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Vila Praia de Âncora

Nova direcção do Âncora-Praia Futebol Clube presidida por uma mulher

André Cunha conseguiu abater 200.000€ à dívida recebida há oito anos

Pela primeira vez na história do Âncora-Praia Futebol Clube, uma mulher, Patrícia Fão, vai presidir à sua direcção, na sequência da eleição realizada na sede do Etnográfico na passada Quinta-feira, em que 77 sócios avalizaram e aplaudiram a sua candidatura.

Após ter sido criado em 1962, o clube ancorense vai agora ser presidido durante dois anos por uma sócia com fortes ligações familiares ao clube - substituindo no cargo André Cunha, um associado que se manteve mais de oito anos à frente desta associação, tendo de enfrentar desde o início com o pesado encargo de abater uma dívida de cerca de 244.000€ deixada pelo elenco directivo que o precedeu.

260 atletas

André Cunha tinha decidido não se recandidatar, facto que nem à sua mulher tinha revelado, mas sai de consciência tranquila, ao ter conseguido reduzir drasticamente a dívida, cifrando-se actualmente em apenas 50.000€ e alcandorar o Âncora-Praia como o "maior clube do concelho de Caminha", possuindo o maior número de atletas da Associação de Futebol de Viana do Castelo, "com 260 jogadores, desde os Infantis aos Veteranos", disse ao C@2000 após terminar a assembleia geral.

"Competência não tem género"

Na nova direcção, marcam presença sete mulheres, dizendo-nos Patrícia Fão que isso não a assusta, porque "a competência não tem género", embora reconheça que seja um "grande desafio", mas confia na sua equipa, bem como em todos os sócios que "aqui se fizeram representar em massa", para que "consiga estar à altura do desafio proposto".

Esta reunião geral dos sócios do clube ancorense (actualmente, o Âncora-Praia possui cerca de 700 sócios, e é sua intenção atingir os 1.000, confirmou-nos a nova presidente), permitiu aprovar as contas da gerência (com apenas uma abstenção) da época finda, em que André Cunha discriminou as diversas rubricas por intermédio de um power-point, apresentando receitas na ordem dos 139.000€ e despesas de 176.000€, resultando num saldo negativo de perto de 50.000€, mas é necessário ter em conta o passivo recebido quando assumiu a presidência da agremiação desportiva em 6/12/2016.

Referiu que os problemas financeiros herdados tinham levado a sua direcção a colocar em tribunal (Ministério Público) o anterior presidente e empreiteiro, tendo-lhes sido dada razão, mas considerou "difícil" reaver 67.000€ exigidos.

Nesta reunião, foi aprovado o plano de actividades para a próxima época apresentado pela direcção cessante, mas vincaram que "não é vinculativo", tudo dependendo da decisão a tomar pelos novos corpos gerentes, esclarecendo Patrícia Fão que não terá problemas em assumir as directrizes aprovadas pelos sócios.

Associados sufragaram trabalho feito e futuro das duas direcões

Tanto André Cunha, como Patrícia Fão, foram efusivamente saudados individualmente pelos sócios no final dos trabalhos, além dos aplausos que receberam em cada momento das votações, sendo de referir que Henrique Dantas, presidente da assembleia que dirigiu a sessão, pediu uma salva de palmas para André Cunha pela sua dedicação ao longo destes oito anos.

André Cunha assinalaria ainda perante o C@2000 que o envolvimento humano em redor do clube, movimentou perto de 400 pessoas, incluindo os atletas, técnicos, directores e outros colaboradores.

O presidente cessante não quis apontar o momento mais marcante da sua gestão desportiva, antes preferindo dizer que chegaram ao fim "com a missão cumprida", atendendo a que desde o primeiro minuto era seu objectivo "não deixar cair o clube, porque ele esteve a dois dias de acabar".

"Sentimento de tranquilidade pelo trabalho feito"

Inicialmente, foi necessário combater o problema financeiro, explicou, e depois "ter trabalho feito em termos desportivos", porque sem isso, a parte financeira, por si só, "deixa sempre o sentimento de que se pagou as dívidas, mas não se fez trabalho".

Contudo, relevou a capacidade para manter todos as equipas nos escalões principais da associação vianense, bem como os títulos obtidos em diversas provas de outras associações pelas equipas de futebol feminino, destacando ainda uma presença na Taça de Portugal, feito que "já não acontecia há mais de 30 anos".

Insistiu que não apresentaria qualquer lista, caso não tivesse surgido esta, porque "foram oito anos muito cansativos", além de "não se dar valor (em termos concretos) no concelho de Caminha a quem trabalha", onde existe "muito "xico-espertismo".

Apesar do seu desabafo, André Cunha teve palavras de agradecimento à Câmara de Caminha "no pagamento da dívida", bem como ao ex-presidente do Município Miguel Alves, aos vereadores do desporto e ao presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora.

"Clube bem entregue"

De tudo isto, resta ainda a André Cunha alguma mágoa pelo facto de não ter visto valorizado materialmente o empenho do clube, e não "olhando para o Âncora-Praia de uma maneira diferente".

Apontou como carências, a ausência de uma sede, o facto de o campo de jogos possuir um dos relvados sintéticos mais antigos no concelho de Caminha e de "nunca ter tido manutenção nos 16 anos de existência", porque "as entidades sempre pensaram que estava lá o André e ele vai resolvendo".

Por último, reafirmou que havia chegado "o momento de sair, porque isto cria uma habituação quando se está muito tempo", sendo necessário "uma energia e ideias novas", achando que o clube "está bem entregue".

"Isto é tudo uma história de vida"

Patrícia Fão está ligada umbilicalmente ao Âncora-Praia, afirmando mesmo que "isto é uma história de vida", dando como exemplos o caso de seu pai, ex-jogador, conhecido pelo nome de "Rebimba", tal como um tio emigrado em França e que "tem um amor louco pelo Âncora-Praia".

Além destes laços familiares, Patrícia Fão já tem os seus filhos a jogar desde os 4 anos, realçando, portanto, que "já ando nesta vida há 15 anos", insistindo que "estes laços criam-se", o que a torna muito feliz, tendo chegado "agora a altura de retribuir, embora sempre tivesse trabalhado" e colaborado com as direcções.

"Arregaçar mangas e vamos ao trabalho"

Coloca como objectivo primordial do seu mandato, "as pessoas, e que movem esta vontade de querer trabalhar". Reconhece que a espera "muito trabalho e resiliência", divulgando ainda um "motivo muito forte pelo qual me propus para este desafio", em referência a "lutar por umas novas instalações do Âncora-Praia".

Não tem a certeza de o conseguir, contudo, "garanto que vou lutar por isso", em conjunto com as mulheres e homens que a acompanham. Não receia a dívida que ainda falta liquidar, porque, em terras de gente do mar, aplicou a expressão: "isto é um barco em que se remarmos todos para o mesmo lado, a maré vai ao encontro de um porto seguo".

Ao encontrar-se o Âncora-Praia tão arreigado nesta vila, a nova presidente justifica esta forte ligação por ser "intrínseca a uma paixão e vontade pelo futebol, razão de estar muito nas raízes de Vila Praia de Âncora".

"Nós estamos aqui para apoiar sempre o Âncora-Praia"

Compareceram a felicitar o presidente cessante e a nova responsável pelos destinos do clube ancorense, Rui Lages e Liliana Ribeiro, vereadores caminhenses.

Face aos projectos pretendidos pelos responsáveis do Âncora-Praia Futebol Clube, perguntamos ao presidente do Executivo se iria corresponder a esses pedidos, respondendo-nos em primeiro lugar que aquele era um momento de "festejar por vermos o Âncora-Praia vivo e dinâmico", comprovado por esta assembleia geral "com toda esta massa associativa a dar apoio a esta nova direcção", realçando o facto de pela primeira vez ser presidida por uma mulher.

Mostrou-se convicto de que continuarão a trabalhar em conjunto, porque apesar de as pessoas mudarem, "o projecto integrar-se-á no quadro anterior" e, avançou: "entre Câmara Municipal e Âncora-Praia o trabalho prosseguirá no "desenvolvimento do desporto no nosso concelho e honrando as cores do clube".

Insistindo com as preocupações que assistem a este clube, Rui Lages confirmou que as conhecia bem e quais as "condicionantes" do estádio, mas foi desde já alertando que "não se pode resolver tudo num mandato, aquilo que não se resolveu em décadas". No entanto, prosseguiu, "nós estamos aqui para apoiar sempre o Âncora-Praia e encontrar as soluções" devidas de melhoria das infraestruturas da prática desportiva, bem como "encontrar outros caminhos e linhas de financiamento a que o Âncora-Praia possa recorrer através do IPDJ e de todo o tipo de fundos disponíveis na área do desporto", em paralelo com o apoio financeiro e logístico que a Câmara lhes presta.


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