A propósito da publicação de um livro sobre a "Introdução ao Estudo da História da Arquitectura Portuguesa", da autoria do arqº Alexandre Alves Costa, a Câmara de Caminha e os Amigos da Rede de Bibliotecas de Caminha convidaram-no a apresentar esta obra na Biblioteca Municipal de Caminha, durante a qual o autor vincou a diferença entre a História da Arquitectura Portuguesa e uma pretensa designação de História da Arquitectura em Portugal.
A existência de uma arquitectura portuguesa "foi uma coisa que me acompanhou desde jovem", reconheceu Alves Costa, entendendo que ao longo dos tempos foi-se forjando uma realidade alicerçada nos vários povos que aqui se fixaram e habitaram, deixando as suas marcas arquitectónicas que evoluíram até à actualidade, rejeitando, por isso, que tivesse havido quem restringisse a arquitectura portuguesa aos grandes monumentos.
"Experiência extraordinária"
Referiu que os arquitectos portugueses adaptaram as diferentes teorias provenientes de fora à "realidade local" e centrou a sua intervenção na problemática da habitação após o 25 de Abril, com destaque para "essa experiência extraordinária" que representou o SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local).
Destacou a "coesão" forjada no "movimento de massas" envolvendo milhares de pessoas, arquitectos e funcionários na busca de soluções habitacionais para a população, até que este projecto foi extinto após a designada normalização política, e por coincidência ou não, a partir desse momento "a população parou de lutar", e os arquitectos tiveram de mudar de rumo.
A apresentação do ex-presidente do Conselho Directivo e Científico da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto esteve a cargo de Eduardo Jorge Fernandes, Professor de Arquitectura na Universidade do Minho, e a sessão foi moderada por Fontaínhas Fernandes, seguindo-se um debate com a participação de diversos assistentes.
"Nem tudo o que se fez foi de boa qualidade"
No final, pedimos a Alves Costa que nos fizesse uma pequena apreciação à paisagem e urbanismo caminhense, nomeadamente desde que ele passou a frequentar Moledo do Minho, a partir dos anos 60.
"Vejo que está muito degradado", apontando a saída a seguir a Seixas como uma "fatalidade", fruto de "um certo desprezo pelo desenho do território", a par de "nem todas as coisas que se fizeram serem de boa qualidade".
"Continuo a discordar da marginal de Caminha, tal como ela está, porque corta a relação da vila com o rio, quando devia ser exactamente o contrário", lamentando tal "moda que apareceu em vários sítios e que prejudica o diálogo das cidades com a paisagem".
No seu entender, disse-nos que "acho que Caminha não melhorou do ponto de vista da paisagem urbana", embora nalguns aspectos, do ponto de vista do "restauro e da conservação" do património construído "se note alguma diferença positiva".
Sobre a construção aqui concretizada, acha-se "muito instável", porque é difícil encontrar construtores que "cumpram a palavra" por estarem "metidos em muita coisa".