Um bombeiro da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, Ricardo Fernandes, propôs no decorrer da assembleia geral que aprovou o Orçamento e Plano de Actividades para 2024, que o Regulamento Municipal para os Bombeiros existente desde 2018, seja objecto de uma revisão, porque "cada vez há menos voluntários", mesmo a nível nacional.
Tema "delicado"
Adimitiu ser um tema "delicado", mas demasiado "importante" para que não seja abordado, vincou.
Lamentou ainda que novas regras aplicadas à formação de bombeiro - mais 20 horas - constituam um entrave acrescido ao recrutamento de jovens, embora Daniel Araújo, comandante do Corpo Activo, acredite que esta medida não venha a ser aplicada.
Tendo como comparação os regulamentos dos Bombeiros de Vila Nova de Cerveira e Valença, adiantou que os benefícios concedidos nessas corporações desde 2021 são bem maiores do que nas do concelho de Caminha, apontando desde logo o preço da água, que é mais barata 30% nos primeiros 10 m3.
Sempre com esses municípios como referência, gostaria que em Caminha houvesse apoio jurídico gratuito a qualquer problema que surja no desempenho dos Bombeiros, extensivo ao agregado familiar caso o (a) Bombeiro (a) faleça.
Pediu a gratuitidade total no acesso aos eventos organizados pela Câmara Municipal, lamentando que em Caminha só tenham um bónus de 50%.
Bolsas de estudo e isenção de pagamento de refeições dos filhos dos soldados da paz incluíram este rol de reivindicações, concluindo com uma redução de 50% no pagamento do IVA referente a casa própria.
Estas propostas, acrescentou Ricardo Fernandes, deverão motivar a Assembleia Geral e a Direcção para que "as condições dos benefícios aos Bombeiros sejam melhoradas" através do Regulamento Municipal.
O apelo foi subscrito por Laurinda Araújo, presidente da Direcção, garantindo que "vamos tentar" junto da Câmara Municipal, embora perspective algumas dificuldades, tendo sido secundada por Celestino Ribeiro, presidente da Assembleia Geral (AG), afiançando desde logo que "darei apoio à Direcção" para melhorar as regalias dos Bombeiros.
O assunto não passou despercebido ao Comandante do Corpo Activo, frisando Daniel Araújo que "concordo" com as medidas propostas para captar voluntários, tendo ainda em conta que "hoje em dia", os candidatos a bombeiros "só querem vir" se ganharem dinheiro, levando-o a lamentar que "o voluntariado" esteja a acabar "em toda a parte".
Recrutar voluntários junto das comunidades de estrangeiros
Como forma de lutar contra a falta de voluntários, José Augusto Martins, membro da AG, sugeriu que fosse alargado o recrutamento da candidatos a bombeiros junto da comunidade de estrangeiros existente actualmente no Vale do Âncora, e que já representa 10 a 15% da população, sendo que esta realidade já foi tida em conta, existindo dois migrantes no Corpo Activo, embora a sua formação demore um ano, o que "retira muito tempo às famílias", insistiu Ricardo Fernandes. Além de ser obrigatório possuir um fardamento completo, o que representa um investimento de 1.000€ para a corporação, e, em alguns casos, no final da formação "abandonam" lamentou. Refira-se que para 2024, a AHBVVPA incluiu uma verba de 6.000€ destinada ao fardamento.
Este tema suscitou algum debate sobre o futuro do voluntariado, vincando Daniel Araújo que "para se ser bombeiro, há que sentir a causa (amor à camisola)", e, como média, "em sete, ficam quatro no final do curso".
Votos de louvor
A Direcção apresentou dois votos de louvor aprovados por unanimidade. Um primeiro a Luís Borges Rodrigues, executor do testamento de José Francisco Brás e Antónia de Fátima Marinho Brás (estes dois votos de louvor a título póstumo), pela oferta de uma ambulância, tendo sido ainda considerados sócios beneméritos.
José Luís Presa, ex-presidente da AG da AHBVVPA, foi igualmente merecedor de um louvor por ter diligenciado junto dos beneméritos para que oferecessem a viatura.
Orçamento de 618.000€
Para 2024, o Orçamento desta corporação eleva-se a 618.000€, prevendo-se um saldo de quase 28 mil euros, na senda da continuidade da construção de "uma imagem de união e de vontade de fazer renascer a alma da Corporação", é assinalado no plano de actividades, pretendendo concretizá-lo, "contendo custos e mantendo receitas e apoio protocolados".
Está previsto investir 27.000€+IVA em maquinaria e ferramentas de desencarceramento e promover a venda de artigos de "merchandising", cujo valor inicial se prevê estimar em 4.000€ mais IVA.
Como parâmetros gerais deste ano que agora se inicia, os Bombeiros Ancorenses pretendem ainda manter a regularidade da programação do Cineteatro, reforçar os meios de transporte de doentes e de combate a incêndios, apoiar a formação do Corpo Activo e motoristas e aproveitar todas as candidaturas que surjam que possibilitem "a aquisição de equipamento moderno e mais operacional".