrar e saborear um momento raro naquela montanha sagrada, na esperança de que não tivesse fim…até que terminou de forma natural - como tudo é neste espaço invulgar - mas com vontade de regressar àqueles momentos de magia.
"Casamento perfeito"
Andreia Lourenço, presidente da Junta de Freguesias das três Argas, comungou das palavras de Rui Massena, reconhecendo no final do concerto que também "me soube mesmo muito bem", sem deixar de realçar "um espaço muito especial que merece eventos como este", em que "a música de Rui Massena encaixa aqui" na perfeição, classificando-o como "um casamento perfeito" constituído pela "paisagem, ambiente, rodeado pela natureza".
Concordou que só faltaram aqui os monges para a simbiose ser perfeita, mas os que vieram, formaram uma "casa cheia, um recinto completo", permitindo que conheçam "um outro lado do mosteiro, porque a maior parte das pessoas só conhece a grande festa de Agosto", comprovando-se a importância de organizar eventos "muito especiais" como a daquela tarde/noite de verão.
"Uma luta constante"
Aqui há poucos anos, desenrolou-se uma luta muito importante pela defesa da Serra d'Arga.
Andreia Lourenço reconheceu que "valeu a pena e continua a valer a pena", em referência a uma "luta que temos pela frente", a encetar pela Junta de Freguesia e a Associação de Municípios da Serra d'Arga, de modo a "tomarmos sempre mais medidas de proteção e conservação da nossa serra".
"Uma coisa fantástica"
Liliana Silva, responsável pela cultura do Município caminhense, manifestou contentamento pela forma como "tudo decorreu", incluindo a "temperatura, ambiente e adesão das pessoas", considerando ter sido "uma coisa fantástica", surgida "neste sítio mágico em que Massena também tem magia nas mãos".
A escolha do local deste concerto era o "ideal", assinalou a presidente da edilidade, dado "enquadrar-se muito bem neste espaço e resolvemos experimentar para ver como funcionava", verificando que "as pessoas aderiram e gostam deste tipo de música" trazida à Serra d'Arga para "um momento único".
Tal como se tinham expressado Rui Massena e Andreia Lourenço, "também me senti muito, muito bem, ao ouvir o maestro, os passarinhos, todos a cantarem em uníssono".
A autarca sublinhou ainda o primeiro encontro de concertinas realizado dois dias depois, e que "este ano começa mais pequenino, mas com tocadores de vários pontos do país", pretendendo transformá-lo no futuro num "grande evento para a Serra d'Arga".
Foram tocadores durante todo o dia, numa experiência piloto, a pensar na promoção da Serra d'Arga, completou.