Marina Coelho participou pela primeira vez como presidente de junta numa reunião camarária descentralizada e colocou uma série de questões ao presidente da Câmara, após ter elencado os seus dois anos de mandato "a resolver questões pontuais".
Aproveitou a ocasião para voltar a pedir uma reposição do piso da Av. de S. Sebastião deteriorado em consequência da instalação da rede de saneamento, depois de já terem solicitado um subsídio com essa finalidade há uns tempos, e recordou que falta concluir um ponto desta tubagem.
A Junta de Freguesia pediu um arranjo no entroncamento da Av. de S. Sebastião com a EM302, de modo a dotar a entrada/saída da freguesia de uma estrutura "mais nobre", e indicou que pretendem manilhar a R. de S. Pedro de Varais e alargar o largo da Igreja.
Neste conjunto de solicitações ao Executivo camarário, foi incluída a limpeza dos tanques que servem de abastecimento de água aos helicópteros em caso de incêndio florestal, visto encontrarem-se cheios de labaças, nomeadamente no de S. Pedro de Varais.
Esta chamada de atenção contribuiu para que Rui Lages admitisse que eles deverão ser vistoriados a fim de estarem operacionais no verão.
A falta de resposta da EDP mereceu um comentário da autarquia vilense, exemplificando com uns fios de electricidade que tocam uma casa na Rua da Cavada devido às intempéries dos últimos meses, tendo obrigado a proprietária a reduzir a altura da chaminé. O presidente da Câmara lamentou que a EDP esteja "muito demorada" e prometeu dar uma resposta sobre este caso, mais tarde.
A sinalética é um dos temas em que os autarcas vilenses mais têm insistido. Já foi aprovada em Assembleia Municipal, a presidente de Junta voltou a falar deste assunto neste órgão autárquico, mas ainda não foi instalada. Contudo, o presidente da Câmara prometeu dotar a freguesia do Vale do Âncora com a sinalética até ao mês de Junho.
O património da freguesia mereceu igualmente uma atenção particular neste encontro da vereação com os fregueses, após Marina Coelho se referir ao abandono da Mamoa de Vile, um monumento megalítico classificado, que merece ser "limpo e divulgado", insistiu.
A propósito, recordou que algum do espólio recuperado deste monumento funerário, se encontra à guarda do Museu Martins Sarmento, em Guimarães.
E o seu colega de Junta, José Lima, pediu igualmente a "valorização" do caminho/calçada romano de S. Pedro de Varais por se encontrar coberto de matagal, no que foi corroborado mais tarde por Liliana Silva, vereadora da oposição, lamentando que o muito património existente em Vile não seja valorizado nem conhecido.
Rui Lages vincou a importância do património material e imaterial, mostrando-se adepto da sua protecção e divulgação, recordando, a propósito, o projecto "Fotografa Falada", com importância para a memória futura das freguesias.
A Fábrica da Igreja pretende organizar mais um almoço-convívio da freguesia, mas viu-se forçada a realizá-lo em Riba d'Âncora, no Forno Comunitário (as inscrições já estão esgotadas), porque não existe em Vile um espaço que permita reunir os seus habitantes.
No intuito de suprir esta lacuna, há muito que Vile pugna pela reabilitação e adaptação da antiga escola primária, bem como pela aquisição da sala de ordenha, podendo juntar estes edifícios e criar um conjunto que servisse os interesses da freguesia, assinalou Elsa Barbosa, outra moradora a intervir na reunião alargada.
Esta vilense recordou que a sala de ordenha se encontra abandonada há anos, e com as portas abertas, o que poderá constituir um perigo para as crianças que brincam no local, atendendo inclusivamente a que ainda há material no interior e actuações "ilícitas" a coberto da noite.
Vincou a necessidade de ser adquirido este imóvel que "poderia servir para algo mais", embora o proprietário peça um preço considerado elevado (50.000€, falou-se), porque existem duas associações em Vile "sem condições para trabalhar", dizendo por último que estava a falar em nome de muita gente de Vile".
O tema dominou a reunião, sendo que José Lima, tesoureiro da Junta, chamou a atenção para o hiato de tempo (10 anos) que o processo da reabilitação da escola decorre, sem que nada de concreto se faça.
"Aquilo está a cair", lamentou, embora a Câmara já possua um projecto, mas tudo não passa de promessas, eleição após eleição.
Esta pretensão foi comungada por Liliana Silva, incluindo a sala de ordenha, mas Rui Lages, presidente da Câmara alertou que "não podemos atacar em todas as frentes", devendo ser definido "o que é prioritário". Exibindo o projecto que iria ser desenvolvido no edifício da antiga escola e apresentado em Maio de 2017, adiantou ser necessário "repensar esta funcionalidade" e contar com fundos comunitários, porque só com financiamentos conseguirão levar por diante a obra, embora ainda não a tivessem candidatado.
Esta argumentação não convenceu totalmente Elsa Barbosa, apontando que noutras freguesias têm sido recuperados muitos imóveis, mas "aqui", vincou, "demora imenso tempo", apesar de o tema vir constantemente às reuniões descentralizadas. "É o que eu sinto", desabafou esta moradora e delegada socialista na Assembleia de Freguesia, porque "é importante" para a freguesia este projecto, nomeadamente quando "estamos a ser conhecidos" pelas suas belezas e actividades económicas (Raízes da Terra e Quinta do Cruzeiro) e culturais.
Limites não batem certo
O definição dos limites da freguesia parece ser um assunto a tratar com urgência, atendendo a que o Conselho Directivo dos Baldios pretende avançar com um projecto, mas esbarra com esta incerteza.
José Lima, autarca vilense e presidente da Assembleia de Compartes, alertou a Câmara para o facto de os limites da freguesia e dos baldios não coincidirem junto a Vila Praia de Âncora. "Os marcos estão lá há centenas de anos", frisou, pelo que não seria difícil resolver as diferenças existentes. Esta situação era desconhecida pela a própria presidente do partido no qual se inclui esta Junta, conforme reconheceu Liliana Silva, que prometeu ir passar a acompanhar o desencontro.
"É uma questão complexa"
Rui Lages adiantou que a questão dos limites das freguesias eram uma situação complexa e, "em última análise" terá de ser levada à Assembleia da República, mas ainda havia muitos procedimentos a seguir previamente, nomeadamente receber a anuência da Junta e Assembleia de Freguesia, Câmara Municipal e Assembleia Municipal.
Pedida revisão do PDM
Quase cinco anos após a entrada em vigor do PDM, a sua revisão começa a ganhar fôlego.
Um morador de Vile, João Palhares, evidenciou o seu descontentamento pela classificação atribuída a um tereno seu, ao qual era permitido uma construção a 100%, e após a revisão da carta magna do território passou a ser apenas possível construir em 10%.
"Eu não falo pelos outros", acentuou, mas sabe que há situações idênticas. Interrogou-se porque se tinha autorizada a construção junto à estrada, e não no seu terreno à volta do qual já havia construções.
"Não é perfeito e será revisto", garantiu Rui Lages, "caso a caso", acrescentou. Recordou que ele não tinha participado na discussão da revisão do PDM. Desconhecia o caso exposto pelo morador, mas reconheceu que houve zonas a ficarem defendidas dos fogos florestais, a par de existirem muitas exigências de diversas entidades com voto na matéria, embora isso não significasse que não aceitasse que a Câmara lhes "batesse o pé".
"Eu votei contra", ripostou Liliana Silva, após o que apontou o caso de Vile como "um dos mais gritantes", porque zonas infraestruturadas ficaram "sem capacidade construtiva", levando à desvalorização de terrenos. Assim, a edil da oposição considerou ser necessário rever o PDM.
Esplanada junto a café
Um pedido do bar do Centro Cultural de Vile para instalação de uma esplanada em frente do estabelecimento foi avaliado pelos técnicos camarários e inviabilizado, o que levou o seu inquilino a interpelar a Câmara nesta sessão.
O croqui apresentado na ocasião, evidenciava a esplanada na estrada o que poderia estrangular o trânsito, de acordo com o parecer técnico, justificou Rui Lages a negativa. De qualquer forma, convidou o interessado a apresentar outra disposição da esplanada. No entender de Liliana Silva, justificava-se a esplanada nesse local.