Casimiro Lages preside à direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caminha há 18 anos (é o presidente com mais tempo no cargo) e considera ter chegado o momento de transmitir o testemunho.
"É muito tempo", desabafou perante o C@2000, após algumas tentativas estatutárias para alterar a composição dos corpos sociais, mas sem resultado.
"Razões familiares levam-me a que dê por terminado o meu trabalho - bom ou mau, os sócios o julgarão - em que houve rotatividade de alguns elementos, com excepção do presidente que se manteve", explicou.
Foi dada oportunidade aos sócios para apresentarem listas e desde Novembro que esperam uma alternativa, após se ter gorado uma nova oportunidade concedida até 9 de Fevereiro. Em 21 de Março decorrerá uma mova assembleia geral destinada a aprovar a conta de gerência, sendo aproveitado o momento para que possa surgir uma candidatura.
129 anos de história de voluntariado
Perante este cenário, "continuamos em gestão corrente", precisou Casimiro Lages, o que se torna "redutor", sendo premente assegurar uma continuidade que permita uma continuidade a uma associação que tem 129 anos de história de voluntariado.
A falta de participação das pessoas na vida associativa dita estas dificuldades em encontrar quem se disponha a gerir as associações e colectividades, assim interpreta Casimiro Lages o impasse a que se assiste nos Bombeiros Caminhenses, e, além do mais, como são cargos que "dão trabalho, preferem a comodidade da casa e do sofá" e "não pretendem assumir a responsabilidade de conduzir uma associação destas".
Esta associação revela estabilidade, porque "estamos bem financeiramente", apenas sendo necessário dispor de algum tempo para acompanhar de perto o seu dia-a-dia, acreditando que haja sócios "com algum tempo disponível" para assumir estas funções, numa associação com cerca de 2.500 sócios.
O presidente em final de mandato(s) já contactou algumas pessoas com perfil para orientar a AHBVCaminha, mas "por uma razão ou outra" declinaram tal função, embora no seio dos actuais corpos sociais existam elementos capazes, admite Casimiro Lages, recrutamento impossível, contudo, no seio da presente direcção.
Projectos congelados


Lamenta a situação, até porque existem projectos em curso que poderão ficar congelados, dando como exemplos as obras de "pequena ampliação do quartel para criar camaratas e vestiários para o sexo feminino", além da criação de uma "maior funcionalidade da parte do Comando junto do Corpo de Bombeiros". A compra de uma auto-escada que "se encontra em processo de legalização e uma ambulância já adjudicada" e a aquisição de novos fardamentos são outras apostas que conviria dar continuidade, alerta, depois de já terem procedido à actualização de salários e cativarem um "bolo grande" do Orçamento para os fardamentos de trabalho e de protecção individual. Mas este passo está dependente da clarificação directiva.
Apelo aos sócios
Neste sentido, apela aos sócios "com capacidade e disponibilidade" para que "disponham de um bocadinho do seu tempo para esta tarefa e dever cívico de prestar serviços à comunidade", porque ele tem necessidade de dedicar mais algum tempo "para os meus netos", a par das "capacidades do ser humano diminuírem com a idade", o que dificulta a orientação de uma instituição que movimenta 1,2 milhões de euros anualmente.