A oposição votou contra rectificações propostas pela Junta ao Plano Plurianual de Investimentos de 2023 e Plano de 2024, por o Executivo "se mostrar incapaz de responder e esclarecer cabalmente as questões que lhe são colocadas sobre todas as rubricas dúbias e pouco rigorosas que apresenta", alegou em defesa da sua posição, Susana Gonçalves, a única representante da OCP a marcar presença na Assembleia de Freguesia realizada este mês.
Uma proposta de incorporação do saldo de gerência anterior mereceu igualmente o voto contrário da delegada, a qual colocou uma série de questões ao Executivo, tais como o facto de terem retirado verbas destinadas às obras do Centro Cultural, e se já tinham pagado os trabalhos executados neste edifício e na Rua de Vales.
Se estas obras já tinham sido finalizadas, a oposição não entendeu por que razão vinha agora um pedido de rectificação.
Obras suspensas e introduzidas outras
Segundo tentou explicar Sandra Ranhada, presidente da Junta, a obra na Ponte de Belém foi adiada por causa da enxurrada do 1 de Janeiro/24, e por temerem que não fosse disponibilizada verba para reparar o talude do jardim infantil, o que poderia obrigar a que fosse esta autarquia a suportar esses custos, em detrimento da obra na Ponte de Belém. A par disto, certos "constrangimentos", colocados pela APA e pelo Património e a indisponibilidade camarária para apoiar tal obra, ditaram a mudança para a intervenção na Rua de Vales (16.000€).
Segundo revelou a autarca, não lhes foi possível rectificar com antecedência o PPI e para que não se perdesse essa verba, passaram a executar a outra obra.
No Centro Cultural, a última tranche de 5.000€ foi a última a ser liquidada, em Dezembro, encontrando-se a obra totalmente paga, vincou.
A OCP pediu ainda informações sobre duas verbas (600€ e 1.200€). Se tinham sido gastas ou não, respondendo a Junta afirmativamente.
Susana Gonçalves solicitou ainda informações sobre gastos com gasóleo e estudos, respondendo a presidente da Junta que os segundos se prendiam com três prestadores de serviços.
"Perda de mandato"
Perante as dúvidas suscitadas, Susana Gonçalves insistiu que era "gravíssimo que se façam obras e rectificações orçamentais desta magnitude sem que sejam previamente trazidas à Assembleia de Freguesia para serem aprovadas". Insistiu que "as alterações têm de ser aprovadas e só depois executada a obra", conforme fez menção de destacar na sua declaração de voto.
A delegada social-democrata vincou ainda que "esta prática do Executivo é totalmente violadora das suas competências legais e tem consequências gravosas como a própria perda de mandato que, pelos vistos, o executivo, ignora", salientou.
Perante as incidências desta reunião, a oposição votou contra o Plano de Actividades/24, pelo facto de o Executivo não ter conseguido explicar todas estas alterações.
No entanto, a presidente deu algumas informações sobre actividades desenvolvidas nos últimos meses, como a limpeza na R. de S. Bento, a participação de cinco pessoas da freguesia no projecto "Falar" e anunciou uma apresentação desses argelenses no próximo dia 30, Dia da Comunidade, acentuou, a par da actuação de um grupo de músicos da Banda Lanhelense e do Orfeão.
O que a Junta pretende ver concretizado em 2024 é a reparação da Rua de Guimbra (em fase de orçamentação), assim como gostaria de ver arranjada a Rua de Bouças que "se tornou um rio", tendo já comunicado a situação à Câmara e AdAM, mas prevê que venha a ser a Junta a "resolver" a situação.
A Junta apresentou um saldo de 70.000€ e o seu Orçamento para 2024 ascenderá a 122.000€.