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CONHECER O CONCELHO DE CAMINHA

Quem escolhe o concelho de Caminha para viver, dá mais importância a determinados critérios em detrimento de outros. Valoriza, com toda a certeza, o lazer, o contacto com a natureza, a segurança e tranquilidade, entre outras razões que, em suma, contribuem para a boa qualidade de vida.

Certo é que a qualidade de vida é subjetiva, variando de pessoa para pessoa, da fase da vida em que se encontram e do que cada um dá mais importância. No entanto, o nosso concelho tem pontos fortes que merecem ser propagados, pois valorizam o que temos de melhor.

Começo pela proximidade aos espaços de natureza, sendo o mar o nosso maior trunfo. Não é por acaso que o verão é o apogeu no que toca a visitantes. Vêm atrás de bons momentos junto ao mar, aproveitar o sol e o convívio. O que mais distingue o nosso concelho é a paisagem e a forma como temos explorado a ligação do ser humano com a natureza, tendo encontrado um equilíbrio que, até ver, tem sido sustentável.

Para ter uma visão sobre o nosso concelho, necessitamos de nos comparar com o resto do panorama nacional, encontrando o lado positivo, mas também os lados menos bons, que merecem reflexão de todos e talvez alguma mudança nas apostas futuras.

Como comparamos o bem-estar, em média por pessoa, com o valor nacional?

Caminha tem aumentado o seu poder de compra per capita, tendo passado de 82,2% em 2013, para 86,5%, sendo o segundo melhor concelho do distrito, só ultrapassado pelo concelho de Viana do Castelo, com 92,1%. A média do Alto Minho é de 82,3%, dados do INE.

O concelho de Caminha tem 2466 empresas registadas, dados de 2022. Há dez anos, em 2013, eram 1990 empresas. Desde esse ano que a taxa de natalidade das empresas tem sido mais elevada que a sua mortalidade, ou seja, são criadas mais empresas do que as que desaparecem. Isso é sinal que a economia está viva e tem vindo a rejuvenescer, mesmo com todos os constrangimentos.

É também interessante saber em que setores trabalham as pessoas do concelho.

22.1% está no setor do "alojamento, restauração e similares", 19.4% está no "comércio por grosso e a retalho", 13.6% está "construção", 7.9% no setor da "agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca", 6.7% no setor das "indústrias transformadoras" e 6.9% nas "atividades administrativas e dos serviços de apoio". Dados estatísticos relativos a 2023.

Se analisarmos os últimos dez anos, a diferença mais significativa está no setor do "alojamento, restauração e simulares", que duplicou em número de trabalhadores. Eram 11,1%. Hoje existem 294 empresas no nosso concelho a laborar neste setor. O volume de negócios no concelho passou de 161 milhões para 235 milhões em apenas dez anos.

Estes dados não deixam dúvidas de que há um volume crescente de atividade económica e que o turismo teve aqui um papel essencial no crescimento, sustentando muitos empregos diretos.

É preciso, no entanto, ter atenção aos pontos fracos que o concelho apresenta.

O acesso à habitação é um dos maiores constrangimentos, a par do que acontece no resto do país. A elevada procura faz com que o custo da habitação por metro quadrado seja o mais elevado do distrito. No último trimestre de 2023 o preço por metro quadrado no nosso concelho foi de 1318 euros. Como termo de comparação, em Vila Nova de Cerveira foi de 951 euros e em Viana do Castelo foi de 1289 euros.

O mercado de trabalho é igualmente um fator a ter em conta. Apesar do desemprego estar em valores residuais, os mais baixos de sempre, com 300 registos, comparado com os 1000 de há dez anos, continua a faltar empregos mais qualificados, nomeadamente em setores tecnológicos, onde é preciso investir na sua atração. Sobre a indústria, dependendo do seu grau, é necessário cuidado com o que queremos. Primeiro por que na sua maioria são empregos não qualificados, com salários muito baixos. Em segundo, por que o seu impacte ambiental pode ser brutal. Veja-se o exemplo da exploração de minerais, como o lítio na Serra d'Arga.

Transportes públicos. Apesar do grande investimento na eletrificação da linha ferroviária, não se notaram muitas diferenças na oferta e nos horários, que continuam parcos e desfasados da realidade laboral. O mesmo se passa com os autocarros. Poucos e com horários maus. Por isso o uso pessoal de carros continua a ser tão elevada. Apesar deste assunto ser de difícil resolução, onde apenas nas grandes cidades é possível rentabilizar os transportes, os governos não têm encontrado soluções para o território. Para já, recorre-se aos táxis e talvez no futuro, com os carros autónomos, se encontrem novas soluções.

Apesar destes constrangimentos, o concelho de Caminha continua a ser atrativo.

Estamos próximos de Viana do Castelo, de Braga, do Porto e de Vigo. Há cada vez mais reformados a escolher o nosso território para ter um fim de vida tranquilo e de proximidade. Hoje temos quase oito centenas de estrangeiros registados. Temos cada vez mais nómadas digitais, atraídos pelos nossos valores naturais, onde trabalham à distância para qualquer parte do mundo.

O concelho de Caminha tem mais potencial e é preciso abrir novos horizontes. Tentar inovar, sem medo. Fazer mais com os jovens e pelos jovens. Se eles são sempre o futuro, então façamos mais por eles.

Filipe Fernandes


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