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Âncora

Pinheiro manso abatido na EB1 alvo de requerimento entregue para divulgação ao presidente da Assembleia de Freguesia

Anda não terminou o episódio do abate de um pinheiro manso no átrio da Escola Básica de Âncora.

Na última Assembleia de Freguesia (AF), antigos alunos da Escola Primária da freguesia, entregaram um requerimento ao presidente deste órgão autárquico, exigindo a leitura de um texto crítico enviado à Junta de Freguesia relativo ao corte de um pinheiro manso centenário (mas que Agostinho Gomes disse na altura ter apenas 70 anos), e respetiva distribuição do documento pelos delegados e público, bem como de uma relatório tecnico de um Professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, indicando que a árvore se encontrava em boas condições fitossanitárias, não constituindo risco de desabar, motivo da sua eliminação invocado pela Câmara de Caminha, no período dos vendavais do inverno passado.

Nesse parecer, recomendava-se apenas uma redução da copa e uma ancoragem como suficientes para a sustentabilidade do pinheiro manso.

A Junta de Freguesia referiu em resposta ao requerimento, que apenas tinha transmitido uma informação às entidades competentes, admitindo que tenha sido "uma decisão má e atabalhoada", tomada "de um momento para o outro", além de garantir terem publicado o parecer fitossanitário da Câmara no site da sua autarquia.

Perter Martins, presidente da autarquia, louvou as pessoas que têm este tipo de preocupações. Recordou que a Câmara tinha falado em promover um debate ou uma reunião com a presidente da Câmara, o que ainda não avançou, contudo.

Referiu, a propósito, o caso de um proprietário de eucaliptos e que se predispôs a eliminá-los por temer consequência.

Outro dos intervenientes neste período, Carlos Simões, logo que a questão da árvore foi suscitada, tinha contactado de imediato a Câmara Municipal, cuja presidente lhe teria dito que uma empresa teria emitido um parecer técnico que atestava a perigosidade de queda da árvore por se encontrar doente, situação com a qual ele próprio lhe perecia ser a mais verossímil. Na sua ótica, com esta decisão, talvez não se arrependessem de daqui a uns anos estarem a lamentar se acontecesse algo.

No entanto, após a eliminação da árvore, a temperatura no interior da escola atingiu os 30º nos dias quentes, alertou.

Carlos Simões mostrou-se agradado com o debate suscitado na assembleia, mas pediu que ninguém se zangasse por tal motivo, mostrando-se incomodado com o "radicalismo" de certas pessoas.

Um dos moradores que usou da palavra no período reservado ao público, Agostinho Gomes, admitiu ter havido "desfasamento" no relacionamento institucional, nomeadamente a não comunicação ao presidente da Junta da decisão de cortar o pinheiro manso, mas alertou que se o pinheiro tivesse caído e tivesse havido uma calamidade, "então todos estariam em cima da Câmara, Junta de Freguesia, Associação de Pais, etc.", e mostrando predisposição para oferecer uma árvore à escola. Neste período, Agostinho Gomes aproveitou para tecer palavras duras sobre os trabalhadores camarários, reforçando com um caso relacionado com ele, por terem demorado um mês a darem-lhe uma resposta.

O tema das árvores não ficou por aqui, quando Maria Adelaide Brás perguntou à Junta pela substituição dos choupos eliminados na rua paralela à EN13, na Rua da Areia, promessa do presidente da Junta, parecendo-lhe que em Âncora "as árvores são inimigas da população".

Já Agostinho Gomes, manifestou concordância com o abate dos choupos, por serem causadores de alergias.

Uma deslocação ao local com técnicos da IPortugal foi descrita como uma forma de analisar o caso, embora o objetivo tivesse sido o funcionamento dos semáforos, comentou Peter Martins.

"Dualidade de critérios"

Estes e outros assuntos demoraram quase duas horas a ser discutidos, motivando uma reação de outro ancorense, António Brás, manifestando o seu protesto pela forma como o presidente da AF tinha conduzindo os trabalhos, porque na sessão anterior não tinha permitido tanto tempo aos moradores, como o fizera agora - incumprindo o regimento da AF, anotou -, e, em forma de protesto, abdicou de falar e desafiou António Vieitas a manter o mesmo critério nas reuniões seguintes, permitindo mais tempo aos moradores.

Segundo o presidente da AF, foi mais contemporizador nessa noite, porque a ordem de trabalhos não era extensa, ao contrário da sessão anterior, e disse interpretar a críticas de António Brás como um desabafo face aos ancorenses intervenientes nesta assembleia de 30 de Junho, ao contrário do sucedido na de Abril.

A discussão entre ambos prolongou-se, sendo acusado o presidente da AF de "dualidade de critérios", chamando a atenção que nessa noite tinha sido dado mais tempo ao público, mas na anterior "cortaram a palavra", insistindo António Brás que esta nova opção deve ser mantida no futuro.

Se o regimento não foi cumprido agora, poderá sê-lo na próxima, acentuou António Vieitas, mas…"veremos", avançou.


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