A primeira metade do século XVIII, sob o aspeto literário-filosófico, pouca diferença faz do século anterior. No domínio político-económico, o absolutismo de D. João V, com o ouro e os diamantes do Brasil, permitiu o reagrupamento da nobreza e do clero, e uma florescente e retardatária cultura barroca.
No aspeto cultural os Jesuítas continuaram senhores do ensino e, de algum modo, agarrados a métodos ultrapassados da escolástica medieval. No estrangeiro verificava-se, entretanto, uma profunda renovação cultural. Como conclusão de todos esses movimentos filosóficos com - Espinosa, Descartes, Locke - e científicos com - Newton, Bacon, Leibniz - criou-se um novo movimento científico-cultural que se denominou por "Iluminismo", que visava, fundamentalmente, a renovação cultural, em ordem a uma melhor atualização de conceitos, técnicas e normas, para uma maior eficiência social, culminando, de resto, a célebre disputa que ficou conhecida em França por "Querelle des Anciens et des Modernes", chegando-se à supremacia do moderno sobre o antigo, considerando que os modernos eram os depositários fieis das experiências milenares enriquecidas pelas experiências científicas do seu tempo.
Este movimento caraterizou-se, principalmente, por uma crítica a certos princípios e instituições, até então intocáveis, tais como o regime absolutista, a supremacia da fé e da tradição, sobre a razão. Muitos soberanos admitiram, todavia, as vantagens trazidas pelo progresso técnico e tornaram-se defensores de tal corrente.
Em Portugal, D. José, alinhou a sua atitude régia por esta nova mentalidade, embora já antes D. João V e muitos dos seus ministros prestassem atenção aos aspetos novos da cultura europeia, bem como alguns eclesiásticos, nomeadamente o padre Rafael Bluteau.
Posteriormente, com D. José e o Marquês de Pombal, realiza-se a reforma do ensino, com a introdução definitiva do chamado "Despotismo Esclarecido" ou "Iluminado", destacando-se, nesta segunda fase da implantação do Iluminismo em Portugal, entre outros, o médico António Nunes Ribeiro Sanches para, finalmente, numa terceira fase, que correntemente se denomina "Pos-Pombalina" do Iluminismo Português, se instalar a Academia Real das Ciências, no reinado de D. Maria I.
O Século XVIII é, portanto, na Europa tal como mais tarde em Portugal, um século de profundas revoluções culturais, filosóficas, científicas e técnicas. Século, também, de transmissão, confusão, ecletismo, de atitude radical de oposição à escolástica, de repugnância pelos dogmas, pelo recurso às ciências experimentais e rejeição das ciências metafísicas.
Em Portugal, muitos foram os homens que contribuíram, neste século XVIII, para a agitação das novas ideias e lutaram para arrancar o país ao marasmo cultural em que vivia, destacando-se, porém, entre outros, Luís António Verney.