Conforme noticiamos em edição anterior, a Associação Juventude Vila Praia organizou no passado fim-de-semana um Torneio Inter-Regiões Sub 17 Feminino no Pavilhão Municipal desta vila, com o apoio da Associação de Patinagem do Minho e da Câmara Municipal de Caminha.
Paulo Matias, antigo árbitro de hóquei em patins, presidente da Associação de Patinagem do Minho (APM) num terceiro mandato, confirmou-nos que era a segunda vez que este torneio se realizava em Vila Praia de Âncora.
Novamente com o apoio da Câmara Municipal de Caminha e da "envolvência" da região, a APM voltou a aceitar a candidatura da Associação Juventude Vila Praia, "trazendo para qui este evento que nos parece importante na promoção da modalidade e do hóquei feminino", disse-nos no decorrer do torneio que teve como vencedora a Associação de Patinagem do Porto que derrotou na final a sua congénere de Coimbra.
"Não está tão forte como eu gostava que estivesse"
Este dirigente associativo admitiu que o hóquei em patins feminino no Minho "não está tão forte como eu gostava que estivesse", embora esteja a constatar um aumento de praticantes femininas na iniciação, apesar de existir uma certa tendência para que as atletas se inclinem mais para a patinagem, inclinação esta que se está a inverter, o que agrada a Paulo Matias.
"Nem todos os clubes do Minho (26, e destes, 15 possuem patinagem artística) possuem secção de hóquei feminino", reconhece, embora elas treinem com os rapazes até aos 15/16 anos, o que permite "puxar mais por elas", mas ainda não possuem "estruturas colectivas nos seus clubes". Isto obriga à existência de equipas mistas até aos iniciados, após o que começam a aparecer conjuntos só compostos por jogadoras femininas, mas ainda em número reduzido.
"Está saudável"
Paulo Matias reconhece uma "certa evolução" no hóquei minhoto, embora esperasse mais, atribuindo ao Covid esta situação, porque, entre outros revezes, "afastou muita gente dos pavilhões e da prática desportiva", apesar de já estar a notar que "estamos a retomar as actividades", apontando o caso da inclusão da patinagem nas AECs apoiadas pelas câmaras municipais, na tentativa de promover a iniciação desde o primeiro ciclo, incluindo a prática da velocidade (patins em linha).
Adiantou ao C@2000 que a maioria dos treinos das selecções minhotas se realizam em Barcelos, no pavilhão municipal, embora muitos treinos tenham lugar noutras localidades, na tentativa de "diversificar".
"A selecção argentina está toda aqui"
Desde há mutos anos ligado à modalidade, perguntamos-lhe quais as razões que contribuem para que Portugal tenha sentido extrema dificuldade em sagrar-se campeão do mundo nos últimos anos, apesar de possuir os melhores clubes a nível mundial.
Anotou que a actual campeão do mundo, a Argentina, tem os seus melhores atletas a jogar em Portugal, acabando por ser Portugal o país onde eles acabam por vir treinar, embora, frisou, "acho que tínhamos obrigação de ter títulos europeus e mundiais de hóquei em patins mais frequentemente". "Acho que é difícil", acrescentou, mas, "acho que deveríamos regressar a esse período áureo em que ganhávamos quase tudo, porque também possuímos hoquistas muito bons", lamentando que "muitas vezes, os nossos clubes privilegiem os atletas estrangeiros já feitos", como com sucede com os hoquistas da Argentina que jogam no Benfica, Sporting, Oliveirense, Valongo, Porto e Barcelos.
Duas ancorenses na selecção regional
Duas jogadoras ancorenses, Inês Martins (guarda-redes), 13 anos, e Rita Vieira (avançada), 15 anos, iniciaram-se na modalidade em Vila Praia de Âncora, mas jogam ambas na Juventude de Viana, porque ainda não foi possível reunir um conjunto de raparigas que constituíssem uma equipa nos seus escalões etários (Sub-15).
Influenciada pelo pai
Inês Martins iniciou-se no hóquei em patins há ano e meio porque "o meu pai (Nuno Martins) já era hoquista há muitos anos". Revelou-nos a importância deste torneio por "permitir aproximar-me mais das minhas colegas e jogar em equipa". Encontra-se bem integrada na equipa vianense e embora o lugar de guarda-redes no hóquei não seja fácil, gosta dele. Tem como ídolo no hóquei sénior o jogador Gonçalo Alves (FCPorto).
Jogadora há 10 anos
A sua colega Rita Vieira já joga hóquei há 10 anos igualmente por influência de seu pai (Rui Vieira) ao "convencer-me para a prática de hóquei e comecei a patinar, gostei e cá estou", contou-nos no final do jogo com a selecção de Setúbal. "Tenho orgulho em estar aqui", adiantou, o que "sempre quis", completou com orgulho por praticar um desporto de que "gosto muito", e que não é só dirigido a rapazes, precisou, "as raparigas também têm direito a jogar", só esperando que seja possível formar uma equipa em Vila Praia de Âncora.