A ideia já germinava há alguns anos e desde que a Revista Caminiana foi editada pela última vez há precisamente 35 anos, "nunca mais surgiu uma revista com a sua qualidade", acentuou o professor da EB23/3 de Caminha e historiador Paulo Torres Bento, coordenador da "Ínsua", uma nova publicação editada pela Câmara Municipal de Caminha e lançada na Biblioteca Municipal no passado dia 17.
"No seu conjunto, está aqui uma bela revista"
Paulo Torres Bento, ao apresentar esta revista "com qualidade histórica e gráfica", que se pretende com uma periocidade anual - embora sem data exacta para a sua publicação -, a que foi dada o título de "Ínsua-Cadernos de História, Ciência e Cultura do Município de Caminha", fez votos para que "dure, pelo menos, o tempo que durou a Caminiana" lançada no final dos anos 70 (1979) do século passado por António José Guerreiro Cepa, da qual foram publicadas 16 edições até Dezembro de 1988.
Este historiador sublinhou as dificuldades com que se depararia a alguém nos dias de hoje, avançar com uma "iniciativa particular" deste género, pelo que corresponderia a um Município, no caso o de Caminha, chamar a si a responsabilidade de uma obra com tais características.
Este primeiro volume centrou-se exclusivamente na republicação de nove artigos da autoria do caminhense Manuel Jorge de Avillez (1896-1981) publicados no já desaparecido Arquivo do Alto Minho, bem como um manuscrito inédito que os seus descendentes (nomeadamente, o seu bisneto Pedro Sá Nogueira) disponibilizaram para esta estreia da "Ínsua" - um nome dado à capa do livro por ser um dos "nomes míticos" do concelho de Caminha, como o próprio presidente da Câmara Rui Lages justificou a escolha.
"Famílias, Casas e Quintas de Caminha" preenchem as suas 170 páginas ilustradas com fotografias e pormenores de casas de famílias caminhenses com valor patrimonial arquitectónico, e desenhos do próprio engº Avillez, cujos escritos sobre algumas da famílias do concelho, cuja genealogia e heráldica foram fruto das suas investigações, mereceram esta primeira opção por parte do coordenador do projecto da Câmara Municipal de Caminha.
"Município tinha esta obrigação"
Rui Lages agradeceu a Paulo Bento ter aceitado coordenar este projecto cultural e histórico, bem como a Pedro Sá Nogueira a disponibilidade manifestada na cedência do trabalho inédito (espólio) de seu visavô, o qual poderá no futuro permitir ainda estudar com mais profundidade a nossa história.
O autarca considerou ter sido "uma honra contar com esta colaboração" neste arranque da "Ínsua", extensiva ao vereador da cultura João Pinto, ao gráfico e aos dois fotógrafos que participaram no levantamento do património reflectido nas suas páginas.
Esta primeira opção recaída num dos antepassados da Casa de Leiras (Caminha), não significa que as próximas edições sejam restritas a um único investigador, devendo o leque e a temática alargar-se, como deverá suceder já no próximo ano, em que se comemoram os 100 anos da elevação da antiga Gontinhães a vila, hoje Vila Praia de Âncora, como foi anunciado durante esta apresentação.
Paulo Bento aproveitou o momento para apelar às pessoas possuidoras de manuscritos, que os disponibilizem a fim permitir a investigação histórica do nosso passado.
"Ele escrevia imenso"
O bisneto do egº Avillez - como era conhecido em Caminha o investigador -, Pedro Sá Nogueira, presente no acto assim como outros familiares, agradeceu em nome da família "por se terem lembrado do meu visavô que morreu quando eu tinha nove anos".
Tinha como recordação desse tempo, a presença de Manuel Jorge Avillez na sua secretária, na Casa de Leiras, a escrever. "Ele escrevia imenso" sobre Caminha e a sua genealogia, mas a maioria dos seus trabalhos nunca foram publicados, existindo 8 ou 9 volumes, "incluindo uma monografia de Caminha".
Pedro Sá Nogueira insistiu no "prazer" que constituiu colaborar neste projecto, dando assim a conhecer "a nossa história" e os ramos familiares de muitos caminhenses.
Executivo camarário estabeleceu preço de capa
Na reunião camarária da semana seguinte, foi aprovada uma proposta que estabeleceu em 20€ o preço de capa desta revista para venda ao público.
Contudo, a oposição liderada pelo PPD/PSD, manifestou a sua discordância por não lhes terem sido fornecidas indicações sobre os custos da publicação, nem sequer através do site do Município, como referiu a vereadora Liliana Silva, daí ser-lhes impossível determinar se o valor aprovado era "justo". No entanto, considerou que os 20€ era um preço "caro" e talvez "exagerado" para pessoas de Caminha que não tenham posses para adquirir esta obra.