O concelho de Caminha volta a merecer a preferência do FCPorto para realizar os seus estágios de pré-epoca.
A equipa sénior de andebol do clube azul e branco avalizou a escolha do Pavilhão Municipal de Vila Praia de Ancora e encontra-se até hoje nesta vila em preparação para o próximo campeonato nacional.
Jogadores e técnicos do Clube de Andebol de Caminha aproveitaram a única sessão de treinos aberta ao público, para apreciarem e estudarem a forma como se desenvolve o treino de uma das melhores equipas nacionais.
Ana Cerqueira, ex-campeã nacional de Espanha pelo Clube Atlético Guardés, é actualmente uma das técnicas do clube caminhense e assistiu com alguns dos seus pupilos (sub-14 feminino e masculino) ao desenrolar do treino realizado na manhã da passada Quinta-feira no gimnodesportivo ancorense.
Após muitos anos "fora de casa", Ana Cerqueira decidiu voltar e "criar raízes novamente aqui", onde iniciou, após ter recebido uma proposta e "aceitei".
"Infelizmente não há muito andebol nesta zona"
A realização do estágio do FCPorto em Vila Praia de Âncora foi considerada "muito importante por estarmos muito isolados de tudo", admitiu, situação que se reflecte neste meio pequeno e na própria liga em que os miúdos competem, obrigando a deslocarem-se a sítios distantes e fora do distrito.
A presença destes jogadores "ajuda a criar ilusão nos miúdos", vincou esta técnica, ao verem jogar atletas que "conseguiram chegar mais longe no andebol", fomentando aqui, desta forma, "o desporto em geral".
Quando chegou ao CAC, Ana Rodrigues admitiu a existência de "algumas limitações", obrigando a trabalhar mais, concluindo que as raparigas "estão a evoluir, individualmente e em equipa", apesar se ser complicado trabalhar com pouca gente - tantos rapazes, como raparigas -, reflectindo-se no tipo de treinos a que é obrigada a aplicar. Embora as raparigas estejam um pouco menos evoluídas do que os rapazes, crê que essa diferença poderá ser ultrapassada com trabalho.
"Estamos sempre a aprender"
Apesar de ter sido campeã nacional em Espanha, rejeita que se pense que nada mais há a aprender em Portugal, assegurando que "venho sempre a aprender muitas mais coisas" como sucede com este estágio dos portistas.
A despeito do que adquiriu durante as diversas competições em que participou, "como treinadora", asseverou, "aprende-se sempre mais", ao tentar incutir esses ensinamentos aos seus pupilos, porque "já fui jogadora e sei o que sentem em determinadas situações", concluindo "ser bom ter os dois lados: ser jogadora e treinadora".
Referiu ainda que consegue apreciar "sentimentos que não se sentem dentro do campo, ou certas atitudes próprias destas idades".
Portanto, veio aqui recolher ensinamentos - "porque o treinador do FCPorto, o sueco Magnus Anderson, é muito melhor que eu", não duvida.
A presença da equipa do FCPorto em Caminha é motivadora para os jovens andebolistas, reforçou, porque "durante toda a semana falou-se muito disto".
Esta jovem técnica lamenta que a nível do deporto em geral "estejamos muito mal organizados", tendo como comparação o que constatou em Espanha, com uma "organização completamente diferente", embora a presença no nosso país de treinadores estrangeiros "esteja a dar outra vivacidade e visibilidade" e possibilitando um "abrir de portas para coisas futuras".
"Há 10 anos no CAC
Filipe Ferreira é uma andebolista do CAC desde os 3,5 anos. Agora nos sub-14, não desperdiçou a oportunidade para apreciar o desenvolvimento técnico dos jogadores portistas.
A meio do treino, "ainda não comecei a ver o que queria", disse ao C@2000, referindo-se ao jogo propriamente dito que os seniores do FCPorto iriam começar a desenvolver dentro de alguns instantes.
Considerou a presença do conjunto portista em Vila Praia de Âncora como uma excelente oportunidade para rever "posições defensivas, atacantes, passos, tudo", enfim.
Viu o CAC com boas perspectivas no futuro, revelando que "toda a minha turma da escola está a jogar aqui".
Assegurou, que "se Deus quiser", vai continuar a praticar andebol.